quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Incêndio no concelho de Mangualde combatido por mais de 150 operacionais e seis meios aéreos

Um incêndio está a lavrar em Póvoa De Cervães, concelho de Mangualde.

Segundo o site da Proteção Civil, as chamas estão a consumir zona de mato.

O alerta foi dado pelas 15h06 e no combate às chamas, neste momento (16h15), estão 158 operacionais, apoiados por 38 viaturas e seis meios aéreos.

In Rádio Boa Nova

Incêndios em França: mais de 400 detidos por suspeita de ligação aos fogos florestais, 156 são menores

 As autoridades francesas continuam em alerta máximo perante uma época de incêndios sem precedentes, marcada por milhares de focos de fogo e um número elevado de suspeitos detidos.

Mais de 400 pessoas foram detidas, incluindo 156 menores, por suspeita de ligação aos incêndios florestais em França, que queimaram 120 mil hectares desde o início do verão, anunciou hoje o ministro do Interior francês.

Das 402 pessoas detidas, 156 são menores e 36 estão sob custódia, seja por condenação ou por aguardarem julgamento, referiu o ministro do Interior, Laurent Nuñez, em conferência de imprensa.

No total, "desde o início da época, tivemos 14.540 focos de incêndio" numa área ardida de 120 mil hectares, acrescentou, garantindo que "a situação está a melhorar".

As autoridades, no entanto, monitorizam de perto várias áreas, com o ministro do Interior a citar o litoral mediterrânico (sudeste), o vale do Ródano (centro-leste) e o oeste, onde deflagrou um incêndio em Morbihan, na Bretanha.

"Obviamente, continuamos extremamente vigilantes, uma vez que as condições meteorológicas permanecem favoráveis aos incêndios florestais", explicou.

Alerta laranja em 13 departamentos

A agência meteorológica Météo-France manteve o aviso laranja de onda de calor para esta quarta-feira em 13 departamentos (em comparação com 16 na terça-feira), incluindo Drôme (sudeste), onde um incêndio iniciado na segunda-feira já consumiu 280 hectares, segundo o ministro.

O sistema de alerta francês tem quatro níveis, do verde (sem vigilância específica) ao vermelho (vigilância absoluta), incluindo os níveis amarelo e laranja.

Nove em cada dez incêndios florestais são causados por humanos, sendo os raios responsáveis por grande parte dos restantes 10%.

Os maiores incêndios da temporada em França, no entanto, foram acidentais, de acordo com as primeiras conclusões.

Em França, 2026 já bateu o recorde de área ardida em vinte anos de medições por satélite, segundo o Sistema Europeu de Monitorização de Incêndios (EFFIS).

As florestas estão a arder com muito mais facilidade porque a vegetação e o solo estão extremamente secos há meses, um fenómeno agravado pelas recentes ondas de calor excecionais.

De acordo com um estudo publicado na quinta-feira pelos climatologistas do grupo World Weather Attribution, as alterações climáticas causadas pelas atividades humanas estão a tornar a seca atual mais severa.

In Lusa

Nuvens de fogo, rajadas de calor e raios: o perigoso fenómeno meteorológico gerado por mega-incêndios

Grandes incêndios florestais não só se propagam rapidamente. Quando atingem intensidade extrema, podem alterar a própria atmosfera, tornando ainda mais difíceis os esforços de combate ao fogo — como ocorreu em Espanha nos últimos dias.

Os incêndios florestais que assolaram a Espanha nas últimas semanas voltaram a chamar a atenção para um fenómeno que preocupa especialmente os especialistas: as chamadas tempestades de fogo.

Segundo o Copernicus, o programa europeu de observação e monitorização da Terra, os maiores incêndios consumiram mais de 127.000 hectares e afetaram cerca de 92.000 pessoas, sendo as províncias de Ávila, Madrid e Castellón as mais atingidas. Alguns destes incêndios foram classificados como de "sexta geração", caracterizados por um comportamento muito mais difícil de prever e controlar.

Quando um incêndio florestal atinge intensidade extrema, ele deixa de ser impulsionado apenas pela temperatura, pelo vento ou pela humidade. O calor intenso libertado altera o ar em redor e pode modificar as condições meteorológicas sobre o próprio incêndio, criando, essencialmente, o seu próprio clima. Isto explica porque é que alguns incêndios aceleram repentinamente, mudam de direção em questão de minutos ou apresentam comportamentos que tornam as operações de combate muito mais desafiantes.

Nuvens pirocúmulos e como as tempestades de fogo alteram o clima local

O enorme calor libertado pelas chamas faz com que o ar suba rapidamente, transportando fumo, cinzas e vapor de água a vários quilómetros de altitude na atmosfera. Este forte movimento ascendente favorece a formação de nuvens imponentes conhecidas como pirocúmulos, cuja presença geralmente indica que um incêndio florestal atingiu um estágio de extrema intensidade.

O meteorologista da Meteored Espanha, Samuel Biener, explica que estas nuvens se formam quando as correntes de ar quente geradas pelo incêndio encontram ar mais frio nas camadas superiores da atmosfera. O resultado é uma estrutura de nuvem capaz de crescer rapidamente e alterar o comportamento do próprio incêndio.

Durante os eventos mais intensos, nuvens pirocúmulos podem produzir raios capazes de iniciar novos incêndios florestais longe da frente principal do fogo. Além disso, quando essas nuvens colapsam, podem gerar rajadas de vento potentes que alimentam ainda mais as chamas e favorecem uma propagação rápida e imprevisível do fogo.

Segundo Biener, alguns especialistas também apontam que, se um grande incêndio florestal coincidir com uma faixa de chuva fraca, podem ocorrer "rajadas de calor" (heat bursts). À medida que a chuva evapora no calor intenso do incêndio, as correntes descendentes resultantes espalham-se em todas as direções ao atingir o solo, produzindo, por vezes, ventos de 80 a 100 km/h, o que aumenta consideravelmente a dificuldade de conter o fogo.

Incêndios florestais de sexta geração: porque é que são tão difíceis de controlar

A situação torna-se ainda mais perigosa quando vários fatores meteorológicos ocorrem simultaneamente. Temperaturas elevadas, vegetação extremamente seca e ventos persistentes criam condições ideais para a rápida propagação do fogo. No caso de incêndios florestais de sexta geração, estas condições podem superar a capacidade de resposta das equipas de combate a incêndios.

Biener também observou que inversões térmicas ocorreram durante os incêndios florestais em Madrid, Toledo, Ávila e Castellón nas noites recentes. Nessas situações, o ar mais frio e o fumo ficam retidos no fundo dos vales, enquanto uma camada de ar mais quente acima atua como uma tampa. Se essa camada estável se rompe repentinamente, o comportamento do fogo pode mudar em questão de minutos e intensificar-se rapidamente.

Por este motivo, grandes incêndios florestais não são mais avaliados apenas pela área que consomem. Cientistas também estudam os processos atmosféricos gerados por eles, uma vez que essas alterações podem provocar novos focos de incêndio, mudar a direção do fogo e aumentar os riscos para as equipas de emergência que atuam em solo.

Tempestades de fogo: o que acontece durante e após o incêndio florestal

Os efeitos de um grande incêndio florestal não se limitam à área diretamente atingida pelas chamas. O fumo pode percorrer dezenas de quilómetros, degradando a qualidade do ar a grande distância do foco do incêndio. Nos últimos dias, isto foi observado em locais bastante afastados dos principais incêndios, incluindo partes de Alicante.

Grandes plumas de fumo também alteram a quantidade de radiação solar que chega à superfície. Elas reduzem a luz solar direta e aumentam a luz difusa, à medida que as partículas espalham a radiação pela atmosfera, conferindo frequentemente ao céu uma aparência avermelhada. O fumo pode limitar o aquecimento diurno e, à noite, ajudar a reter o calor por mais tempo.

Uma vez extinto um incêndio florestal, estes efeitos atmosféricos desaparecem gradualmente. Samuel Biener observa que não há evidências de que os padrões climáticos mudem permanentemente após um grande incêndio, embora possam ocorrer alterações localizadas relacionadas com a perda de cobertura florestal.

As consequências mais significativas surgem depois de as chamas serem apagadas. Sem a proteção da vegetação, o solo torna-se muito mais vulnerável à erosão. Chuvas que anteriormente tinham pouco impacto podem arrastar cinzas e detritos para rios, reservatórios e aquíferos; ao mesmo tempo, a perda de cobertura florestal eleva as temperaturas do solo e pode levar a pequenas alterações na formação de neblina local, à medida que a humidade antes retida pela vegetação desaparece.

In Tempo.pt

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

EUA declaram estado de emergência para combater incêndios descontrolados

O Governo norte-americano declarou estado de emergência para responder aos incêndios florestais que assolam o noroeste do país, onde mais de 65 mil pessoas foram retiradas e cerca de 700 estruturas foram destruídas.

governador de Washington, Bob Ferguson, do Partido Democrata, confirmou a declaração na terça-feira, depois de ter solicitado apoio federal para combater os incêndios, que afetaram particularmente Spokane, a segunda maior cidade do Estado, rodeada por três focos de incêndio distintos.

A declaração permite à Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA, na sigla em inglês) prestar apoio aos esforços de resposta, incluindo evacuações, abrigos de emergência, alimentos e água, operações de busca e salvamento e outros custos relacionados com a resposta.

Mais de 65.000 pessoas na região de Spokane foram retiradas, enquanto algumas regressaram a casa para descobrir que perderam tudo, noticiou a agência Efe.

As autoridades contabilizaram até à data cerca de 700 estruturas queimadas, mas estima-se que a extensão dos danos seja muito maior devido aos três incêndios que estão fora de controlo.

Os bombeiros não conseguiram conter os três incêndios que rodeiam a área, alimentados por ventos fortes e condições de seca, pelo que as ordens de evacuação obrigatória continuam em vigor em várias áreas.

Ferguson mobilizou membros da Guarda Nacional de Washington para auxiliar na emergência.

A polícia daquele Estado deteve Aaron Farinacci, de 37 anos, que foi visto a agir de forma suspeita perto do local de um dos incêndios que afetam Spokane antes do seu início, informaram as autoridades.

Farinacci é suspeito do incêndio Old Trails, que começou no sábado e é um dos treze grandes fogos atualmente a lavrar em Washington. Está detido sob fiança.

As autoridades do Estado de Washington também estavam a lidar na terça-feira com as eleições primárias e com o dever de garantir que os eleitores possam exercer o seu direito de voto e manter a integridade dos boletins de voto enviados pelo correio.

Os incêndios florestais mantêm também as autoridades do Oregon, vizinho de Washington, em alerta máximo devido aos mais de 30 focos de incêndio que estavam ativos.

Um dos incêndios, o Grasshopper Fire, obrigou à evacuação do sofisticado resort Mt. Hood Meadows.

O Departamento Florestal do Oregon anunciou na segunda-feira que foi estabelecido um novo recorde de área ardida por incêndios florestais, com quase 809.000 hectares devastados, superando o recorde anterior de 769.000 hectares, registado em 2014.

Oregon já registou mais de 1.300 incêndios florestais este ano, com três meses da época de incêndios ainda pela frente, e é atualmente o estado com o maior número de incêndios ativos no país.

In Última Hora

Uma dezena de concelhos do interior Norte e Centro e Algarve em perigo máximo

Uma dezena de concelhos dos distritos de Bragança, Guarda, Santarém e Faro enfrentam hoje perigo máximo de incêndio, num dia em que a temperatura máxima no interior do país vai subir.

Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em perigo muito elevado estão cerca de 80 concelhos do dos distritos de Bragança, Vila Real, Viseu, Coimbra, Guarda, Castelo Branco, Santarém, Leiria, Beja e Faro.

Já em perigo elevado está toda a região do Alentejo e mais de 40 municípios nos distritos de Vila Real, Porto, Viseu, Aveiro, Coimbra, Leiria, Santarém, Lisboa e Faro.

O perigo de incêndio rural determinado pelo IPMA tem cinco níveis, que vão de reduzido a máximo. Os cálculos são obtidos a partir da temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas 24 horas anteriores.

O IPMA espera para hoje subida da temperatura máxima no interior do país e no sotavento algarvio e uma pequena descida na faixa costeira ocidental. Está igualmente previsto vento por vezes forte na faixa costeira a sul do Cabo Raso.

A cidade mais quente será Castelo Branco, com 36 graus, Lisboa vai chegar aos 29 graus, Porto aos 24 e Faro aos 33. As temperaturas mínimas vão variar entre os 15 graus (Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Bragança e Guarda) e os 21 graus (Faro).

In Última Hora

Casal e dois filhos menores desalojados após incêndio em habitação em Oliveira do Hospital

 Um casal, com idades compreendidas entre os 20 e os 30 anos, e os seus dois filhos, de 2 e 4 anos, ficaram desalojados na noite desta terça-feira (4) na sequência de um incêndio que deflagrou numa habitação situada na Praça Luís Vaz de Camões, na cidade de Oliveira do Hospital.

O alerta foi dado às 21h45 pela mãe das crianças, que se encontrava em casa com os dois filhos no momento em que o incêndio começou. O pai não estava na habitação quando ocorreu o incidente.

Em declarações à Rádio Boa Nova, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital, Emídio Camacho, referiu que o fogo teve origem, alegadamente, num “curto-circuito no exaustor da cozinha, que estava embutido numa estrutura de madeira”, circunstância que terá contribuído para a rápida propagação das chamas.

“A cozinha ficou totalmente destruída”, adiantou o comandante, acrescentando que, apesar de o restante imóvel não ter sido consumido pelo fogo, “não reúne, para já, condições de habitabilidade devido ao intenso cheiro a fumo”. Os prejuízos são considerados “avultados”.

Deste incidente não há vítimas nem feridos graves a registar entre os ocupantes da habitação. “Felizmente não houve qualquer vítima”, adiantou à Rádio Boa Nova o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, que esteve no local a acompanhar a situação. Segundo explicou, um homem que se apercebeu do incêndio prestou auxílio, mas acabou por inalar fumo, tendo sido transportado para o o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra para observação.

A habitação, que era arrendada, sofreu danos significativos. O proprietário do imóvel esteve igualmente no local.

José Francisco Rolo revelou que os serviços de Ação Social do Município foram de imediato acionados e disponibilizaram apoio para o realojamento da família. No entanto, o casal e os dois filhos acabaram por ficar alojados em casa de conhecidos.

“O Município vai acompanhar a situação e prestar todo o apoio necessário”, garantiu o autarca.

Nas operações de socorro estiveram envolvidos os Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital, a GNR e a Proteção Civil Municipal.

In Rádio Boa Nova

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Autarquia reforça prevenção de incêndios em caminhos rurais e florestais

Garantir a segurança, a confiança e a tranquilidade de todos quantos vivem ou trabalham no concelho é uma prioridade permanente do Executivo Municipal. Neste âmbito, a prevenção assume-se como a forma mais eficaz de proteger pessoas, património e natureza. 

É com estes compromissos que o Município de Aveiro tem em curso duas intervenções estruturantes para reforçar a prevenção de incêndios rurais: a beneficiação da rede de caminhos rurais e florestais e a gestão das faixas de combustível junto à rede viária municipal. Estas intervenções integram a estratégia municipal de prevenção e defesa da floresta, contribuindo para reduzir o risco de incêndio, melhorar as condições de acesso aos espaços florestais e reforçar a capacidade de resposta dos meios de vigilância, socorro e combate em emergências.

O Presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Luís Souto de Miranda, e o Vereador com o pelouro da Proteção Civil, Diogo Soares Machado, acompanharam os trabalhos no terreno, sublinhando a importância de atuar antes de o risco surgir e de investir na prevenção como a forma mais eficaz de proteger pessoas, bens e património natural.

A beneficiação da rede de caminhos rurais e florestais teve início no passado dia 20 de julho e abrange cerca de 78 quilómetros nas freguesias de Eixo e Eirol (24,85 km), Oliveirinha (6,44 km) e União das Freguesias de Requeixo, Nossa Senhora de Fátima e Nariz (47,25 km). Dos cerca de 114 quilómetros que constituem esta rede no concelho, já foram intervencionados aproximadamente 30 quilómetros.

 A operação inclui trabalhos de limpeza, desmatação, beneficiação e reperfilamento dos caminhos, melhorando o acesso aos espaços florestais e as condições para ações de vigilância, fiscalização, prevenção e combate aos incêndios rurais. As intervenções facilitam ainda a circulação dos meios de socorro e a eventual evacuação das populações, caso seja necessário.

Para garantir uma resposta mais célere e eficaz, o Município reforçou a sua capacidade operacional através da contratação de uma entidade especializada neste tipo de intervenções e conhecedora do território, complementando os meios próprios da Câmara Municipal.

Em paralelo, decorrem desde 14 de julho os trabalhos de gestão das faixas de combustível nos terrenos confinantes com a rede viária municipal, abrangendo uma área total de 34 hectares nas freguesias de Eixo e Eirol, Oliveirinha e União das Freguesias de Requeixo, Nossa Senhora de Fátima e Nariz. 

Os trabalhos encontram-se concluídos em Eixo e Eirol e Oliveirinha, totalizando cerca de 18 hectares intervencionados, prosseguindo atualmente na União das Freguesias de Requeixo, Nossa Senhora de Fátima e Nariz.

Estas intervenções consistem na limpeza da vegetação numa faixa de 10 metros para cada um dos lados da rede viária municipal, reduzindo a carga combustível e contribuindo para limitar a propagação de incêndios rurais.

O Município de Aveiro apela ainda à colaboração de todos os cidadãos, através da adoção de comportamentos responsáveis e do cumprimento das orientações das autoridades de Proteção Civil, sobretudo durante o período de maior risco de incêndio rural.

In Terras de Aveiro

Ministro da Agricultura anuncia apoios para produtores afetados pelos incêndios em Valpaços

O ministro da Agricultura esteve em Valpaços, um dos territórios mais afetados pelos incêndios, e anunciou abertura de avisos para a reposição do potencial produtivo após os estragos em vinha, olival e amendoal causados pelo fogo que deflagrou na semana passada, atingindo 13,8 mil hectares

Depois de reunir com autarcas, produtores e associações do concelho de Valpaços, o ministro da Agricultura e Mar descreveu um incêndio de “enormes dimensões” que atingiu 10 mil hectares só neste concelho do distrito de Vila Real, estendendo-se a Mirandela e Vinhais (Bragança), num total de 13,8 hectares mil.

Em declarações à RTP, José Manuel Fernandes considerou que a agricultura se sacrificou "para evitar uma tragédia ainda maior", tendo funcionado como "tampão". "A agricultura é absolutamente essencial para evitar, inclusivamente, os riscos de incêndio", disse o ministro.

Nesse sentido, o Governo vai abrir um aviso no âmbito dos Fundos Europeus "para ajudarmos à reposição de potencial produtivo". Além de ter regras, explicou o ministro, "não é um processo muito rápido". Só prevê, por exemplo, apoios em áreas que tenham "prejuízos superiores a 30 por cento da respetiva área de exploração".  Esta reposição, adiantou, vai trazer "as vinhas velhas, os olivais centenários e há aqui um prejuízo efetivo".

José Manuel Fernandes falou antes aos jornalistas, junto a uma vinha queimada pelo fogo, na freguesia de Santa Valha. “No apoio que está nas mãos do ministro da Agricultura, nós avançaremos com avisos para a reposição de potencial produtivo. Tem normas, são apoiadas as explorações que tiveram um dano superior a 30 por cento. Infelizmente, há um grande número de explorações que tiveram muito mais do que 30 por cento”, afirmou José Manuel Fernandes.


“Nós tivemos aqui olival, vinha, como é neste caso, amendoal, que foram devastados. Até aos 10 mil euros é 100% e depois até aos 400 mil há uma redução, sendo que o mínimo de cofinanciamento é de 50%”, acrescentou o governante. Em curso está, segundo adiantou, a ser feito o levantamento dos prejuízos por parte da câmara municipal, o qual será, depois, enviado para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).


Só de vinha, segundo José Manuel Fernandes, terão sido atingidos cerca de 500 hectares neste concelho.
O ministro visitou hoje aldeias afetadas pelo incêndio que deflagrou terça-feira, na zona do Cabeço, Ervões, concelho de Valpaços e entrou nos concelhos de Mirandela, Vinhais e Macedo de Cavaleiros, já no distrito de Bragança.


O fogo entrou em resolução na madrugada de sábado, durante o fim de semana sofreu reativações, mas no domingo à noite foi dado como estando em conclusão. “A nossa presença aqui significa apoio, significa proximidade, mas também agradecimento a todos aqueles que fizeram um trabalho notável e eu estive com as pessoas onde foi realçado esse trabalho e essa coordenação”, salientou José Manuel Fernandes.

In Lusa

Portugal é o país da União Europeia com maior percentagem de área ardida até julho

Portugal é o país da União Europeia (UE) com maior percentagem de área ardida até ao mês passado. Para este resultado contribuíram principalmente os fogos de Vouzela e Valpaços.

Os dados do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) revelam que mais de 40% da área ardida é floresta, outros 40% são mato e 13% são terrenos agrícolas. Até 31 de julho tinham ardido 50.580 hectares, uma área 10 vezes superior à do Porto.

Quando comparados os dados da última década, só dois anos ultrapassaram esta fasquia: até ao final de julho de 2017, o pior ano, arderam 146 mil hectares e, no mesmo período de 2022, foram consumidos mais de 61 mil.

Se alargarmos a análise, em 2026 Portugal só tem menos território consumido por incêndios do que Espanha, França e Itália, no âmbito da União Europeia (UE).

No entanto, é o país com maior percentagem de território consumido pelas chamas, com uma área ardida que representa 0,55% de todo o país, incluindo as ilhas.

Dois incêndios contribuíram para o aumento desta catástrofe: o fogo de Vouzela queimou quase 13 mil hectares e o de Valpaços já dizimou, até agora, mais de 11 mil hectares.

In SIC Noticias

Médio Tejo reforça combate a incêndios com embarcação na albufeira de Castelo do Bode

 A Proteção Civil do Médio Tejo dispõe desde sábado de uma embarcação multiúsos dedicada ao socorro, salvamento e combate a incêndios em meio aquático na albufeira de Castelo do Bode, disse hoje o comandante sub-regional.

“Temos aqui uma dupla função. Pretende-se garantir capacidade de resposta em toda a albufeira de Castelo do Bode, desde Abrantes, Tomar e Ferreira do Zêzere, podendo ainda abranger outros municípios, quer para situações de emergência em meio aquático, quer para o combate a incêndios”, disse à Lusa o comandante David Lobato.

A embarcação multiúsos, que representou um investimento de cerca de 130 mil euros, entrou ao serviço no sábado, ficando afeta prioritariamente à albufeira de Castelo do Bode, embora possa ser mobilizada para outras missões na sub-região do Médio Tejo, distrito de Santarém.

O equipamento integra a estratégia da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo no âmbito da Proteção Civil e resulta da cooperação entre os municípios de Abrantes, Tomar e Ferreira do Zêzere, os respetivos corpos de bombeiros e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

Segundo David Lobato, a embarcação foi concebida para responder a ocorrências como afogamentos, colisões entre embarcações ou incêndios em barcos, dispondo igualmente de capacidade para apoiar o combate a incêndios rurais nas margens da albufeira.

“Este barco tem capacidade de fazer combate, de transportar bombeiros para atuar nas encostas da albufeira e ajudar a evitar situações que já aconteceram no passado, em que os incêndios passam de uma margem para a outra”, salientou.

A embarcação está equipada com uma bomba de alta capacidade e um monitor frontal que permite projetar água até cerca de 50 metros, utilizando como fonte de abastecimento a própria albufeira.

“Temos um manancial que nunca acaba. Podemos projetar um jato de água até 40 ou 50 metros e transportar mangueiras para que os bombeiros possam subir as encostas pelo lado do rio, algo que até agora não era possível”, explicou.

Além do combate direto às chamas, o novo meio pode transportar até 10 bombeiros para operações em zonas de difícil acesso ou resgatar igual número de vítimas em situações de emergência.

“Se houver necessidade de retirar pessoas de uma embarcação ou de outro local na albufeira”, é possível retirar “até 10 pessoas de cada vez”, reforçando significativamente a capacidade de socorro, indicou.

A embarcação, adiantou ainda, ficará empenhada diariamente durante a época balnear, assegurando patrulhamento preventivo na albufeira, podendo prolongar a operação para além do verão caso persistam condições de calor ou elevado risco de incêndio.

“Vai trabalhar sete dias por semana durante a época balnear e, se houver necessidade de prolongar esse período, nomeadamente por causa do calor ou do risco de incêndio, prolongaremos o seu empenhamento”, afirmou.

O comandante destacou também que este é o primeiro meio dedicado em permanência a este tipo de missões na albufeira, uma vez que anteriormente as corporações de bombeiros apenas colocavam embarcações na água quando eram acionadas para uma ocorrência específica.

“Não tínhamos esta capacidade de combate e passámos a tê-la agora. É mais um passo na modernização dos serviços de proteção civil da nossa região”, sublinhou.

A embarcação integra um conjunto de equipamentos adquiridos pela CIM no âmbito da Estratégia Intermunicipal de Proteção Civil, apresentada em setembro de 2025, num investimento global superior a quatro milhões de euros, cofinanciado pelo Programa Centro 2030.

O projeto contempla ainda 11 veículos de apoio operacional, seis módulos de combate a incêndios rurais, equipamentos de proteção individual, módulos especializados de busca e salvamento, sistemas de comunicações por satélite Starlink, ‘tablets’ e outro material destinado a reforçar a capacidade operacional dos corpos de bombeiros e dos serviços municipais de proteção civil.

In Agroportal

Universidade de Leiria e Oeste desenvolve sistema que vigia florestas para prevenir incêndios

Universidade de Leiria e Oeste desenvolve sistema de drones em parceria com a GNR, com vigilância florestal contínua e sem interrupções.

Investigadores da Universidade de Leiria e Oeste (ULO) desenvolveram um sistema autónomo de vigilância florestal capaz de funcionar de forma permanente, 24 horas por dia, sete dias por semana. O sistema combina drones autónomos, inteligência artificial e gémeos digitais para vigiar as áreas florestais de maior risco, recolhendo e analisando informação em tempo real.

A tecnologia assenta na aquisição de drones de última geração e de uma doca inteligente que permite aterragem, carregamento e nova descolagem automáticos. Enquanto um drone vigia a área florestal, outro fica na doca a recarregar, o que garante uma monitorização contínua e sem interrupções, dizem os investigadores responsáveis pelo projeto. Esta operação permite identificar potenciais focos de ignição e fornecer às autoridades informação de apoio à decisão, reforçando a prevenção e a deteção precoce de incêndios rurais.

O trabalho está a cargo do CIIC, Centro de Investigação em Informática e Comunicações, e decorre em colaboração com o Comando Territorial de Leiria da Guarda Nacional Republicana (GNR), tendo em vista a futura implementação operacional do sistema.

Um projeto que continua a evoluir

A tecnologia nasceu no âmbito do projeto DBoidS, Sistema de Gémeos Digitais e Boids para a Prevenção de Fogos, e continua a evoluir mais de um ano depois de ter terminado o financiamento atribuído pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

António Pereira, professor catedrático e investigador, recorda que a equipa sempre encarou o fim do projeto DBoidS como um começo. “Quando apresentámos os resultados do DBoidS, afirmámos que o fim do projeto seria um ponto de partida e não um ponto de chegada. Foi precisamente isso que aconteceu”, afirma. Segundo o investigador, o interesse do Comando Territorial de Leiria da GNR foi determinante para continuar o desenvolvimento da tecnologia e aproximá-la das necessidades de quem trabalha na proteção da floresta. “Hoje damos mais um passo importante, ao transformar uma tecnologia desenvolvida em contexto de investigação num sistema autónomo de vigilância permanente”, acrescenta.

A validação junto da GNR

A colaboração com a GNR tem permitido validar funcionalidades e introduzir melhorias que respondem às exigências operacionais da vigilância e da prevenção de incêndios rurais. Paulo Sousa, chefe da Secção do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) do Comando Territorial de Leiria, acompanha o projeto desde o início. “Reconhecemos o potencial desta tecnologia para complementar os meios atualmente disponíveis. Num território particularmente sensível ao risco de incêndio, soluções que permitam reforçar a vigilância permanente e a deteção precoce representam uma mais valia”, refere. Paulo Sousa espera que, assim que estiverem reunidas as condições necessárias, o sistema possa integrar os instrumentos de apoio à missão da GNR.

Nesta nova fase, os investigadores querem consolidar a robustez do sistema e aperfeiçoar diferentes componentes da plataforma, nomeadamente a interface de visualização e apoio à decisão. Em paralelo, prossegue o trabalho de validação operacional com o Comando Territorial de Leiria da GNR, de forma a preparar as condições necessárias para a futura implementação da tecnologia pelas autoridades competentes.

In 24 Noticias