sexta-feira, 15 de junho de 2018

Incêndios: Grupo de intervenção da GNR vai passar a estar disponível em todo o território continental e Madeira

O Ministério da Administração Interna assegura que todos os militares do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) da GNR dispõem, neste momento, do Equipamento de Proteção Individual completo e os meios disponíveis para o combate a incêndios foram reforçados com novas contratações e a aquisição de mais viaturas.
O Governo garante que está a reforçar os meios disponíveis para o combate a incêndios, com a contratação de novos militares e a aquisição de mais viaturas. O Ministério da Administração Interna indica que, pela primeira vez, o Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) da GNR vai estar em atuação em todo o território do continente e Madeira.
Num comunicado enviado às redações, o Ministério da Administração Interna indica que, na semana passada, o Tribunal de Contas aprovou os contratos de aquisição de mais 96 viaturas de combate a incêndios rurais, para o GIPS. Tratam-se de 80 viaturas ligeiras e 16 pesadas e devem ser entregues de forma gradual nas próximas semanas.
O Executivo socialista lembra que o GIPS já recebeu 8 novas viaturas de combate a incêndios, na segunda quinzena de maio. Além disso, a GNR foi reforçada com 600 novos elementos, 500 para o GIPS e 100 para o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA).
“Isto significa uma duplicação da sua capacidade em relação a anos anteriores”, indica o Ministério da Administração Interna, em comunicado. “Pela primeira vez o GIPS terá atuação em todo o território do Continente e na Madeira, quer no combate inicial, quer no combate ampliado a incêndios rurais”.
O Ministério da Administração Interna assegura ainda que todos os militares do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) da GNR dispõem, neste momento, do Equipamento de Proteção Individual completo.

In Jornal Económico

Reflorestação após incêndio de Pedrógão Grande avança devagar

Um ano após o incêndio de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, a reflorestação das áreas ardidas está a avançar devagar e vai ser um processo de anos, disse à agência Lusa Fernanda Rodrigues, da Associação Raiz Permanente.
“Tendo o incêndio sido em junho, fazer uma reflorestação logo na época seguinte, que seria outubro/novembro, seria uma precipitação, porque é necessário regenerar os solos, preparar o terreno e fazer proteções contra a erosão, que é essencial”, explicou a dirigente associativa.
Segundo Fernanda Rodrigues, só após a primavera deste ano é que começam a estar reunidas as condições certas para se começar a reflorestação em outubro/novembro.
“Não está nada fora de controlo, nem nos devemos precipitar, porque a reflorestação é para ser feita nos próximos 10/15/20 anos e temos de ser coerentes em relação a isso”, frisou.
Para a presidente da Associação Raiz Permanente, que nasceu após os incêndios de Pedrógão Grande para ajudar na reflorestação da bacia do rio Zêzere, “não era possível, nem fazia sentido, ver a floresta novamente toda a verde”.
“Estamos a fazer um planeamento sustentado e pensado junto dos nossos associados e conforme o terreno de cada um fazemos as nossas sugestões”, disse a dirigente, que aposta numa reflorestação de forma a criar uma “floresta alimentar”.
Fernanda Rodrigues diz que vai incentivar os proprietários florestais dos três concelhos mais atingidos, que são, neste momento, o principal foco, a plantar árvores fruteiras, desde o pinheiro manso, nogueiras e castanheiros até às oliveiras.
Desde os incêndios de junho de 2017 que, em Pedrógão Grande, já terão sido plantadas 10 mil árvores em diversas ações de voluntariado pelas contas do presidente da autarquia, Valdemar Alves.
“E temos outras 10 mil árvores em stock para plantar, que resultam de ações de solidariedade, mas estamos à espera que saia o projeto [de reflorestação] pedido pelo Governo para sabermos o que temos de plantar e onde”, disse o autarca.
A reflorestação “é uma preocupação que existe desde a primeira hora e quer-se arranjar aqui uma região piloto para o futuro da floresta em Portugal, com menos eucaliptos que, também, têm direito ao seu espaço”, sublinhou.
“Já estamos a fazer alguma coisa [na reflorestação], embora não seja à velocidade de que gostaríamos”, disse à agência Lusa o vereador da Câmara de Castanheira de Pera Nuno Tomás.
Em duas ações de voluntariado, envolvendo escuteiros e estudantes da Universidade de Coimbra, o município já reflorestou uma área municipal de cerca de oito hectares e, no âmbito das ações de estabilização de emergência dos solos, já foram plantados 40 hectares de sobreiro e medronheiro.
Segundo Nuno Tomás, as matas municipais de pinhal que foram afetadas pelas chamas é que “estão um pouco atrasadas, pois ainda se está a fazer autos de marca para efetuar o corte do material queimado e anda-se também a monitorizar as doenças das árvores que não ficaram danificadas”.
Em Figueiró dos Vinhos, o município avançou com a limpeza e reflorestação parcial da mata municipal, que perdeu dois hectares nos incêndios de há um ano.
Nessa área, segundo fonte do executivo, foram plantados mais de mil árvores, entre carvalhos, freixos e pinheiros bravos, por mais de 300 voluntários das escolas e instituições particulares de solidariedade social do concelho.
O incêndio que deflagrou em 17 de junho de 2017 no concelho de Pedrógão Grande e que alastrou a municípios vizinhos provocou 66 mortos e cerca de 250 feridos, destruiu meio milhar de casas e quase 50 empresas e devastou mais de 50 mil hectares de território, cerca de duas dezenas de milhares dos quais de floresta.
In Sapo24

Incêndios. Número de vítimas mortais dos fogos de outubro de 2017 sobe para 50

Oito meses depois dos incêndios de outubro morreu mais uma mulher que estava internada em Coimbra. São já 50 as vítimas mortais desta catástrofe.

Uma mulher vítima dos incêndios de outubro de 2017, que estava internada no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, morreu esta quinta-feira, elevando para 50 o número de mortos resultantes daqueles fogos, disseram à Lusa fonte autárquica e fonte hospitalar.

A mulher, que tinha ficado com grande parte do corpo com queimaduras, inclusive nas vias respiratórias, foi inicialmente transportada, aquando dos fogos, da zona de Oliveira do Hospital para o hospital de S. José, em Lisboa, e posteriormente transferida para Coimbra, onde acabou por morrer.
A Câmara de Oliveira do Hospital já aprovou, entretanto, um voto de pesar pelo falecimento da vítima, que era funcionária da União de Freguesias de Ervedal e Vila Franca da Beira, neste município do distrito de Coimbra.
Os incêndios de 2017 em Portugal provocaram pelo menos 116 vítimas mortais, entre as resultantes do fogo de Pedrógão Grande (distrito de Leiria), que deflagrou em 17 de junho, e os incêndios de outubro na região Centro.
Cinquenta pessoas morreram e cerca de 70 ficaram feridas na sequência dos incêndios de outubro de 2017 na região Centro, que também destruíram total ou parcialmente cerca de 1500 casas e mais de 500 empresas.
Das 50 vítimas mortais, 25 ocorreram no distrito de Coimbra (13 das quais no concelho de Oliveira do Hospital e as restantes 12 nos municípios de Arganil, Pampilhosa da Serra, Penacova e Tábua) e 17 em Viseu (Carregal do Sal, Mortágua, Nelas, Oliveira de Frades, Santa Comba Dão e Tondela).
Os restantes óbitos foram registados na autoestrada que liga Aveiro a Vilar Formoso (A25), nas zonas de Sever do Vouga (Aveiro) e de Pinhel (Guarda), e no concelho de Seia (Guarda).
No relatório que entregou em 20 de março na Assembleia da República, a comissão técnica independente que analisou os fogos de 15 e 16 outubro na região Centro atualizou para 48 o número de vítimas mortais (até então vinham a ser referenciadas 46), mas quatro dias depois morreu, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, uma mulher que ficou "gravemente ferida" depois de as chamas terem atingido a casa onde vivia, no município de Mortágua, elevando então para 49 o total de falecimentos na sequência daqueles incêndios.
Com a morte registada esta quinta-feira, eleva-se para 50 o número de mortos.
Em 17 de junho de 2017, as chamas que deflagraram no município de Pedrógão Grande, no interior do distrito de Leiria, e que alastraram a concelhos vizinhos, fizeram 66 mortos e 253 feridos, atingiram cerca de meio milhar de casas e quase 50 empresas, e devastaram 53 mil hectares de território, 20 mil dos quais de floresta.
In Expresso

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Escola de Coimbra envolvida em estudos sobre saúde das populações após os incêndios

A Escola Superior de Saúde de Coimbra está a participar num estudo que pretende perceber o estado de saúde das populações afetadas pelos incêndios de 2017.
A Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeSC) juntou-se à Administração Regional de Saúde do Centro e ao Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge no estudo sobre a saúde das populações atingidas pelos incêndios de 2017.
Uma nota de imprensa da ESTeSC enviada esta quarta-feira à agência Lusa especifica que o grupo desta instituição de ensino integra 41 elementos entre estudantes, docentes e não docentes e que o estudo engloba praticamente 30 concelhos.
“O protocolo de cooperação, assinado em fevereiro, prevê a colaboração de estudantes, docentes e não docentes da ESTeSC em dois projetos distintos: um estudo nos concelhos de Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande; e outro a envolver 26 concelhos da região Centro. O projeto, coordenado pela Professora Cristina Santos, do Departamento de Saúde Ambiental da ESTeSC, abrange a participação de 41 elementos da ESTeSC”, lê-se na nota de imprensa.
Os grandes incêndios de 2017, o primeiro em Pedrógão Grande, em junho, e o segundo em grande parte da região Centro, em outubro, provocaram a morte a 115 pessoas, além de centenas de feridos, e a destruição de milhares de casas, empresas e de uma vasta área florestal.
“No primeiro estudo serão avaliados os efeitos a longo prazo dos incêndios na saúde de 330 indivíduos, previamente identificados. O programa prevê a aplicação de um inquérito (onde, entre outros, serão registados aspetos como o estado de saúde física/mental, a capacidade respiratória, os hábitos tabágicos e alimentares, e a preparação para emergências), a realização de provas respiratórias e de uma radiografia ao tórax. Esta avaliação será realizada em duas fases: a primeira em março/abril de 2018 e a segunda em outubro/novembro 2019”, sintetiza ainda a escola.
O segundo, ainda de acordo com a mesma informação, “pretende conhecer as opiniões e necessidades das populações na área da saúde mental”.
“Ao longo de duas semanas, serão realizados inquéritos a 75 indivíduos, residentes nos concelhos de Arganil, Castanheira de Pera, Carregal do Sal, Figueiró dos Vinhos, Góis, Gouveia, Lousã, Marinha Grande, Mira, Mortágua, Nelas, Oleiros, Oliveira de Frades, Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra, Penacova, Penela, Santa Comba Dão, Seia, Sertã, Tábua, Tondela, Vagos, Vila Nova de Poiares e Vouzela”, explica aquela informação.
A realização destes dois estudos por parte da Administração Regional de Saúde e do Instituto Nacional de Saúde decorre de uma resolução do Conselho de Ministros, em julho de 2017, que determinou a implementação de um plano estratégico de saúde pública para avaliar os efeitos dos incêndios na população.
O objetivo passa por adquirir conhecimentos que auxiliem a tomada de decisões em saúde, bem como minimizar os riscos de exposição das populações vulneráveis. “Para a ESTeSC, assume particular relevância a participação de docentes, não docentes e gabinete de apoio ao estudante na valência de psicologia neste estudo, enquadrado nas várias valências do ensino em saúde exercidas”, conclui a nota de imprensa.
In Observador

Empresa dos ‘Kamov’ notificada a pagar 4 milhões de euros por incumprimento

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, anunciou hoje que a empresa que faz a manutenção dos helicópteros Kamov' foi notificada para pagamento de quase quatro milhões de euros por incumprimento.
"A empresa responsável pela manutenção dos ‘Kamov' está neste momento notificada para pagamento de penalidades por incumprimentos em 2017 e 2018 que ascendem a perto de quatro milhões de euros. É essa a dimensão do incumprimento contratual que tem sido reiteradamente assumido", revelou Eduardo Cabrita no parlamento.
Numa interpelação ao Governo do CDS sobre a "preparação da próxima época de incêndios", o responsável da pasta da Administração Interna acrescentou que "no passado dia 29, a Autoridade Nacional de Aviação Civil informou a empresa em causa que não estava em condições de cumprir as obrigações contratuais relativamente à manutenção dessas aeronaves".
"É neste quadro que estamos a ponderar todas as soluções na defesa daquilo que é o interesse público e não a preocupação com qualquer prioridade a questões de natureza privada", acrescentou.
Eduardo Cabrita tinha sido questionado sobre a situação dos ‘Kamov' pelo deputado do PCP Jorge Machado, pela deputada do BE Sandra Cunha e pelo deputado de "Os Verdes" José Luís Ferreira, mas a questão tinha sido também colocada na intervenção inicial do deputado do CDS Telmo Correia.
In Sapo24

Proteção Civil diz que estão a ser criadas condições para que não se repita 2017

O presidente da Proteção Civil, Mourato Nunes, disse hoje que estão a ser criadas condições para que a tragédia dos incêndios de 2017 não se repita, mas que também é necessário que cada um se proteja.
"Está-se a trabalhar para criar condições para que situações destas [como os incêndios de 2017] não se repitam”, afirmou hoje, em Coimbra, o presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), tenente-general Carlos Manuel Mourato Nunes, sublinhando que não se trata “apenas de uma promessa”.
Mas isso não dispensa a necessidade de que “cada pessoa seja um agente de proteção civil” e se criem “condições para que cada cidadão se proteja tanto quanto possível”, alertou, Mourato Nunes, que falava hoje, ao final da tarde, em Coimbra, na sessão de encerramento do Encontro de Reflexão sobre os Incêndios Florestais, promovido pelo Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais (CEIF) da Universidade de Coimbra (UC).
A defesa de pessoas e bens é uma “preocupação constante da Proteção Civil, mas tem que ser assumida por todos, cada um à sua medida”, sintetizou Mourato Nunes, referindo que a ANPC está “a tentar consciencializar as pessoas para o risco” e aquilo que “devem proteger”.
Sem “acusar ninguém” e sublinhando que se trata de “responsabilidades de todos”, Mourato Nunes apontou a inexistência de cadastro das propriedades rurais (instrumento que é “decisivo” para os ordenamentos do território e florestal, mas que foi “sistematicamente adiado”, e de planos de proteção de zonas industriais ou o recurso a materiais inflamáveis, designadamente nas coberturas de edifícios industriais, como fatores adversos para a proteção da floresta e de bens.
Este operacional salientou que “está a ser feito um trabalho importante”, designadamente por responsáveis e por proprietários, no sentido de evitar a repetição da tragédia do ano passado.
“O nosso maior problema é o ordenamento florestal (andamos 30 anos a fazer o ordenamento urbano e esquecemos o resto)”, defendeu o presidente da Câmara de Pombal, Diogo Mateus, salientando que os próprios planos diretores municipais contribuíram para essa situação e para “promoverem o abandono de espaços rurais, convencido de que isso era uma coisa boa”.
“Temo de inverter o elevado número de ignições” e de promover a consciencialização do risco, sustentou, por outro lado, o tenente-coronel Joaquim Delgado, comandante do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR.
“Não podemos continuar a ter práticas de risco para nós e para os outros”, alertou o responsável do SEPNA, recordando que no dia 16 de outubro de 2017 (poucas horas depois de terem deflagrado os incêndios que provocaram 49 mortes e a atingiram mais de 200 mil hectares de território), foram levantados “60 autos de contraordenação” porqueimadas.
Antes, Domingos Xavier Viegas, diretor do CEIF e investigador da Associação para o Desenvolvimento da Aerodinâmica Industrial (ADAI) da UC, apresentou alguns “resultados preliminares do encontro”, que foi promovido, com o apoio da UC, na sequência de um desafio lançado, nesse sentido, pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Na reunião participaram mais de quatro dezenas de representantes de entidades envolvidas na gestão dos incêndios florestais, desde operacionais e autarcas a cientistas e empresários ou produtores florestais, disse Xavier Viegas, adiantando que as conclusões do encontro serão tornadas públicas depois de serem entregues ao Presidente da Republica.
In Sapo24

Incêndios. A rede SIRESP esteve indisponível durante nove mil horas em 2017

A rede que serve de sistema único de comunicação entre as forças e serviços de segurança e emergência falhou durante nove mil horas, em 2017, o ano em que se verificou a maior área ardida em Portugal.


O ministro da Administração Interna adiantou esta quarta-feira no parlamento que o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) esteve indisponível nove mil horas em 2017.
O SIRESP é uma rede de comunicações de emergência e segurança, com mensagens encriptadas. “O SIRESP é um sistema único, baseado numa só infra-estrutura, nacional, partilhado, que assegura a satisfação das necessidades de comunicações das forças e serviços de emergência e de segurança, satisfazendo a intercomunicação e a inter-operabilidade entre aquelas forças e serviços e, em caso de emergência, permite a centralização do comando e da coordenação”, lê-se no site.

“O levantamento que foi feito aponta para nove mil horas de indisponibilidade da rede SIRESP em 2017, e daí tiremos sem demagogias as responsabilidades necessárias”, disse Eduardo Cabrita, durante a interpelação do CDS ao Governo sobre a “preparação da próxima época de incêndios”.

O ministro deu conta de que estão a ser instaladas 451 antenas nas áreas consideradas de maior risco de incêndio, tendo sido já adquiridas as unidades móveis que vão integrar o SIRESP.

In Observador

Eduardo Cabrita anuncia fim da época de incêndios

O ministro da Administração Interna anunciou que este ano não haverá diferenciação temporal na prevenção e combate aos incêndios.
"Só o CDS e o PSD é que ainda falam em época de incêndios", disse Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna no debate pedido pelo CDS sobre a "preparação da próxima época de incêndios". "Acabou. Os incêndios e a segurança são uma prioridade todo o ano", garantiu o ministro.
Eduardo Cabrita garantiu ainda que estão disponíveis "meios como nunca existiram", referindo-se a "helicópteros, aviões pesados" que estarão "disponíveis todo o ano".
No entanto o ministro não respondeu às questões de Telmo Correia, do CDS, e Duarte Marques, do PSD, que queriam saber concretamente quantos meios estão disponíveis para evitar que as tragédias do ano passado se repitam. "Não respondeu às perguntas, isso é que é desespero", ouve-se da bancada do PSD no final da intervenção de Cabrita.
Telmo Correia quis mesmo saber o que vai fazer o ministro em relação ao concurso dos meios aéreos e para quando vai a Força Aérea tomar assumir as novas funções no combate aos incêndios. Duarte Marques acusou o governo de fazer "propaganda, que apesar de "muito estar planeado" parece que o governo está "ainda mais atrasado do que o ano passado".
Eduardo Cabrita aproveitou ainda o debate para avançar que vão estar disponíveis "79 novas equipas profissionais de bombeiros", num total de "1300 bombeiros profissionais apoiados pelo Estado" e "300 equipas profissionais de bombeiros até ao final do ano". "Nós não esperamos pelo verão, foi em fevereiro que 600 mulheres e homens" da GNR começaram a formação para integrarem as equipas do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS).
Em relação às comunicações, Cabrita garantiu que até maio estariam prontas as antenas que garantirão a redundância das comunicações. "Estamos a fazer o que em décadas não foi feito", acrescentou o ministro.
In Jornal I

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Porta a porta contra os incêndios

O Serviço Municipal de Proteção Civil faz o levantamento de locais isolados para eventual evacuação em caso de incêndios e sensibiliza a população para limpar o mato à volta das casas.


A Proteção Civil de Silves, a GNR e os Sapadores Florestais são recebidos por um enorme cão que se encontra por trás de um portão fechado. A equipa anda a contactar a população isolada no meio rural e a fazer sensibilização para a prevenção dos incêndios florestais.
Da chaminé sai fumo e está gente em casa, por isso insistem mais uma vez. 

Nelson Correia, comandante operacional da Proteção Civil Municipal de Silves lembra que já não é a primeira vez que ali vão. A habitação está rodeada de mato e está longe de seguir a lei que exige a manutenção de uma faixa de limpeza de 50 metros à volta das casas. Além disso, fica situada numa zona de difícil acesso em que será complicada a evacuação dos habitantes em caso de incêndio.

Na serra de Silves há muitos idosos, alguns estrangeiros e casas em que os proprietários raramente aparecem. Ricardo Cabrita e André Folgado, Sapadores Florestais, andam todos os dias no terreno - quer a abrir faixas para retardar a progressão dos incêndios, quer a contactar a população para fazer antecipadamente a prevenção dos fogos. Para esta população, seguir os conselhos da Proteção Civil e GNR não é tarefa fácil. "Encontramos muitas pessoas idosas e, além disso, muitos têm reformas de 250/300 euros e não têm hipótese de fazer essa limpeza".

Noutro local, outro estrangeiro, um belga. Queixa-se do frio a que não está habituado em Portugal. Garante que tem limpado tudo. "Os pinheiros à volta da casa também vamos cortar porque é perigoso", afiança. Silves tem uma enorme área, é o sexto maior concelho do País, com aglomerados muito dispersos. Essa é uma das dificuldades apontadas pelo comandante Nelson Correia. "Em área florestal tem mais de 350 quilómetros quadrados, zona onde temos que fazer esta sensibilização".

A equipa segue viagem e mais à frente, no sítio do Zebro, nova paragem. O casal de moradores, Maria Virtuosa e Ramiro, estranham a data limite de 15 de março para limpar o mato. Então e a seguir, se o mato crescer até ao verão? O agente da GNR explica que depois terão que fazer a manutenção.

A equipa já vai de saída para seguir o seu percurso para mais uma ação de sensibilização. Os idosos, gente humilde mas generosa, ainda gostavam de oferecer aquecimento para o caminho. "Não querem um medronho?", pergunta Ramiro. Toda a equipa recusa. Ali todos estão em serviço e precisam de continuar caminho.

In TSF

Governo reitera que meta de 15 de março para limpar terrenos é para cumprir

O secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves, afirmou o prazo de 15 de março para limpar terrenos na prevenção dos fogos florestais "é alcançável e para cumprir" e as contraordenações não serão perdoadas.

O governante falava em Macedo de Cavaleiros, no distrito de Bragança, salientando que "é uma meta gigantesca, ciclópica, de muito trabalho", mas está ao alcance.

"Depende da nossa determinação, da capacidade de cada um em se consciencializar que os tempos que correm obrigam a essa determinação, é uma medida de emergência, foram muitos anos de displicência", defendeu.

Em causa está a obrigação de limpeza de 50 metros à volta das casas isoladas, 100 metros à volta das aldeias e 100 metros à volta dos polígonos industriais, com o Governo a estipular um prazo até 15 de março para esse trabalho ser feito.

"O que a severidade dos incêndios e as suas consequências têm trazido até nós obriga-nos a esta emergência e todos os proprietários, estejam eles onde estiverem, tem de se mobilizar para de facto executarem essa tarefa", vincou.

O secretário de Estado reiterou que "é uma obrigação dos proprietários e se não o fizerem as forças de segurança, que já estão no terreno a sensibilizar, vão naturalmente aplicar as contraordenações porque não são perdoadas".

Segundo disse, ao Governo têm chegado "imensos exemplos de que esse trabalho está a ser feito no terreno".

"Ainda hoje vi aqui um excelente exemplo com máquinas de rastro a fazer esse trabalho, com programas de sapadores e outras forças a fazer esse trabalho. Muitos municípios dão-me nota do trabalho que estão a fazer", afirmou.

O governante acrescentou que "é um esforço que compete, em primeiro lugar aos proprietários e a todos os autarcas, todas as estruturas de Proteção Civil regionais, que estão-se a mobilizar para esta causa".

Daí também, segundo o secretário de Estado, "a necessidade de se profissionalizar as estruturas de bombeiros em todos os concelhos" com equipas de prevenção permanente, constituídas por cinco elementos profissionais, como a que foi anunciada esta sexta-feira para a Macedo de Cavaleiros.

A nível nacional, existem "próximo de duzentas" equipas destas e é meta do Governo criar mais 40 em outros tantos concelhos este ano e dotar todos os municípios do país até 2020.

Questionado pelo ponto da situação do plano de intervenção para o Túnel do Marão, em Trás-os-Montes, na sequência de acidentes e dos inquéritos que apontaram falhas à segurança, o governante disse que "as coisas estão a correr e os presidentes de Câmara da região vão ter a comunicação e a informação no momento certo".

"Neste momento, o trabalho é da Autoridade da Proteção Civil e das Infraestruturas de Portugal", indicou.

In Jornal de Noticias

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Voluntários começam reflorestação com 5.000 árvores em Arganil

Mais de 5.000 árvores serão plantadas na Serra do Açor, concelho de Arganil, na quinta-feira, numa ação solidária de reflorestação que envolve 500 voluntários de vários pontos do país.
Trata-se de uma iniciativa da empresa Galp, em parceria com a Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente (ANEFA), que visa “contribuir diretamente para a recuperação das zonas afetadas pelos incêndios, mas também dar a possibilidade a toda a população portuguesa de se associar ao movimento ao longo dos próximos meses”.
Nos espaços queimados pelos incêndios deste ano, em Cepos, lugar com pouco mais de 130 habitantes que integra a União das Freguesias de Cepos e Teixeira, centenas de colaboradores, parceiros, fornecedores e clientes da ANEFA e da Galp realizarão os trabalhos de plantação das 5.000 árvores, de um total de meio milhão de unidades doadas por esta empresa de energia.
“A Serra do Açor verá esta semana os seus primeiros sete hectares a reflorescer na zona que foi devastada pelos incêndios no último verão”, referem os promotores em comunicado, indicando que a iniciativa avança no âmbito do movimento Terra de Esperança, que nasceu “para responder à necessidade urgente de reflorestar” os territórios devastados pelos fogos dos últimos meses.
Além de ter pago os 500 mil pés de espécies autóctones, designadamente carvalhos, castanheiros e outras, destinadas a vários municípios da região Centro, a Galp financiou “uma plataforma que permitirá à ANEFA dar uma nova dinâmica a ações de voluntariado que ajudem as zonas que arderam nos dois últimos anos a virarem a página”, adiantam.
O movimento Terra de Esperança “está aberto a todos os que queiram participar” nos trabalhos que decorrerão nos próximos meses, segundo a nota.
Na ação de quinta-feira, entre as 10:30 e as 16:00, colaboram a GNR e os Bombeiros Voluntários de Arganil, entre outras entidades.
Além daquele projeto multimunicipal, a Galp, através da fundação com o seu nome e com a participação dos seus distribuidores locais, está a desenvolver outra iniciativa com os municípios de Arganil, Carregal do Sal, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Nelas, Oliveira de Frades, Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Penacova, Pinhel, Santa Comba Dão, Seia, Tábua, Tondela, Sever do Vouga e Vouzela.
O objetivo é colocar uma árvore de Natal nas praças destas vilas e cidades, “homenageando de forma simbólica todas as vítimas deste verão e levando uma luz de esperança”, na época festiva, às comunidades mais atingidas pelos fogos deste ano.
In Sapo24

O drama dos incêndios em Portugal numa só imagem

O prestigiado site nacional de fotografia Olhares destaca esta semana uma fotografia que espelha bem a situação dramática que o País com os incêndios.

Duas crianças observam o denso fumo que se eleva no ar, resultado do incêndio que lavrava, a 13 de agosto em Cicouro, Miranda do Douro, enquanto um helicóptero sobrevoa o local. É esta a imagem que o site Olhares destaca como "Foto da Semana" e que está a merecer dezenas de comentários e partilhas nas redes sociais.

In Visão

Bruxelas apresenta 5.ª feira propostas para reforçar proteção civil europeia

A Comissão Europeia vai apresentar na quinta-feira propostas para reforçar o mecanismo europeu de proteção civil, uma vontade expressa do presidente do executivo comunitário, Jean-Claude Juncker, na sequência dos devastadores incêndios florestais deste ano em Portugal.
Há um mês, pouco depois daquele que foi considerado o pior dia de incêndios florestais do ano em Portugal (15 de outubro, quando centenas de fogos causaram perto de meia centena de vítimas mortais), Juncker defendeu que "não é normal" o tempo que o país teve de esperar por assistência para combater os fogos e anunciou que encarregou uma "task force" de comissários de refletir, no prazo de um mês, "na remodelação e numa nova articulação dos mecanismos europeus de proteção civil, que não estão a funcionar a cem por cento".
Em entrevista à Lusa no final de outubro, considerou fundamental melhorar a resposta coletiva europeia a catástrofes -- o que pode eventualmente incluir a criação de uma força europeia permanente de proteção civil - afirmando que "após os trágicos incêndios florestais em Portugal, as coisas não podem continuar como estavam".
"A resposta solidária da UE a situações de necessidade tem de ser melhor, mais robusta e mais célere. Encarreguei o meu comissário para a Proteção Civil, Christos Stylianides, de apresentar propostas concretas durante o próximo mês. Ele vai trabalhar de perto com a comissária Corina Cretu, que tem a seu cargo a Política de Coesão e o Fundo de Solidariedade da UE, para fazer uma análise do conjunto total das nossas ferramentas da UE e como podem ser melhoradas", disse então.
O porta-voz da Comissão, Margaritis Schinas, indicou hoje na conferência de imprensa diária do executivo comunitário que "o colégio, após o apelo que o presidente Juncker fez há um mês, vai adotar, por iniciativa do comissário Stylianides, propostas para reforçar mecanismo europeu de proteção civil".
O porta-voz precisou que as propostas serão discutidas na reunião semanal do colégio de comissários que se realizará na quarta-feira, mas aprovada de seguida por procedimento escrito, para serem apresentadas na quinta-feira pelo comissário da Ajuda Humanitária e Gestão de Crises.
As situações mais graves de incêndios em Portugal este ano ocorreram em junho, em Pedrógão Grande - quando um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos -, e a 15 de outubro passado, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, que provocaram 45 mortos e cerca de 70 feridos, perto de uma dezena dos quais graves.
Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.
In Lusa/Fim

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Incêndios: Proteção Civil registou no sábado cem fogos de pequena dimensão

A mesma fonte adiantou que, entre as 00h00 e as 19h00 de sábado, registaram-se cem ocorrências de fogo em povoamentos florestais, matos e agrícolas, mas nenhum dos incêndios atingiu “os critérios de notificação relevante”.
A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) registou este sábado cem incêndios florestais de pequena dimensão, disse à agência Lusa fonte da ANPC.
A mesma fonte adiantou que, entre as 00h00 e as 19h00 de sábado, registaram-se cem ocorrências de fogo em povoamentos florestais, matos e agrícolas, mas nenhum dos incêndios atingiu “os critérios de notificação relevante”.
Segundo a ANPC, nenhum dos cem incêndios durou mais de três horas ou envolveu mais de 15 meios, critérios para que um fogo seja considerado “ocorrência importante”.
A mesma fonte disse também que se realizaram no sábado queimadas no país que já estavam autorizadas pelas câmaras municipais e foram acompanhadas pelas forças de segurança e bombeiros locais.
Estas queimadas foram autorizadas antes de ter sido prorrogado, na sexta-feira, o período crítico de incêndios florestais, que prevê a proibição de lançar foguetes e fazer queimadas e fogueiras nos espaços florestais, interdição que se prolonga até 23 de novembro.
A fonte da Proteção Civil precisou ainda que os cem incêndios que sábado deflagraram não incluem as queimadas.
O Governo voltou a prorrogar o período crítico de incêndio devido à provável ausência de precipitação significativa.
Na sexta-feira, o Ministério da Administração Interna (MAI) alertou a população para que adeque, até segunda-feira, os seus comportamentos ao risco de incêndio previsto para os próximos três dias.
Segundo o MAI, estão “reunidas condições favoráveis à propagação de incêndios rurais”, tendo em conta o tempo seco e a subida de temperatura para valores acima da média para esta época do ano.

In Jornal Económico

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O vídeo que nunca pensei fazer - Adriana Simões

O vídeo que nunca pensei fazer


Este vídeo é muito especial para mim. É sobre um acontecimento que me marcou muito, que torna cada dia meu, agora, muito difícil e que, sem dúvida, tinha de ser eternizado aqui, no Youtube, na internet.

 Esta é uma homenagem ao meu PAI, e de certo modo ao meu TIO também... Apesar de não falar tanto dele no vídeo. Esta é parte da história do dia 15 de Outubro de 2017. Este é parte do texto que escrevi sobre este dia. É parte dos relatos que estão no meu caderninho de escrita.

É parte daquilo que eu senti sobre o que aconteceu. Não quis entrar em pormenores, não quis contar tudo o que aconteceu neste dia - em respeito a ELES, à minha família, a mim, e a esta história que tem tanto de trágica como de pessoal. Quis dar-vos a conhecer esta perda, quis homenagear o meu pai publicamente mas tentei fazê-lo de forma não explícita pois a história guardo-a para nós.

 E é bem longa. Foram horas imensas de sofrimento até sabermos da tragédia. Faz hoje um mês. Obrigada por tudo PAI. Obrigada por tudo TIO. Amo-vos! Até já ♡ 15 Outubro de 2017 ✝

Autor: Adriana Simões

Nove unidades móveis vão percorrer 708 aldeias e lugares afetados pelos incêndios

Nove unidades móveis vão percorrer 708 aldeias e lugares da região Centro afetados pelos incêndios para sinalização das necessidades das famílias e esclarecimento dos cidadãos, agricultores e empresários, anunciou hoje o Governo.
A primeira unidade móvel arrancou hoje em Arganil, distrito de Coimbra, indo de porta a porta na aldeia de Vale de Moinho para esclarecer a população e sinalizar situações de necessidade social ou médica.

Na sexta-feira, começam também a funcionar unidades no distrito de Viseu e da Guarda, e, na próxima semana, estarão todas as nove unidades a funcionar, disse a secretária de Estado da Segurança Social, Cláudia Joaquim, que falava aos jornalistas antes de acompanhar o início dos trabalhos da unidade móvel, em Arganil.

Além de Coimbra, Viseu e Guarda, a iniciativa abrange também concelhos dos distritos de Aveiro e Leiria.

As nove unidades, que vão contar com técnicos da Segurança Social, Notariado e Direção Regional de Agricultura, vão percorrer 18 concelhos em cinco dos 11 distritos afetados pelos fogos de 15 de outubro, acrescentou, sublinhando que poderá haver ajustes nos municípios abrangidos por esta medida "ao longo do tempo".

O Governo, explanou Cláudia Joaquim, optou por dividir o plano de intervenção em três níveis.
No primeiro nível, 18 concelhos terão unidades móveis que vão "porta a porta" pelas aldeias a sinalizar e esclarecer as populações.


Para além dos reforços de atendimento e deslocações porta a porta dos técnicos, vai estar disponível a partir de segunda-feira "uma linha telefónica específica" para cada distrito "para contacto direto e sinalização imediata".

Segundo Cláudia Joaquim, esta medida - implementada com uma lógica semelhante àquela que foi adotada após os incêndios de Pedrógão Grande - permite identificar as famílias que tenham sido mais afetadas, perceber os bens que perderam e as necessidades que têm, por forma a fazer-se um acompanhamento das pessoas e a estabelecer-se um plano de apoio.

As unidades, para além de esclarecerem as famílias sobre as prestações ou apoios sociais a que têm direito, vão também prestar informação sobre as ajudas disponíveis às empresas afetadas e agricultores, bem como tirar dúvidas sobre veículos ardidos ou emissão de certidões.

Na aldeia de Vale de Moinho, Maria América Carvalho, de 73 anos, ouviu a explicação da equipa da Segurança Social, depois de falar do que tinha perdido no incêndio.

"Muita força", pediu a vogal do Instituto de Segurança Social, Sofia Pereira. "É pouca", respondeu Maria América, cujo marido tinha ainda dificuldade em falar com os técnicos, no terraço da casa que ficou queimada.

António Martins, também habitante da aldeia, contou à agência Lusa que aproveitou para "tirar uns apontamentos" e esclarecer algumas dúvidas.

Tinham-lhe dito antes que não poderia ter apoio para o trator, mas os técnicos da unidade móvel esclareceram-lhe que afinal podia.

"Já é uma ajuda", notou, sublinhando, porém, que ainda é tudo "muito confuso".
A idade pesa e as pessoas sentem-se "desamparadas", disse à Lusa António Martins.
Alice Santos, que olha para a casa destruída onde "nem uma agulha ficou", dorme todos os dias na casa de uma prima, mas durante o dia vai para um pátio, onde almoça e faz a sua vida.

"Ainda ninguém nos disse nada, mas espero que nos deem alguma coisinha", frisa Alice, de 73 anos, frisando que tem valido a ajuda de desconhecidos, amigos, vizinhos e familiares.

In Sapo24

Um mês depois do fogo. "Perdemos tudo e ainda acham que não estamos a falar a verdade"

Há quem espere apoios e quem veja o Governo duvidar das contas que fizeram aos prejuízos. Um mês depois da tragédia de 15 de Outubro, retratos de Seia, Gouveia, Tondela e Oliveira do Hospital.
No concelho de Seia, no distrito da Guarda, 130 habitações, 76 delas de primeira habitação, foram atingidas pelo fogo de 15 de Outubro. Na freguesia de Vide, em Malhada das Cilhas, encontrámos Cacilda Brito, 83 anos. Teve o fogo à porta de casa, obrigou-a a sair para Loriga. Lembra-se de um casal, que voltou para trás para ir buscar roupa para dois filhos menores. Nunca chegaram a porto seguro: morreram na estrada apanhados pelo fogo.
Cacilda refere-se a António Bailão, 47 anos, e Raquel Bicho, 32 anos, que viviam na aldeia do Cide, em Vide. Naquele domingo foram surpreendidos pelo fogo, que avançou rápido demais. Saíram de casa e já estavam em segurança na Barriosa, juntamente com os dois filhos menores, um menino de dois anos e uma menina de nove. Mas voltaram para trás.
É na estrada que liga a Cide, pequena povoação com cerca de 50 pessoas, que encontramos Armando Bailão, 50 anos, irmão e cunhado do casal que perdeu a vida na estrada. Um mês depois, Armando e a esposa Maria da Conceição, 58 anos, depositam flores e colocam uma vela eléctrica nos locais da tragédia.
“Estamos a colocar uma cruz e umas flores para identificar… Aqui ficou o meu irmão, tentou fugir, mas não conseguiu, talvez tenha rebentado um pneu. E ali a minha cunhada, dentro da carrinha. Revolto-me com isto e não sei o que pode acontecer”, desabafa. “Os meus sobrinhos só chamam pela mãe e pelo pai. Perdemos tudo, parece que não temos nada em casa.”
“Valia mais terem ardido as casas e eles que escapassem. A casa torna-se a construir, mas a vida de uma pessoa não dá para voltar atrás”, conclui Maria da Conceição.
Gouveia. Viver num contentor
A meia centena de quilómetros, encontramos uma casa destruída em Vinhó, Gouveia, no distrito de Guarda. Um casal de pastores perdeu a moradia e o abrigo dos animais.
No concelho de Gouveia, 16 casas de primeira habitação foram completamente destruídas pelo fogo. Um mês depois, apesar de já terem sido realojados, o pastor Abel Pimenta recusa abandonar a quinta onde sempre viveu. Vive num contentor frente à casa.
“Durmo aqui e como aqui porque vivi aqui a minha vida e o que está aqui fui eu que fiz com um empréstimo que me custou muito a pagar. Com ou sem ajuda, pretendo reconstruir isto. Eles falam, mas ainda não vi nada de concreto”, critica Abel Pimenta, 54 anos.
A mulher e a filha vivem numa casa emprestada pelo presidente da Junta de Vinhó. “Mas não é nossa, queremos a nossa casa de volta”, afirma a esposa do pastor, Fernanda Pimenta, de 53 anos. “Se vir que nos desprezam, como noutros casos que já vimos, fecho a porteira e vou para a Suíça”, anuncia Abel.
Já comunicaram ao Ministério da Agricultura os prejuízos que tiveram, mas “há quem duvide. É ver para crer. Veja o chão estalado, já caiu o telhado, era isto que gostava que vissem de perto e quem cá vem não analisa de perto”, diz.
Ali à frente havia um pinhal, “onde tinha 400 pinheiros”. Também havia um barracão de trabalho, garante. Os serviços locais do Ministério da Agricultura duvidaram: dizem que ali só deveria haver uns 40 pinheiros e um telheiro em vez do barracão. “Perdemos tudo e ainda acham que não estamos a falar a verdade. Já estou um pouco com a idade avançada para levantar a cabeça, mas, se Deus me ajudar, quero ver se ainda consigo.”
Tondela. Empresas “de primeira” e “de segunda”
Os prejuízos causados pelo incêndio do 15 de Outubro no concelho de Tondela, no distrito de Viseu, rondarão os 30 milhões de euros, 150 casas de primeira habitação consumidas pelas chamas e 40 empresas destruídas.
Vítor Mota, 56 anos, não consegue esquecer aquele som “tão grave, ensurdecedor”, o som de quando “estremece tudo”. A recordação perturba-o. Perdeu quase tudo de uma grande empresa exportadora de madeira para Espanha. “Tenho 500 mil euros de prejuízo neste parque, mas em toda a empresa são aproximadamente 900 mil euros. São cerca de 30 camiões que estão reduzidos a meia-dúzia.”
As plataformas em Tondela e Mortágua e mais de 10 mil toneladas de madeira ficaram transformadas em cinza. Vítor Mota não entende os papéis que lhe mostram que está fora dos apoios anunciados. “Saiu o regulamento dos programas de apoio e chego à conclusão que a nossa empresa, por ser de exploração florestal, não está contemplada em nenhum destes programas. Pergunto porquê. Perante as mesmas dificuldades, há empresas que podem aceder aos apoios e outras não. Então, há empresas de primeira e outras de segunda”, contesta.
O empresário de Tondela continua sem ver luz ao fundo do túnel. “Tenho muitas dúvidas. Vejo a situação muito complicada e não vejo soluções adequadas aos nossos problemas. Estou muito desiludido: houve muita solidariedade verbal, resultados práticos zero”, critica.
Oliveira do Hospital. A solidariedade dos pastores
Em Oliveira do Hospital, distrito de Coimbra, os incêndios mataram 12 pessoas. Outros números: 180 casas de primeira habitação consumidas pelas chamas; 95 empresas afectadas; um prejuízo total a rondar os 90 milhões de euros; 480 postos de trabalho afectados; 97% de área florestal ardida; 5 mil animais mortos.
A Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Serra da Estrela tem 400 pastores que beneficiam de apoio, graças à ajuda vinda de todo o país, destaca o presidente da ANCOSE, Manuel Marques.
“Devemos muito a Coruche, a Vila do Conde, a Grândola, a Soure, a Sabugal, a todas as partes do país e às fábricas de rações que nos fizeram preços reduzidos. Há pessoas a querer doar e que duvidam se chegam ao destinatário. Aqui fica tudo registado”, esclarece o responsável.
A produção de queijo da Serra da Estrela deverá cair para metade este ano. “Alguém que queira comprar ovelhas bordaleiras neste momento não consegue fazê-lo”, lamenta Manuel Marques.
João Lameiras, 49 anos, tem dois filhos, vive em Vila Franca da Beira, onde ardeu a casa e a queijaria. A realidade de uma vida é agora um sonho: João quer voltar a produzir queijo da Serra da Estrela.
“Ardeu tudo, o material da queijaria, a parte agrícola, agora estamos parados, não temos onde fabricar, vai ser difícil, mas o meu sonho era reconstruir a queijaria até ao final do ano”, sorri, com as lágrimas nos olhos.
Apesar de todas as dificuldades, João não culpa ninguém, só agradece. “Tanto a nível de câmara como da ANCOSE e do país, as pessoas têm sido espectaculares a ajudar, é espectacular o que têm feito, é uma forma de passar melhor o tempo e não pensar tanto no que aconteceu”, revela, enquanto carrega mais um saco de ração que dará para pouco tempo. Tem 130 ovelhas bordaleiras, não perdeu nenhuma nos fogos de Outubro. “Salvei os animais, mas não consegui salvar a casa. Ou salvava uma coisa ou outra.”
In Rádio Renascença

Incêndios de 15 de Outubro. Governo vai explicar apoios "porta-a-porta"

Informar sobre os apoios disponíveis e detectar situações de acompanhamento social ou médico são alguns dos objectivos da nova medida.
O Governo lança, esta quinta-feira, postos de atendimento móveis com vista a chegar mais próximo das populações afectadas pelos incêndios de Outubro.
Trata-se de uma acção porta-a-porta – como refere o comunicado enviado à comunicação social – que surge depois de várias críticas à complexidade e dificuldade de aceder aos apoios anunciados.
Muitas dessas críticas foram ouvidas durante a emissão especial de quarta-feira do programa Manhã da Renascença, feito a partir de Oliveira do Hospital.
O presidente da Câmara, por exemplo, queixou-se que os agricultores da chamada agricultura social, que nem têm actividade registada mas são muito importantes para o sector e para a região, não tinham acesso a apoios.
José Carlos Alexandrino falou num sentimento geral de indignação e pediu “apoios em igualdade de circunstâncias”.
Do lado das vítimas, o presidente da associação que as representa criticou a disparidade de respostas do Governo para o caso de Pedrógão Grande e para as populações afectadas pelos fogos de 15 de Outubro.
Disse Luís Lago que as pessoas não percebem porque é “que, sofrendo a maior tragédia e destruição material que o país conheceu nos últimos séculos, não exista uma resposta urgente”.
Já esta quinta-feira, também na Renascença, o presidente da Confederação Nacional dos Agricultores criticou a “complicação que está montada no terreno”, referindo-se aos procedimentos para obter os apoios pós-incêndios.
A medida lançada hoje pelo Governo dirige-se às populações dos concelhos afectados pelos incêndios de Outubro, no Norte e Centro do país, e tem como principal objectivo perceber melhor as necessidades e dificuldades sentidas no terreno.
“Nas próximas semanas, nove equipas constituídas por técnicos da Segurança Social, dos serviços do Instituto dos Registos e Notariado e da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro e do Norte, apoiados pela Agência para a Modernização Administrativa, vão promover uma acção ‘porta-a-porta’, através de unidades móveis”, informa o comunicado do Ministério do Trabalho, da Solidariedade e Segurança Social.
Os serviços disponibilizados nestas unidades são os seguintes:
  • Informação sobre apoios sociais disponibilizados;
  • Informação de apoio a agricultores e reposição do potencial produtivo.
  • Informação sobre prestações sociais atribuídas pela Segurança Social;
  • Sinalização de situações com necessidades de acompanhamento social ou médico;
  • Informação sobre apoios disponíveis às empresas afectadas e apoios à empregabilidade;
  • Informação e emissão de certidões, requisição do documento de identificação ou 2ª via do certificado de matrícula no local;
  • Informação sobre a situação dos veículos ardidos.
Na quarta-feira à noite, e no que toca ao sector da agricultura, o ministro Capoulas Santos anunciou mais 23 milhões de euros de apoios, destinados à estabilização dos solos nas zonas afectadas pelos incêndios de 15 e 16 de Outubro.
No total, o apoio financeiro nesta área passa a 89 milhões de euros.
In Rádio Renascença