quarta-feira, 29 de julho de 2026

Incêndios em Madrid e Ávila estabilizados

 Os incêndios nas províncias espanholas de Madrid e Ávila, que levaram a decretar a situação de emergência nacional na semana passada, estão "tecnicamente estabilizados", anunciou o Governo de Espanha.

O Ministro da Administração Interna, Fernando Grande-Marlaska, disse manter-se, porém, a situação de emergência nacional nestas províncias do centro de Espanha, com a resposta no terreno a continuar sob coordenação da Unidade Militar de Emergência (UME).

Com a estabilização dos incêndios, as autoridades decretaram o fim de todas as evacuações de localidades e urbanizações na província de Ávila e da quase totalidade em Madrid, assim como dos confinamentos, disse Grande-Marlaska, que falava no posto de comando de combate aos fogos instalado em Navalcarnero, na serra oeste madrilenha.

Estes incêndios levaram a retirar de casa ou a confinar mais de 90.000 pessoas desde quinta-feira.

As ordens de evacuação e confinamento de localidades começaram a ser levantadas já na terça-feira à tarde, permitindo regresso a casa de milhares de pessoas nas últimas horas.

As autoridades espanholas indicaram que permanecem ainda fora de casa cerca de 9.500 pessoas, todas da província de Madrid.

O primeiro-ministro de Espanha já tinha dito esta manhã que o combate aos grandes incêndios no centro país continua a ser favorável e que as próximas 12 horas seriam decisivas para "vencer o fogo".

"Hoje estamos mais próximos do objetivo de vencer o fogo", disse Pedro Sánchez.

"A evolução continua a ser favorável" e neste momento os trabalhos no terreno centram-se em tarefas de "contenção do incêndio e também de refrescamento, entre outras coisas, para evitar reacendimentos" em zonas em que já se considera que a situação é estável, acrescentou.

Sánchez referiu que as próximas 12 horas vão ser "muito importantes e decisivas" para a consolidação do trabalho e resultados conseguidos desde domingo nas províncias de Madrid e Ávila.

A situação de emergência nacional abrangeu também, de sábado a segunda-feira, a província vizinha de Toledo, mas a boa evolução do combate ao fogo retirou esta região desse nível de classificação.

Sánchez afirmou que esta manhã existiam dez incêndios florestais ativos em toda a Espanha e pediu a "máxima precaução", apesar da melhoria da situação dos fogos, sobretudo por o país estar desde hoje sob uma onda de calor que se vai estender por vários dias.

Os incêndios em Madrid, Ávila e Toledo queimaram mais de 77.000 hectares e o fogo de Ávila, com mais de 50.000 hectares ardidos, é o maior de que há registo na história de Espanha, avançou o Governo.

Foi também a primeira vez na história de Espanha que foi decretada a situação de emergência nacional por causa de fogos florestais.

Desde o início do ano, já arderam mais de 170.000 hectares em Espanha, seis vezes mais do que no mesmo período de 2025 e morreram 14 pessoas, uma no sábado passado em Castellón, Valência, e 13 num incêndio em Almería no início do mês de julho.

In Jornal de Noticias

Incêndios em Espanha terão sido provocados por faísca de máquina em obra ilegal

 O grande incêndio em Espanha terá começado numa faísca provocada por uma máquina que funcionava numa obra ilegal. O país enfrenta uma nova onda de calor e procura travar o avanço das chamas.

A notícia é avançada pelo jornal El Mundo. O diário espanhol teve acesso a imagens exclusivas logo após o início do incêndio na serra de Burgohondo, em Ávila.

Aí pode ver-se uma máquina rotativa de oito toneladas, equipada com um martelo hidráulico para partir rochas que antes tinha estado a trabalhar na abertura de um novo ramal de uma estrada já existente.

Uma obra ilegal mandada executar pela associação de criadores de gado. A intenção era facilitar o acesso aos animais que andam livremente pela zona.

O manobrador da máquina acabou detido pela Guardia Civil.

Nesta altura Espanha tem dez incêndios florestais ativos e a situação operativa passou para nível três, o máximo da escala, o que implica coordenação de todos os meios pelo Estado central.

Nesta altura, em algumas zonas está a ser feita a consolidação da área ardida de forma a permitir que muitos dos desalojados possam regressar a casa, mas Espanha enfrenta uma nova onda de calor, o que pode dificultar a atuação dos meios de socorro.

A evolução favorável do combate às chamas pode ser posta em causa pelas condições climáticas das próximas horas, daí o empenho máximo de bombeiros e populares para travar as chamas.

Em Toledo resultou e em Ávila e Madrid está no bom caminho.

In RPT Noticias

Incêndios históricos mobilizam rede de solidariedade em toda a França

 Apesar de estabilizado desde a manhã desta quarta-feira (29), o incêndio florestal que já devastou extensas plantações de pinheiro-marítimo na região de Bordeaux, continua preocupando as autoridades. A previsão de temperaturas elevadas e ventos fortes ao longo do dia aumenta o risco de surgimento de novos focos. Diante da ameaça persistente, uma ampla rede de solidariedade segue mobilizada para apoiar moradores e bombeiros.

Em diversas cidades afetadas, famílias abriram as portas de suas casas para receber moradores que precisaram deixar suas residências às pressas. Associações locais coordenam a oferta de alojamentos temporários, enquanto voluntários organizam campanhas de arrecadação de roupas, alimentos, água e produtos de primeira necessidade para as comunidades atingidas.

O apoio também chega aos bombeiros que enfrentam jornadas exaustivas, em condições extremas de calor e fumaça. Restaurantes, padarias e comerciantes da região distribuem refeições, bebidas e lanches às equipes mobilizadas. Em postos de apoio improvisados, voluntários garantem atendimento permanente para abastecer os profissionais que trabalham dia e noite no combate aos focos de incêndio.

Agricultores da região também participam do esforço coletivo. Alguns ajudam a transportar água para áreas de difícil acesso, enquanto outros colocam máquinas e equipamentos à disposição das autoridades para auxiliar na abertura de faixas de terreno sem vegetação, que funcionam como barreiras para dificultar a propagação das chamas.

Em várias localidades, moradores se revezam para cuidar de animais domésticos deixados para trás durante as evacuações e prestar assistência a vizinhos idosos ou com dificuldades de locomoção.

A mobilização tem chamado atenção da imprensa francesa. O jornal católico La Croix destaca nesta quarta-feira (29) que a crise deu origem a uma verdadeira corrente de solidariedade nacional, envolvendo desde moradores anônimos até entidades beneficentes e autoridades locais. Para o diário, a resposta coletiva à tragédia revela uma capacidade de mobilização raramente observada em momentos de normalidade.

Já o Le Figaro presta homenagem ao trabalho dos bombeiros, apontados pelo jornal como os "heróis da linha de frente". Cerca de 2.750 agentes, entre profissionais, voluntários e militares, participam atualmente das operações na Gironda. A publicação ressalta o desgaste físico e psicológico provocado pela exposição prolongada ao calor extremo, à fumaça e às condições intensas de trabalho.

Incêndio florestal no sudeste é controlado
O incêndio de grandes proporções que devastou áreas de floresta na região de Bordeaux, desde 22 de julho, seguia estabilizado na manhã desta quarta-feira (29), segundo as autoridades locais. No entanto, a previsão de altas temperaturas e ventos fortes ao longo do dia mantém o alerta para o risco de novos focos e eventual retomada das chamas.

Já o grande incêndio florestal que atingiu o departamento de Var, no sudeste, foi declarado controlado na terça-feira (28), após oito dias de combate às chamas. O fogo destruiu cerca de 4.500 hectares de vegetação e ameaçou diversos vilarejos da região, localizada a aproximadamente 100 quilômetros de Nice, um dos principais destinos turísticos da Riviera Francesa.

Paralelamente à operação dos bombeiros, a Justiça francesa avançou nas investigações sobre a origem do incêndio. Um homem de 23 anos foi formalmente acusado e colocado em prisão preventiva por suspeita de ter provocado uma série de incêndios florestais. Segundo os investigadores, ele é apontado como um dos responsáveis pelo fogo que atingiu o maciço de Gros Bessillon, uma área montanhosa situada no interior do departamento de Var.

In Terra

Incêndios Rurais: Oito distritos com dezenas de concelhos em perigo máximo

Dezenas de concelhos em oito distritos de Portugal estão esta quarta-feira em perigo máximo de incêndio, apesar da descida da temperatura máxima.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou esta quarta-feira dezenas de concelhos localizados em oito distritos do Norte e Centro de Portugal continental sob o nível mais elevado de perigo de incêndio rural [cite: Dezenas de concelhos de oito distritos no norte e centro de Portugal estão esta quarta-feira em perigo máximo de incêndio, uma situação ligeiramente melhor do que na terça-feira., Trata-se de concelhos dos distritos de Bragança, Vila Real, Guarda e Portalegre, Viseu e Castelo Branco, Coimbra e Santarém, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).]. Apesar da gravidade do aviso, o organismo meteorológico salienta que a evolução geral reflete "uma situação ligeiramente melhor do que na terça-feira".

Distritos afetados e avaliação do risco no território

De acordo com o IPMA, os municípios em perigo máximo pertencem aos "distritos de Bragança, Vila Real, Guarda e Portalegre, Viseu e Castelo Branco, Coimbra e Santarém".

A entidade adianta também que vários concelhos dos distritos de Coimbra, Santarém e Castelo Branco registam um nível de perigo muito elevado [cite: Trata-se de concelhos dos distritos de Bragança, Vila Real, Guarda e Portalegre, Viseu e Castelo Branco, Coimbra e Santarém, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA)., Estes três últimos distritos têm vários concelhos com perigo muito elevado, bem como os distritos de Faro, Viana do Castelo, Braga, Porto e Leiria]. A mesma classificação de risco muito elevado abrange ainda "os distritos de Faro, Viana do Castelo, Braga, Porto e Leiria". Relativamente ao mapa nacional de risco, o organismo refere que "O resto do território enfrenta um perigo elevado ou moderado".

Previsão do tempo e comportamento das temperaturas

Para o dia de hoje, as previsões meteorológicas indicam alterações no estado do tempo na maior parte do país. O IPMA detalha que "Para esta quarta-feira é esperada uma descida de temperatura, em especial da máxima, exceto no nordeste transmontano".

A variação térmica será visível nas diferentes regiões do país. O instituto meteorológico nota que "A temperatura mais elevada será em Bragança, com 38 graus celsius, seguida de Beja com 37". Quanto aos restantes centros urbanos, "Faro vai chegar aos 28 graus, Lisboa aos 31 e o Porto aos 23".

In A Verdade

Quase 4.000 pessoas retiradas de zonas turísticas junto a Bordéus devido aos incêndios em França e Espanha

Quase 4.000 pessoas foram retiradas preventivamente de zonas turísticas na costa atlântica francesa, enquanto o regresso do vento e das temperaturas extremas ameaça dificultar o combate aos incêndios florestais que continuam a atingir França e Espanha.

As autoridades francesas ordenaram a retirada preventiva de quase 4.000 pessoas de parques de campismo, aldeamentos de férias e outros alojamentos turísticos na zona de Lacanau, a oeste de Bordéus, devido ao agravamento do risco provocado pelos incêndios florestais

Segundo o The Guardian, a decisão surge numa altura em que o regresso do vento e do calor extremo coloca em causa os esforços dos bombeiros para controlar os incêndios que continuam ativos em França e Espanha. O Presidente francês, Emmanuel Macron, classificou a atual situação como a mais difícil enfrentada pelo país desde a Segunda Guerra Mundial.

Durante uma visita a um centro de gestão da crise em Bordéus, na terça-feira, Macron alertou que "as próximas semanas serão difíceis" e sublinhou a necessidade de manter os esforços no combate às chamas.

No departamento de Gironde, o comandante dos bombeiros Rémi Lassoureille afirmou, citado pelo jornal Le Monde, que o incêndio, responsável pela destruição de 42.000 hectares de floresta, se encontrava "relativamente sob controlo". Ainda assim, os operacionais receiam um possível reacendimento da frente noroeste em direção a Lacanau, motivo que levou à evacuação dos parques de campismo da região.

Entretanto, outros grandes incêndios registados no departamento vizinho de Landes e no maciço de Écrins, nos Alpes franceses, já foram dominados, permitindo o regresso de milhares de pessoas às suas casas. No entanto, um incêndio no maciço de Gros Bessillon, na região de Var, no sudeste de França, continua por controlar.

Ao longo da última semana, os incêndios em França, Espanha e Itália obrigaram à retirada de cerca de 330.000 pessoas. Em Espanha, o país prepara-se para enfrentar a quarta vaga de calor intensa deste verão, enquanto combate alguns dos maiores incêndios florestais da sua história.

Na província espanhola de Almería, morreu uma mulher que tinha sofrido ferimentos graves num incêndio florestal ocorrido este mês. A vítima faleceu no Hospital Universitário Virgen del Rocío, em Sevilha, elevando para 14 o número de mortos associados a esse incêndio.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, avisou que o país enfrenta "horas difíceis e complexas" antes da chegada da nova vaga de calor, prevista para começar na quarta-feira, defendendo uma resposta urgente à emergência climática. Mais tarde, afirmou que as autoridades começam a "ver a luz ao fundo do túnel" no combate aos incêndios. O Ministério do Interior espanhol anunciou também o levantamento das ordens de evacuação em 15 municípios.

Na província de Ávila, a oeste de Madrid, encontra-se o maior incêndio alguma vez registado em Espanha, depois de consumir 50.000 hectares.

Também a União Europeia reforçou o apoio aos dois países. A porta-voz Anna-Kaisa Itkonen revelou que vários aviões e helicópteros de combate a incêndios enviados por Estados-membros foram destacados para França e Espanha, salientando que nenhum país consegue, sozinho, manter todos os meios necessários para responder a todas as catástrofes naturais ou outras crises.

Os incêndios na Europa coincidem com grandes fogos ativos no oeste dos Estados Unidos e em vastas zonas do Canadá, enquanto vários países asiáticos enfrentam cheias provocadas por chuvas torrenciais.

In 24Noticias

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Incêndio na Guarda dominado. Mais de 400 operacionais combatem fogo em Valpaços

 Incêndio em Valpaços obrigou ao corte da Estrada Nacional 213 e é o único ativo no início da manhã desta quarta-feira, depois da extinção do fogo na Guarda durante a madrugada. Na Guarda arderam mais de quatro mil hectares em quatro concelhos.

O incêndio no concelho de Valpaços, distrito de Vila Real, continua ativo na manhã desta quarta-feira e está a ser combatido por 441 operacionais, apoiados por 141 viaturas, segundo a informação disponível no portal da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).


Fonte do Comando Sub-Regional do Alto Tâmega e Barroso disse à Lusa, pelas 6h45, que o fogo permanece ativo em três frentes.


Na terça-feira à noite, o comandante do Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Alto Tâmega e Barroso, Artur Mota, explicou que as três frentes estavam a dar "muito trabalho", devido à grande extensão do incêndio. O responsável adiantou ainda que não havia registo de localidades em perigo nem de feridos.


A Estrada Nacional 213 (EN213), que liga Valpaços a Chaves, mantém-se cortada na zona do incêndio desde as 22h50 de terça-feira.


O alerta para o fogo foi dado pelas 15h de terça-feira, na localidade de Cabeço, freguesia de Ervões, no concelho de Valpaços.


Incêndio na Guarda dominado


Durante a madrugada, o incêndio que lavrava no distrito da Guarda entrou em resolução, pelo que o fogo de Valpaços é o único incêndio rural ativo em Portugal continental na manhã desta quarta-feira, de acordo com os dados da ANEPC.


O incêndio da Guarda deflagrou às 13h51 de segunda-feira, em Rochoso, e alastrou aos concelhos de Almeida, Pinhel e Sabugal. O fogo foi dominado cerca da 1h, indicou à Lusa fonte do Comando Sub-Regional das Beiras e Serra da Estrela.


Pelas 3h15, permaneciam no terreno 606 operacionais, apoiados por 188 viaturas.


Na terça-feira à noite, o comandante João Rodrigues, do Comando Sub-Regional das Beiras e Serra da Estrela, adiantou que a área ardida rondava os quatro mil hectares e que o perímetro do incêndio atingia cerca de 40 quilómetros.


Entretanto, a GNR informou à Lusa, pelas 0h10, que a A25 e a EN16 já tinham sido reabertas à circulação, depois de terem estado cortadas devido ao incêndio.


In Expresso

Incêndios de sexta geração multiplicam-se: o que os torna mais perigosos e como combatê-los?

 

Fogos como os que lavram há uma semana em França e Espanha revelam uma intensidade que dificulta e, por vezes, impossibilita mesmo o combate direto por parte dos bombeiros. É um novo padrão ditado pelas alterações climáticas e que requer uma abordagem específica.

Os incêndios desencadeados na última semana em França e Espanha, que já queimaram mais de 115 mil hectares e desalojaram mais de 320 mil pessoas, têm-se destacado pela enorme violência e extensão das chamas. As autoridades francesas admitem que poderão demorar meses a extingui-los.

São os mais recentes exemplos daquilo a que a comunidade operacional e científica passou a designar, a partir da segunda metade da década de 2010, como "incêndios de sexta geração", especialmente após os fogos de Pedrógão Grande em Portugal (2017) e da Grécia (2018), que causaram, cada um, mais de 100 mortes.

Este novo padrão começou por se tornar mais evidente na Europa, embora também tenha sido detetado em 2017 no Chile, onde voltou a manifestar-se, de forma ainda mais avassaladora, em 2024, ano em que se registaram 137 vítimas mortais. Tais características foram ainda observadas noutras latitudes, designadamente na Austrália (2019-20), na costa oeste dos Estados Unidos (2020) e no Canadá (2023).

A grande mudança no comportamento do fogo é ditada pelas alterações climáticas, explica à Euronews Domingos Xavier Viegas, professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e especialista em incêndios rurais. Com temperaturas mais elevadas, menos precipitação e níveis de humidade mais baixos, o solo e a vegetação ficam mais secos, o que exponencia as "condições de ignição" e a "área disponível para arder".

O que diferencia um incêndio de sexta geração?

O potencial destrutivo destes megaincêndios advém da energia libertada, capaz de alterar as condições meteorológicas à sua volta e de esgotar os meios tradicionais de combate, por mais robustos que sejam.

Quando são libertados mais de dez megawatts (MW) por metro, o fogo já não pode ser extinto pela ação direta dos bombeiros, clarifica Xavier Viegas. "Se traduzirmos isto em comprimento de chamas, uma frente que liberta dez MW tem, mais ou menos, dez metros de altura de chama", acrescenta.

"O que acontece é que, hoje em dia, temos, por vezes, incêndios que, em algumas fases da sua propagação, apresentam intensidades três, quatro, cinco, até seis vezes maiores. Ou seja, não é possível combater chamas que chegam a ter até 60 metros de comprimento", observa o especialista.

Uma carga térmica desta magnitude faz com que este tipo de incêndio se auto-alimente, deixando de ser apenas um fenómeno controlado pela atmosfera local e passando também a influenciá-la.

Geram-se nuvens de fumo excecionalmente densas que transportam muito calor, alteram a direção dos ventos, produzem descargas elétricas e lançam brasas a vários quilómetros de distância, o que provoca novas ignições.

Fora de época e em geografias pouco habituais

Os incêndios de sexta geração são cada vez mais frequentes e, nas palavras do perito da Universidade de Coimbra, "não são um evento isolado no verão". Veja-se o caso de Pedrógão Grande, há nove anos, com as chamas a irromperem, primeiro, em junho, ainda na primavera, e, mais tarde, em outubro, já no outono.

Além disso, ocorrem numa "extensão geográfica cada vez maior", indica Xavier Viegas. "Habitualmente, em Portugal, estes incêndios ocorriam no norte e centro, e, agora, por vezes, também surgem no litoral e no Alentejo, em regiões menos comuns".

A mesma tendência é verificada no resto da Europa, onde as chamas já não estão circunscritas ao sul: nas últimas semanas, países do centro e norte como a Alemanha, a Suíça e a Noruega têm estado a braços com fogos.

Trata-se de um "fenómeno global" que exige uma abordagem "integrada", incluindo na prevenção. "Mesmo o turista deve estar ciente disto", salienta Xavier Viegas, fazendo referência ao incêndio recente em Almería, no sudeste de Espanha, que levou à morte de 14 pessoas, 12 delas cidadãos não espanhóis. "Não estavam familiarizados com aquela realidade", vinca.

Como combater estes fogos?

Os meios terrestres e mesmo os aparelhos aéreos mais pesados deixam de ser eficazes para travar a frente de um incêndio de sexta geração. Por isso, para proteger as populações, os bens e as infraestruturas, o especialista da FCTUC recomenda um combate pela cauda ou pelos flancos.

Podem ser criadas "zonas de descontinuidade", através de "algum recurso natural que possa haver, por exemplo um rio ou uma zona sem vegetação".

Outra estratégia é abrir uma faixa de terreno ao "cortar a vegetação por meio de máquinas de rasto" ou alargar essa faixa "com a ajuda de um contrafogo", algo que "só as autoridades podem fazer". Esta operação revela-se, no entanto, arriscada se o vento soprar com força, como se tem verificado frequentemente.

"Às vezes, há uma projeção que passa essa barreira e, digamos, todo o esforço vai por água abaixo", sublinha.

Nestas circunstâncias, alerta Xavier Viegas, é preciso pragmatismo para evitar tragédias. "De um modo geral, as pessoas esperam que os bombeiros apaguem qualquer incêndio, onde quer que esteja, e não se dão conta de que há uma parte do incêndio que não é possível suprimir. Não se deve desejar que os bombeiros arrisquem a sua vida, até porque é uma luta inglória".

Estes fogos são especialmente devastadores em ambiente de floresta devido a material combustível como "vegetação e arvoredo". Quando chegam a áreas mais urbanas, "já não têm as mesmas características de propagação, e aí as casas e os edifícios podem ser locais seguros para as pessoas", assevera.

A retirada das populações para zonas de edificado habitacional é, portanto, uma solução a ter em conta.

"Há determinadas casas e edifícios que, mesmo que fossem impactados por um incêndio desta intensidade, possivelmente poderiam resistir e constituir um abrigo", finaliza.


In Euro News

Fogos que ardem "com a intensidade de várias bombas atómicas": a Europa entrou numa nova era de mega-incêndios

Nunca Espanha ou França tinham enfrentado algo assim. Nunca a Europa tinha enfrentado algo assim. Agora tem de se preparar, porque chegou uma nova era

Os vastos incêndios que devastam o sudoeste de França estão a arder com tanta intensidade que criaram uma poderosa tempestade gerada pelo fogo. Este fenómeno raro é observado ocasionalmente em mega-incêndios como os que afetam os EUA e o Canadá, mas era inédito em França até então - e é apenas um sinal de que a Europa está a entrar numa nova era de incêndios, dizem os especialistas.

A Europa sempre teve incêndios florestais, mas estão a tornar-se cada vez mais extremos à medida que a crise climática se intensifica. Os bombeiros em França e Espanha estão atualmente a tentar conter incêndios mais ferozes e erráticos do que qualquer outro que já tenham enfrentado.

Isto acontece após a época de incêndios recorde na Europa no ano passado, com os especialistas a afirmarem que o continente está a juntar-se a uma longa lista de regiões - da Sibéria à Amazónia - que agora sofrem com épocas de incêndios extremos consecutivas.

“Entrámos numa era de incêndios que não podem ser extintos”, explica Víctor Resco de Dios, professor de engenharia florestal e alterações globais na Universidade de Lleida, em Espanha. “São incêndios que ardem com a intensidade de várias bombas atómicas.”

Os incêndios florestais em França já devastaram mais de 116 mil hectares, sendo os maiores já registados no país, e ainda faltam meses da época de incêndios.

“A situação que enfrentamos hoje é a mais difícil que já registámos, a mais difícil desde a Segunda Guerra Mundial”, admitiu esta segunda-feira o presidente francês, Emmanuel Macron, durante uma visita a Bordéus, onde classificou os incêndios como “totalmente sem precedentes”.

Um dos exemplos mais visíveis disso foi o aparecimento de nuvens de fogo, ou “pirocúmulos”, que se formaram no fim de semana na região da Gironda, perto de Bordéus, segundo as autoridades de combate aos incêndios.

As nuvens de fogo surgem quando incêndios florestais particularmente intensos geram uma coluna de calor extremo, que sobe rapidamente para o ar mais frio acima e se condensa em imponentes nuvens de tempestade. Estas podem criar o seu próprio vento, chuva e relâmpagos, transformando as chamas em tempestades de fogo erráticas e imprevisíveis que se alimentam sozinhas.

O fenómeno está bem documentado na Austrália, no Canadá e nos Estados Unidos - os incêndios de Los Angeles em 2025 produziram um raro tornado de fogo - mas não é de todo comum na Europa.

O Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (ECMWF) refere que ainda não é possível afirmar com certeza que este era o primeiro pirocúmulo em França. "No entanto, se confirmado, o seu desenvolvimento destacaria a intensidade excecional do incêndio atual e as extraordinárias condições atmosféricas em que está a arder", sublinha Francesca Di Giuseppe, coordenadora de previsão de incêndios do ECMWF.

A escala dos incêndios também é notável, avisam os especialistas. Devastaram enormes extensões de terra em França e Espanha, países que solicitaram assistência à União Europeia. "Uma crise de incêndios florestais sincronizada e multinacional é rara na Europa", frisa Stefan Doerr, diretor do Centro de Investigação de Incêndios Florestais da Universidade de Swansea, no País de Gales.

“O que é invulgar é o número atual de incêndios florestais destrutivos: incêndios que se propagam rapidamente, sobrecarregam os bombeiros e obrigam a evacuar as comunidades”, diz Guillermo Rein, professor de ciência do fogo no Imperial College London. Mais de 300 mil pessoas já foram retiradas nos dois países.

A supressão completa de incêndios desta magnitude é quase impossível até que o combustível se esgote ou que ocorram chuvas persistentes, independentemente da quantidade de recursos de combate a incêndios mobilizados, dizem os especialistas.

“Na Austrália, em partes dos EUA e do Canadá, há uma expectativa e aceitação generalizadas de incêndios florestais fora de controlo”, vinca Doerr, da Universidade de Swansea. “Na Europa, ainda existe a noção generalizada de que estes incêndios podem ser totalmente evitados.”

Porque é que estes incêndios são tão graves?

Cada incêndio florestal é complexo e único, afetado por muitos fatores, incluindo a gestão do solo, o terreno e os recursos de combate aos incêndios. Mas o clima extremo, agravado pelas alterações climáticas, tem sido um fator-chave nos incêndios na Europa, dizem os cientistas. O aquecimento global está a provocar oscilações mais acentuadas entre os extremos de seca e de chuva. É um "efeito chicote", nota Matthew Jones, investigador independente da Escola de Ciências Ambientais da Universidade de East Anglia, em Inglaterra.

O último inverno foi excecionalmente chuvoso em França e Espanha, levando a um aumento do crescimento da vegetação. Depois, o clima mudou drasticamente. Desde maio que a Europa Ocidental tem sido assolada por uma sucessão de ondas de calor brutais, que têm ressecado a paisagem. Este calor proporcionou "o 'estalo do chicote' no efeito chicote, transformando a vegetação densa em combustível altamente inflamável", explica Jones.

Enquanto França e Espanha se preparam para a quarta vaga de calor do verão, há receio de que esta possa agravar uma situação já de si perigosa.

Cenários dantescos

Extinguir completamente os incêndios atuais pode levar meses, já admitiram as autoridades, mas os seus impactos persistirão muito depois disso.

Os céus perigosos e cheios de fumo que produzem são prejudiciais para a saúde. Estima-se que a poluição causada pelos incêndios florestais provoque mais de 100 mil mortes em todo o mundo todos os anos.

Há também os danos nas economias. Estes incêndios estão a devastar áreas próximas das grandes cidades europeias, afetando pontos turísticos, regiões vinícolas e centros vitais de defesa.

Além disso, podem alterar a relação das pessoas com a terra em que vivem, uma vez que se encontram agora sob a ameaça constante de incêndios incontroláveis.

No futuro, os cientistas dizem que devemos esperar que os incêndios - na Europa como noutros lugares - se tornem mais frequentes e mais extremos, enquanto os humanos continuarem a queimar combustíveis fósseis e a elevar as temperaturas.

“É difícil prever até onde as coisas podem chegar”, lamenta Resco de Dios, “em breve não poderemos descartar cenários catastróficos como os observados na Califórnia ou na Austrália, com incêndios ou complexos de incêndios a atingir centenas de milhares de hectares ou mesmo um milhão de hectares.”

In CNN

terça-feira, 28 de julho de 2026

França: incêndios ameaçam bases militares e atingem economia regional

Os incêndios obrigaram a evacuações e à adoção de medidas de proteção em instalações aeroespaciais e de defesa estratégicas, impedindo milhares de empresas de funcionar normalmente.

Incêndios florestais no departamento francês da Gironda, no sudoeste do país, obrigaram à evacuação e à adoção de medidas de proteção em instalações de defesa e aeronáutica de importância estratégica na área de Bordéus, perturbando um dos principais polos industriais do país.

Entre as empresas afetadas estão a ArianeGroup, a Dassault Aviation, a Airbus Atlantic e a especialista em propulsão para mísseis Roxel.

O Ministério da Defesa francês indicou que, desde sábado, foram mobilizados 1 500 militares para apoiar a resposta de emergência. Adiantou que tinham sido enviados “especialistas e meios” para ajudar a proteger os sítios industriais, em coordenação com outros departamentos governamentais.

A ArianeGroup, cujas instalações na região produzem sistemas de propulsão para os foguetões europeus Ariane e para os mísseis balísticos franceses M51, disse à AFP, na segunda‑feira, que a empresa está em contacto permanente com as autoridades locais e nacionais. “As questões relacionadas com a proteção dos sítios da ArianeGroup estão a ser tratadas”, declarou a empresa à AFP.

O canal francês TF1 noticiou que a Roxel, uma subsidiária do fabricante europeu de mísseis MBDA, opera no complexo industrial de alto risco em Saint-Médard-en-Jalles, onde produz sistemas de propelente sólido para mísseis táticos. A poucos quilómetros, complexos pertencentes à Dassault, à Safran e à Thales também parecem vulneráveis. A Roxel disse ao Le Monde que tinham sido tomadas as medidas necessárias para proteger a atividade e os trabalhadores, com o apoio das autoridades.

Segundo o site Defense News, a Dassault Aviation estava a trabalhar com a Direção-Geral de Armamento francesa e com as autoridades regionais, depois de transferir material sensível da fábrica de Martignas e do centro logístico de Cestas para o sítio de Mérignac e para a Base Aérea 106, nas imediações.

A empresa acrescentou à AFP que a maioria dos trabalhadores das instalações de Mérignac e Martignas se mantinha em casa. A unidade de Mérignac da Dassault é responsável pela montagem final e pelos testes de voo dos caças Rafale e dos jatos de negócios Falcon, enquanto a fábrica de Martignas se especializa em aerostruturas.

A Airbus Atlantic também evacuou os trabalhadores da unidade de Salaunes, a pedido das autoridades. O sítio produz componentes de fuselagem para os aviões Airbus A220 e A350.

Um ‘choque económico’

A perturbação na indústria estratégica insere‑se num choque económico muito mais vasto em toda a Gironda.

Desde que deflagrou, em 22 de julho, o incêndio já queimou cerca de 42 000 hectares, levou à evacuação de aproximadamente 220 000 pessoas e destruiu cerca de 240 habitações, segundo os dados oficiais mais recentes.

O fogo continuava “estabilizado” na manhã de terça‑feira, após uma noite relativamente calma, segundo as autoridades da Gironda. As autoridades alertaram, no entanto, que a subida das temperaturas e a diminuição da humidade podiam voltar a agravar a situação.

Mais de 13 000 empresas localizam‑se nas zonas de evacuação da Gironda, incluindo cerca de 7 000 empresas artesanais e 6 300 retalhistas, de acordo com o Ministério da Economia francês. Não têm conseguido funcionar normalmente devido às ordens de evacuação.

A Câmara de Comércio e Indústria de Bordéus-Gironda estima que cerca de 130 000 trabalhadores foram impedidos de trabalhar em condições normais.

O ministro da Economia, Roland Lescure, descreveu os incêndios como “um raio económico que atinge uma região que não precisava disso”.

Carsten Brzeski, responsável global de macroeconomia do ING, afirmou que o impacto económico global “deverá tornar‑se mensurável”, apontando para as horas de trabalho perdidas, a menor produtividade e as perturbações na logística.

O governo francês anunciou na segunda‑feira apoios de emergência para as empresas afetadas pelos incêndios na Gironda, nas Landes e no Var. As empresas situadas em zonas de evacuação poderão recorrer ao regime de desemprego parcial apoiado pelo Estado.

A France Assureurs prolongou igualmente até 31 de agosto o prazo para a apresentação de pedidos de indemnização.

Uma reunião terá lugar na quinta‑feira no Ministério da Economia para fornecer “respostas mais precisas” às empresas afetadas, adiantou o ministro da Indústria, Sébastien Martin, à BFMTV-RMC.

Turismo, floresta e vinho enfrentam perdas

As empresas de turismo enfrentam cancelamentos e encerramentos numa altura em que se preparavam para um dos períodos mais movimentados do ano. Empresas em toda a área afetada relatam ainda existências estragadas, cadeias de abastecimento interrompidas e faltas de trabalhadores.

O incêndio está igualmente a perturbar a atividade na floresta das Landes de Gascogne, um dos principais centros da indústria madeireira comercial francesa.

O sector madeireiro é o terceiro maior sector industrial da Nova Aquitânia. Sustenta cerca de 56 000 postos de trabalho, incluindo aproximadamente 34 000 ligados à floresta das Landes de Gascogne, e gera um volume de negócios anual estimado em 10 mil milhões de euros.

Segundo o Le Monde, até 27 de julho as vinhas de Bordéus tinham escapado a danos diretos causados pelo fogo. Os produtores de vinho alertaram, contudo, que o fumo pode contaminar as uvas e afetar a qualidade das próximas colheitas.

Custo vai além dos danos cobertos pelo seguro

O custo económico final deverá ir muito além da destruição visível e das perdas cobertas pelas seguradoras.

De acordo com a Allianz Research, apenas cerca de 10% das perdas económicas na Europa associadas a ondas de calor, secas, incêndios florestais e outros fenómenos climatológicos estavam seguradas entre 1980 e 2022. Em comparação, mais de um terço das perdas causadas por tempestades, granizo e vento estava coberto por seguros.

Estes cálculos abrangem apenas os danos diretos em ativos. Excluem mortes, despesas de saúde e perdas de produtividade, que podem representar uma parte substancial do custo das ondas de calor e dos incêndios florestais.

Um estudo publicado na revista Nature Sustainability estimou que os incêndios de 2018 na Califórnia causaram danos totais de 148,5 mil milhões de dólares. A destruição direta de capital representou 19% desse valor, enquanto os custos de saúde corresponderam a 22% e as perturbações económicas indiretas a 59%.

O estudo concluiu que os efeitos nas cadeias de abastecimento se propagaram muito para além das áreas queimadas, com mais de metade das perdas indiretas a ocorrerem fora da Califórnia.

O Banco Central Europeu estima, por seu lado, que apenas cerca de um quarto das perdas resultantes de catástrofes relacionadas com o clima na UE estavam seguradas entre 1980 e 2023.

Segundo a Insurance Europe, com base em dados da Munich Re, o défice médio de proteção – a proporção de perdas não cobertas por seguros – foi de 53% em França e de 60% em Espanha entre 2015 e 2024.

“Com os incêndios florestais, a consequência agridoce, como noutras catástrofes naturais, é que acabam por dar lugar a atividade económica positiva quando começa a reconstrução”, afirmou Brzeski.

Acrescentou, porém, que serão, em última análise, as famílias, as seguradoras e o Estado a suportar o custo da reconstrução.

Com a previsão de nova subida das temperaturas esta semana, as empresas e os operadores industriais enfrentam a perspetiva de uma prolongação das evacuações e das interrupções de produção.


In Euro News

Incêndios em Espanha: 13 mortos e territórios em estado de catástrofe

 Espanha declarou hoje zonas de catástrofe os territórios afetados pelos grandes incêndios que atingiram o país nas últimas semanas e em que morreram 13 pessoas.


Foram declaradas "zonas afetadas por uma emergência de proteção civil" (a designação oficial) territórios atingidos por 211 episódios considerados catastróficos entre 31 de março e 27 de julho, incluindo incêndios e mau tempo, segundo o decreto do Conselho de Ministros.

A declaração inclui territórios de 14 das 17 regiões autónomas de Espanha, como os dos incêndios de Madrid, Ávila e Toledo, no centro do país, que levaram à declaração da situação de emergência nacional na quinta-feira passada.

Estes fogos, ainda ativos, já queimaram mais de 77.000 hectares e levaram a confinar ou retirar de casa mais de 90.000 pessoas, segundo as autoridades.

O incêndio de Ávila, com 40.000 hectares ardidos é considerado o maior de que há registo na história de Espanha.

A declaração aprovada hoje pelo Conselho de Ministros inclui também as zonas de um incêndio no início deste mês em Almería em que morreram 12 pessoas e as do fogo de Castellón, Valência, em que morreu um homem no sábado passado e que continua por controlar.

O documento abrange ainda zonas afetadas por chuvas, tempestades ou fenómenos costeiros, entre outros.

Esta declaração de zona catastrófica permite a avaliação de danos e iniciar o processo de pedido e mobilização de ajudas, não havendo neste momento uma estimativa de prejuízos causados pelos incêndios.

O primeiro-ministro, Pedro Sánchez, disse hoje que a declaração de zonas de catástrofe permitirá começar "a mobilizar ajudas" para os afetados e a recuperação e reconstrução, assim como avaliar "a magnitude desta catástrofe" dos incêndios das últimas semanas.

Sánchez lembrou que já arderam em 2026 em Espanha 170.000 hectares, seis vezes a área queimada no mesmo período de 2025, que já tinha sido "um ano particularmente difícil".

O primeiro-ministro admitiu que começa a ver-se a "luz ao fundo do túnel" no combate aos grandes incêndios que atingem as regiões de Madrid, Ávila e Toledo, mas realçou que é preciso manter "todas as precauções" e ainda há pela frente "dias e horas complexas", sobretudo porque estão a subir as temperaturas em todo o país e se aproxima uma onda de calor.

"Neste momento permanecem ativos oito grandes incêndios em Espanha", revelou.

In Última Hora

"Próximas 24 horas serão críticas": nova onda de calor ameaça agravar incêndios em Espanha

 O correspondente da Sky News, estação parceira da SIC, descreve um cenário de grande preocupação, em que os operacionais estão já num ponto de exaustão e a imprevisibilidade das chamas continua a dificultar o combate ao fogo.

Os incêndios florestais que continuam a lavrar em Espanha poderão ser agravados pela nova onda de calor que se aproxima do país. As próximas 24 horas serão “absolutamente críticas”. O relato é de Connor Gillies, correspondente da Sky News, estação parceira da SIC.

De modo a ter-se uma noção da dimensão, o incêndio tem agora uma extensão cinco vezes superior à da cidade de Barcelona e está a ser descrito pelas autoridades como um incêndio monstruoso.

A onda de calor, que vai trazer temperaturas que poderão atingir os 37 e 38ºC, está a causar especial preocupação nos moradores e nas autoridades.

Em Navaluenga, num dos muitos centros de comando que constituem o núcleo da resposta esponhola, o correspondente da Sky News relata que os operacionais no terreno estão exaustos e reagrupam-se para analisar o comportamento das chamas e decidir os próximos passos.

A recolha de abastecimento de água e alimentos tem-se tornado cada vez mais intensa durante o dia.

O jornalista da Sky News conta ainda que várias pessoas, à medida que as chamas avançavam, tiveram de ser retiradas de barco na noite de segunda-feira, porque as estradas ficaram intransitáveis.

O cenário é de verdadeira corrida contra o tempo em Espanha. Os principais esforços para a extinção do fogo continuam em andamento, mas a situação é imprevísivel e pode mudar bastante nas próximas horas.

In Sic Noticias