quinta-feira, 22 de junho de 2017

Incêndio em Góis dominado

No primeiro ponto de situação desta quinta-feira, por volta das 08h00, o comandante operacional da Proteção Civil Carlos Luís Tavares informou que o incêndio em Góis, distrito de Coimbra, foi dominado às 7h41. Todavia, considerando as temperaturas elevadas, é possível que existam reativações ao longo do dia.

A Proteção Civil vai agora "consolidar o rescaldo" deste incêndio que atingiu Góis, Arganil e Pampilhosa da Serra. Cerca de 20 mil hectares terão ardido, estima o responsável.
No terreno estão 1010 operacionais, apoiados por 284 viaturas e é aguardada a chegada de 4 meios aéreos pesados.

Depois de já ter tido cinco frentes ativas, o incêndio em Góis, no distrito de Coimbra, encontrava-se na madrugada de hoje com uma frente ativa, com 400 metros de extensão, disse o comandante operacional Carlos Luís Tavares, que já perspetivava a possibilidade de o incêndio ser dado como dominado na manhã de hoje.

Foram evacuadas, ao todo, 27 aldeias, dos concelhos de Góis e de Pampilhosa da Serra, envolvendo um total de cerca 200 pessoas, das quais cinco já puderam regressar às suas casas.
Já em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, depois de ter retirado a vida a 64 pessoas e provocado mais de 200 feridos, o fogo encontra-se dominado desde a tarde de quarta-feira, 21 de junho, de acordo com o comandante operacional da Proteção Civil Vítor Vaz Pinto.

Apesar de a tragédia ser ainda recente, os sinais da reconstrução do que foi destruído pelas chamas em Pedrógão Grande já se notam, desde a substituição do alcatrão da “estrada da morte” ao corte de árvores.

Na Estada Nacional 236-1, onde morreram 47 pessoas que seguiam em viaturas e ficaram encurraladas pelas chamas entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, trabalhadores apoiados por máquinas começaram na quarta-feira a proceder à remoção e substituição do alcatrão, fazendo-se a circulação automóvel de forma alternada.

Na quarta-feira à noite, a ministra da Administração Interna admitiu a possibilidade de instaurar um inquérito ao incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, mas para tal necessita de obter todos os dados sobre aquilo que se passou.

“É algo que não estou a excluir neste momento. Preciso de ter dados sobre a atuação da GNR e da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) e de ter indícios que me permitam fazer um inquérito”, disse Constança Urbana de Sousa, em entrevista à RTP3.

A ministra da Administração Interna disse ainda que não se vai demitir do cargo, enquanto tiver a confiança do primeiro-ministro.

“Era mais fácil demitir-me, mas optei por dar a cara”, afirmou.
Na quarta-feira à tarde, o funeral do bombeiro Gonçalo Conceição que morreu na sequência do incêndio em Pedrógão Grande contou com a presença das mais altas figuras do Estado português, nomeadamente o primeiro-ministro, António Costa, e o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Esta quinta-feira as temperaturas diminuíram e a humidade relativa subiu significativamente na região Centro do país, o que proporciona “melhores condições” para combater os incêndios em Góis e em Pedrógão Grande, disse à Lusa a meteorologista Madalena Rodrigues.

A técnica do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) disse que a situação meteorológica está “muito mais tranquila, com menos instabilidade”, referindo que “as temperaturas desceram e a humidade relativa subiu”.

In Sapo24

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Incêndio de Pedrógão Grande está dominado

O incêndio que começou no sábado em Pedrógão Grande foi dominado hoje à tarde, disse o comandante operacional, Vítor Vaz Pinto.

O incêndio que começou no sábado em Pedrógão Grande foi dominado esta quarta-feira à tarde, disse o comandante operacional, Vítor Vaz Pinto.

No ponto de situação que acaba de fazer aos jornalistas, o responsável da Protecção Civil sublinhou, porém, que o incêndio está longe de estar resolvido.

"Há bolsas de incêndio com mais de 20 hectares, é uma grande dimensão. Só a progressão do fogo é que, esperamos nós, está contida", afirma.

Vaz Pinto considera que se continua a viver uma situação muito complicada, com casos de emergência e por isso todos os meios se mantêm no terreno. Quanto às causas do fogo, o comandante de operações sublinha que não é a quem está no terreno que compete investigar esse assunto.

EN 236 reaberta

A Estrada Nacional 236, que esteve cortada em dois troços nos concelhos de Castanheira de Pera, distrito de Leiria, e Lousã, em Coimbra, já reabriu ao trânsito pelas 8h00 desta quarta-feira, avançou fonte da GNR à agência Lusa.

A EN 236 esteve cortada ao trânsito em Castanheira de Pera, desde as 9h00 de segunda-feira, enquanto o troço da localidade Candal, no concelho da Lousã, esteve interdito desde as 16h15 de domingo.

A circulação continua, porém, impedida no troço da Estrada Nacional 2 em Góis, distrito de Coimbra.
Devido à ocorrência de incêndios naquele distrito, permanecem cortadas ao trânsito a Estrada Municipal 543, na localidade de Capelo, em Góis, e a Estrada Nacional 112, na localidade de Carvalhal do Sapo, no concelho da Pampilhosa da Serra, de acordo com a informação da GNR, prestada à Lusa pelas 16h00.

De acordo com a informação disponível na página da internet da ANPC, o fogo que está a consumir mais meios é o de Pedrógão Grande, num total de 1.206 homens, 415 veículos e dois meios aéreos.
O incêndio que deflagrou no sábado à tarde em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos, e foi dado como dominado pelas autoridades ao início da tarde.

O fogo começou em Escalos Fundeiros, e alastrou depois a Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria.

Desde então, as chamas chegaram aos distritos de Castelo Branco, através do concelho da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.

Este incêndio já consumiu cerca de 30 mil hectares de floresta, de acordo com dados do Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais.

Outro dos incêndios mais graves é o de Góis, que àquela hora mobilizava 1.156 operacionais, 403 viaturas e 17 meios aéreos.

In Rádio Renascença

terça-feira, 20 de junho de 2017

Pedrógão Grande: Costa pede esclarecimento urgente sobre SIRESP e não encerramento de estrada

O primeiro-ministro pediu esclarecimento urgente sobre o funcionamento da rede de SIRESP no incêndio de Pedrógão Grande e sobre os motivos da ausência de encerramento da estrada nacional 236-I, onde ocorreu um elevado número de mortes.

Este despacho, ao qual a agência Lusa teve acesso, referente a três das circunstâncias por apurar em relação às consequências trágicas do incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande, distrito de Leiria, foi assinado por António Costa na segunda-feira.

De acordo com o primeiro-ministro, "sem prejuízo da avaliação global que terá lugar no termo das operações ainda em curso, há três questões relativas à tragédia ocorrida em Pedrógão Grande no passado sábado" que entende "necessário esclarecer desde já".

"Houve no local circunstâncias meteorológicas e dinâmicas geofísicas invulgares que possam explicar a dimensão e intensidade da tragédia, em especial no número de vítimas humanas, sem paralelo nas ocorrências de incêndios florestais, infelizmente tão frequentes em Portugal", começa por questionar o primeiro-ministro.

António Costa pergunta depois se é passível de confirmação que "houve interrupção do funcionamento da rede SIRESP (Rede Nacional de Emergência e Segurança)"
"Porquê, durante quanto tempo, se não funcionaram as suas próprias redundâncias e que impacto teve no planeamento, comando e execução das operações, como se estabeleceram ligações alternativas?"
"Porque não foi encerrada ao trânsito a Estrada Nacional (EN 236-I), foi esta via indicada pelas autoridades como alternativa ao IC 8 já encerrado e foram adotadas medidas de segurança à circulação nesta via?", pergunta ainda o líder do executivo.

"Para rápido esclarecimento determino que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, I.P., a Autoridade Nacional de Proteção Civil e a Guarda Nacional Republicana respondam, respetivamente, às três questões", especifica o primeiro-ministro.

O incêndio que deflagrou no sábado à tarde em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 130 feridos, segundo um balanço provisório divulgado na segunda-feira.

In Sapo24

Incêndio no concelho de Góis obriga a evacuar aldeias

O fogo que lavra desde sábado no concelho de Góis sobre um agravamento esta manhã, tendo já obrigado à evacuação de três aldeias, disse fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Coimbra.
“Estão a evacuar as aldeias Velha, de Candosa e de Carvalhal do Sapo”, referiu.
A mesma fonte disse à agência Lusa que pode haver a necessidade de, ainda esta manhã, evacuar mais uma, a aldeia de Cadafaz.

O município de Góis faz fronteira com Pedrógão Grande e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e com o concelho da Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, para onde as chamas progrediram, após deflagrarem no sábado, em Fonte Limpa.

Esta manhã, a presidente da Câmara de Góis afirmou à Lusa que o incêndio no concelho de Góis chegou à União de Freguesias de Cadafaz e Colmeal, depois de estar “praticamente dominado” na freguesia de Alvares.

Lurdes Castanheira tinha afirmado também esta manhã que a situação podia "passar a ser gravíssima porque o incêndio passou de Pampilhosa da Serra".
“Nós temos uma situação grave e, se calhar, pode passar a ser gravíssima, porque o incêndio passou de Pampilhosa da Serra. Ficou praticamente dominado na freguesia de Alvares [em Góis], mas passou do concelho de Pampilhosa da Serra para uma outra freguesia do concelho de Góis e neste momento lavra com alguma intensidade”, indicou Lurdes Castanheira.

“Há imensos meios, viaturas, meios aéreos, mas é outra freguesia [afetada] neste momento, é a União de Freguesias de Cadafaz e Colmeal”, precisou. A autarca explicou que “o vento foi de tal maneira forte que projetou” o fogo. “Galgou o alcatrão, a estrada nacional 112, e passou para o concelho de Góis novamente, para outra freguesia”, enumerou. Lurdes Castanheira apontou que as chamas estão a afetar zonas de pinhal, mas podem vir a “ameaçar populações”.

De acordo com a informação disponibilizada no ‘site’ da Autoridade Nacional de Proteção Civil pelas 11:40, o incêndio em Góis está a mobilizar 666 operacionais, auxiliados por 228 viaturas e seis meios aéreos.

In Sapo24

Situação em Góis é grave e pode passar a ser gravíssima

O incêndio no concelho de Góis chegou à União de Freguesias de Cadafaz e Colmeal, depois de estar "praticamente dominado" na freguesia de Alvares, informou hoje o município, falando numa "situação grave que pode passar a ser gravíssima"

"Nós temos uma situação grave e se calhar pode passar a ser gravíssima porque o incêndio passou de Pampilhosa da Serra. Ficou praticamente dominado na freguesia de Alvares [em Góis], mas passou do concelho de Pampilhosa da Serra para uma outra freguesia do concelho de Góis e neste momento lavra com alguma intensidade", disse à agência Lusa a presidente da Câmara de Góis, Lurdes Castanheira.

O município de Góis faz fronteira com Pedrógão Grande e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e com o concelho da Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, para onde as chamas progrediram, após deflagrarem no sábado, em Fonte Limpa.

"Há imensos meios, viaturas, meios aéreos, mas é outra freguesia [afetada] neste momento, é a União de Freguesias de Cadafaz e Colmeal", precisou Lurdes Castanheira.
A autarca explicou que "o vento foi de tal maneira forte que projetou" o fogo.

Lurdes Castanheira apontou que, de momento, as chamas estão a afetar zonas de pinhal, mas podem vir a "ameaçar populações".
Vincando que as autoridades estão atentas, a responsável referiu que ainda não foi necessário evacuar localidades.

Ainda assim, "estamos bastante preocupados", admitiu, notando que o combate às chamas "é difícil".
De acordo com a informação disponibilizada no 'site' da Autoridade Nacional de Proteção Civil pelas 08:20, o incêndio em Góis está a mobilizar 692 operacionais, auxiliados por 237 viaturas e cinco meios aéreos.

In Diário de Noticias 

Incêndio de Pedrógão Grande é o maior de sempre em Portugal

Chamas já consumiram mais de 30 mil hectares de floresta, superando os números negros dos piores incêndios de 2003 e 2012.
O incêndio na zona de Pedrógão Grande já consumiu mais de 30 mil hectares de floresta desde sábado passado, segundo dados do Sistema Europeu de Informação de Fogos Florestais (conhecido pela sigla EFFIS). Este valor ultrapassa largamente os números atingidos nos grandes incêndios de 2012 em Tavira e de 2003 na Chamusca — os dois maiores fogos até agora em Portugal.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

No pinhal onde a tragédia começou (testemunhas contam o que viram)

Habitantes de Escalos Fundeiros, aldeia onde parece ter iniciado o incêndio que já matou mais de 60 pessoas, contestam a tese da Polícia Judiciária de que o fogo de Pedrógão Grande foi causado por uma trovoada seca.


Aos 75 anos, Miguel Serrano parece ter o dobro da energia do filho, com a metade da idade e acabado de acordar. Os dois homens sobem a talho pelo mato queimado, contornam um pequeno açude que servia de regadio, até há pouco tempo, em Escalos Fundeiros, aldeia de cerca de 100 habitantes em Pedrógão Grande, no centro do país.

Este ex-industrial já reformado, dono de terrenos naquela região, aponta para várias árvores queimadas, algumas derrubadas pela força do fogo do último sábado.

“Foi aqui que tudo começou”, diz, com tristeza nos olhos, este homem de estatura baixa, cabelo branco e que usa suspensórios e um relógio dourado. Há cerca de 24 horas, inspetores da Polícia Judiciária tinham estado naquele mesmo local, ainda distante da pequena aldeia. Concluíram que tinha sido uma trovoada seca a causar o incêndio que teve início na tarde de sábado e deflagrou por vários concelhos vizinhos, matando mais de 60 pessoas.

A tese, porém, não convence os moradores. Miguel Serrano garante que ninguém ali ouviu qualquer trovoada próxima da aldeia. “Andam para aí a inventar que caiu um raio numa destas árvores, mas os únicos trovões que ouvi nessa tarde estavam longe, para os lados da Sertã”.

Também Alcinda Barata, uma reformada de 71 anos, que por causa de uma operação recente a um joelho é obrigada a andar apoiada em muletas, não tem dúvidas de que o fogo começou ali naquele pinhal, de facto, mas muitas horas antes de escutar os primeiros estrondos vindos do céu. “Depois do almoço, acordei o meu marido porque vi um fumo muito espesso a aproximar-se da nossa horta”, conta. Como não se podia deslocar para a pequena herdade onde há videiras, cerejeiras e oliveiras, por causa das dores no joelho, foi o marido que acabou por ver de perto o mato a arder. “Quando os bombeiros chegaram já era tarde. O fogo tinha-se espalhado em várias direções.”

O relato sobre as horas que se seguiram emocionam esta ex-emigrante na Suíça. Mais abalada fica quando surge a conversa sobre a dita trovoada seca. “Enerva-me estarem por ai a dizer que foi um raio que fez começar o fogo. Só ao fim do dia é que escutei uma ou duas trovoadas, mas nada de especial. Eram assim como estas, estão a ouvir?”

Na manhã desta segunda-feira, aquela aldeia voltou a ouvir os mesmos estrondos do céu. Desta vez acompanhados de chuva grossa que perdura durante alguns minutos. Não só em Escalos Fundeiros como em toda a região dos fogos.

In Expresso

Fogo de Pedrógão Grande é o 11.º mais mortal do mundo desde 1900

Somando o balanço provisório de Pedrógão aos registos até 2016, Portugal torna-se o 6.º país onde mais se morre em grandes fogos florestais.

O incêndio de Pedrógão Grande deste fim-de-semana, que matou 64 pessoas, é já o 11.º fogo florestal a provocar mais mortos desde 1900, em todo o mundo. Se aos dados de 2016 juntarmos as vítimas deste fogo no distrito de Leiria, Portugal será o sexto país onde mais se morre em grandes incêndios florestais.
São conclusões que se retiram da leitura dos dados da Emergency Events Database, que compila mais de 22 mil desastres naturais desde 1900. O último ano da tabela, elaborada pela Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, é 2016.
Os 64 mortos provocados pelo incêndio em Pedrógão Grande (segundo o balanço disponível às 20h14 de segunda-feira, dia 19) colocam o fogo florestal que mais pessoas matou em Portugal à frente da “Terça-feira Negra”, na Austrália, em 1967. Nesse ano, 110 focos de incêndio mataram 62 pessoas e feriram outras cem, na ilha da Tasmânia.
No topo da tabela está um incêndio de 1918, nos Estados Unidos, estado do Minnesota. Ainda que o número de mortos se baseie numa estimativa com base em registos da época, o incêndio mais mortífero de sempre terá feito cerca de mil vítimas. Cloquet foi completamente tomada pelas chamas, que mataram 400 pessoas só naquela cidade. Os prejuízos foram então avaliados em cerca de 1 milhão de dólares.
Cloquet, 1918. Nunca, desde que há registos, morreu tanta gente devido a um incêndio. Fotos: mnopedia.org
A segunda ocorrência com maior número de mortos aconteceu na Indonésia, em 1997: 240 pessoas morreram com o avanço das chamas, que terão tido origem nas queimadas feitas pelos agricultores para roubar terreno à floresta.
Cerca de 32 mil pessoas foram afectadas por esta série de incêndios na Indonésia. Estima-se que tenham sido libertados para a atmosfera o equivalente a quase 40% da taxa anual de emissão de dióxido de carbono resultante da combustão de combustíveis fósseis.
Na fronteira entre a China e a União Soviética, o incêndio que ficou conhecido como “O Dragão Negro” matou 191 pessoas. É tido como o terceiro incêndio que mais pessoas matou, seguido pelos incêndios de 2009 na Austrália, onde morreram 190 pessoas.
A Austrália é, aliás, o segundo país onde morreram mais pessoas em incêndios florestais. Mais de 500 pessoas foram vítimas dos 26 incêndios registados naquele país. O país figura quatro vezes no “top” 15 dos incêndios florestais que mais mortos causaram desde o início do século XX.
A nível europeu, o fogo de Pedrógão Grande é já o terceiro com maior número de vítimas, sendo apenas ultrapassado, pelos incêndios na Grécia, no Verão de 2007, quando morreram 68 pessoas, e pelos fogos na região de Aquitânia, em França, em 1949. Morreram então 80 pessoas.
Mais de 150 mortos em meio século
Ainda que os dados da Emergency Events Database não contemplem o ano de 2017, excluindo assim a tragédia de Pedrógão Grande, terão morrido, em cerca de 50 anos, mais de 150 pessoas em Portugal vítimas de incêndios florestais que cumpriram um de quatro critérios: mataram 10 ou mais pessoas; feriram ou desalojaram mais de 100 pessoas; é declarado estado de emergência; ou é pedida ajuda internacional no combate às chamas.
Em Setembro de 1966, um incêndio na serra de Sintra matou 25 militares do Regimento de Artilharia Antiaérea Fixa de Queluz que combatiam as chamas. Era, até este fim-de-semana, o mais trágico incêndio registado em Portugal.
Na lista figuram ainda os casos de 1985, quando, em Armamar, morrem 14 bombeiros e, de 1986, em Águeda, onde o fogo provoca 16 mortos.
2003 fica também na memória dos portugueses como o ano em que mais área ardeu em Portugal - foram cerca de 120 mil hectares de floresta consumidos pelo fogo. Morreram, nesse ano, 14 pessoas.
Em Junho de 2006, no distrito da Guarda, cinco bombeiros chilenos morreram ao combaterem o fogo.
E no ano de 2012, centenas de incêndios registados em Portugal provocaram seis mortos, quatro deles bombeiros.
A série de registos nacionais, antes de Pedrógão, termina com os incêndios na Madeira, em 2016. Morreram três pessoas e o Estado português pediu ajuda à União Europeia.
In Rádio Renascença

Incêndio em Pedrógão Grande: 64 vítimas mortais

O incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande provocou até ao momento 64 vítimas mortais.
A GNR confirmou esta segunda-feira, ao início da noite, que o balanço de vítimas mortais aumentou para 64.
A GNR não adianta, porém, se há vítimas de nacionalidade estrangeira. A questão surge depois de o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês ter anunciado em comunicado que um cidadão francês está entre as vítimas mortais do incêndio florestal que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande.
O balanço anterior apontava para 63 mortos. Jaime Marta Soares, visivelmente emocionado, informou esta tarde que um bombeiro, que pertencia à corporação de Castanheira de Pera, faleceu no hospital. Este era casado, tinha 40 anos e um filho.
As autoridades não avançaram com um novo balanço de feridos, fixando-se o anterior em 135, a maioria com ferimentos ligeiros.
Ao fazer o ponto de situação, o comandante Elísio Oliveira disse que a tarde foi "bastante difícil, com situações complexas que ainda se mantêm".
70% do incêndio já está dominado, mas os 30% ainda ativos inspiram cuidados, adiantou, reiterando a necessidade de que as populações cumpram as indicações das autoridades.
"Os aglomerados populacionais são bastantes dispersos, vamos continuar com este trabalho difícil", disse.
O fogo, que deflagrou às 13h43 de sábado, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, alastrou depois aos concelhos vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e entrou também no distrito de Castelo Branco, pelo concelho da Sertã.
Além de Pedrógão Grande, existem quatro grandes fogos a lavrar nos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco. Em todo o País, os fogos mobilizam um total de cerca de 2.155 operacionais, 666 veículos e 21 meios aéreos.
Marcelo evita “mais frentes” que não o combate ao fogo e o apoio às vítimas
Pela terceira vez em dois dias, o Presidente da República pediu que não se arranje "mais uma frente" de combate, com a discussão sobre o que fazer para evitar incêndios como o que começou em Pedrógão Grande.
Primeiro na sua mensagem ao país, no domingo, e hoje, por duas vezes, na sua segunda visita à zona afetada pelos incêndios, pediu para que essa "reflexão" se faça mais tarde.
A fórmula foi idêntica em Avelar (Ansião) e em Cernache do Bonjardim, com Marcelo a pedir que não se faça a discussão por enquanto.
"Estamos no momento de combate em que, a pouco a pouco, vamos conseguindo controlar a situação", disse o chefe de Estado, pedindo que não se junte "mais uma frente" à "frente" de combater as chamas e apoiar as vítimas.
Depois, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa em Avelar, mas também em Cernache, haverá "todo o tempo do mundo para falar de causas, reflexões".
De críticas, Rebelo de Sousa respondeu com um sorriso quando uma jornalista lhe perguntou se não se chateava quando o criticavam por ir distribuir beijos.
Nestes momentos de dor, "os afetos ou chamem-lhe o que quiserem", são necessários.
In Sapo24

domingo, 18 de junho de 2017

Incêndios. Saiba como ajudar os bombeiros e vítimas

Nas redes sociais são várias as pessoas que perguntam como podem colaborar com os bombeiros e as vítimas dos incêndios. Por todo o país, quartéis e corporações de bombeiros estão a receber mantimentos. Saiba como o pode ajudar e o que é mais necessário neste momento.
O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses pediu hoje água, fruta e barras energéticas para as corporações de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e Alvares, concelho de Góis, distrito de Coimbra.
“Se as pessoas estiverem disponíveis e possam trazer aos corpos de bombeiros de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera e Alvares frutas, barras energéticas e água ou outro tipo de alimentos que possam ser facilmente transportados, é sempre importante”, afirmou à agência Lusa Jaime Marta Soares.
O presidente da Liga declarou que “há um desgaste muito grande, um consumo muito grande de alimentação” por parte dos bombeiros e agradeceu a “generosidade dos portugueses que são sempre muito solidários com os bombeiros”.
Às pessoas que se desloquem aos quartéis de bombeiros para entregar os bens, Jaime Marta Soares solicita cuidado na circulação rodoviária, pedindo que perguntem às autoridades para evitar situações complicadas.
“Os bombeiros estão cansados, mas há uma rotatividade. Temos refrescado o pessoal e quem está no combate está a 100%”, frisou o dirigente.
Nas redes sociais, vários apelos têm sido feitos para a entrega de bens alimentares não apenas naquelas corporações, como noutras, especialmente da região centro do país.
Outros pedidos incluem a doação de roupa e produtos de higiene para os desalojados.
Nas redes sociais são vários os apelos de anónimos e entidades. Reunimos alguns:
A Rádio Comercial foi uma das primeiras a apelar à ajuda.
Os responsáveis da página de Facebook On Coimbra entraram em contacto com várias corporações de bombeiros e listam as necessidades. Deixam ainda a nota: "As águas, sumos, leites e outros alimentos, solicitam-se gentilmente, se possível, em doses individuais/pacotes pequenos para poderem ser distribuídos por cada bombeiro".
Os Bombeiros Voluntários de Paço de Arcos agradecem mantimentos. São necessários: Águas engarrafadas; Barritas energéticas ou bebidas desportivas, como por exemplo, gatorade ou powerade; Cereais; Leite; Sumos; Bolachas; Enlatados (ou produtos com validade longa).
Já Alexandre Pinto informa que "odos os enfermeiros e médicos que se encontrem perto de Coimbra, se quiserem ajudar podem ajudar no Hospital de campanha montado no Avelar, basta ligar para o CODU e eles registam o vosso contacto em caso de necessidade".

A Caritas portuguesa anunciou hoje que tem já disponível uma verba de 200 mil euros para apoiar as vítimas dos incêndios que lavram na zona de Pedrógão Grande, desde sábado.
"Quem necessitar pode dispor desses 200 mil euros", que pertencem à Cáritas Nacional. "Mas sabemos que em todas as dioceses, por iniciativa própria, se disponibilizam verbas que estejam na posse destas instituições" e que "podem ser postas à disposição".
A cadeia de super e hipermercados Continente, através da rede social Facebook, informa que "as corporações de bombeiros podem contactar as lojas" e que "os bens necessários serão imediatamente disponibilizados".
Também o santuário de Fátima anunciou hoje que vai disponibilizar ajuda monetária às populações afetadas pelo incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria. “Acompanhamos as vítimas, os desalojados, os feridos e os que perderam algum ente querido com a nossa oração, mas também materialmente iremos disponibilizar ajuda monetária”, afirmou o reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, citado numa nota da sala de imprensa do templo.
Segundo Carlos Cabecinhas, “tão rapidamente quanto possível, concretizar-se-á esta ajuda para poder fazer face às necessidades daqueles que foram tão duramente atingidos por esta tragédia”. “Não podemos, de modo algum, ficar indiferentes diante destes acontecimentos”, adiantou o reitor, pedindo que “em todas as celebrações oficiais do santuário se reze pelas vítimas mortais e seus familiares, bem como pelos feridos”.
CGD abre conta solidária e doa 50 mil euros a vítimas
A Caixa Geral de Depósitos (CGD) anunciou hoje a abertura de uma conta solidária para com as vítimas do incêndio que afeta Pedrógão Grande e outros dois concelhos do distrito de Leiria e a doação de 50 mil euros.
A conta designa-se “Unidos por Pedrógão”, informou fonte oficial, e os donativos podem ser feitos usando o IBAN PT50 0035 0001 00100000 330 42.
O banco público anunciou ainda que vai criar “condições diferenciadas para os seus clientes atingidos pela calamidade”.
Gulbenkian cria fundo com dotação inicial de 500 mil euros para a região
A Fundação Calouste Gulbenkian decidiu constituir um fundo especial de 500 mil euros, para apoio às organizações da sociedade civil da região de Pedrógão Grande, afetada pelos incêndios deste fim de semana.
Em comunicado, a Fundação informou que os 500 mil euros são a dotação inicial do fundo, e servem para “ajudar a minimizar as consequências” dos incêndios e da tragédia que afetou os municípios de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, onde morreram pelo menos 61 pessoas.
Outras informações
A conta do Gabinete da Ministra da Administração Interna no Twitter informa que "Quem procura informação sobre pessoas na zona do incêndio, deve contactar a Santa Casa da Misericórdia de Pedrogão Grande".
Já a conta da oficial do Gabinete do Ministro da Saúde, informa que  a "prestação de cuidados à população afetada pelos incêndios reforçada com abertura de centros de saúde em Castelo Branco, Coimbra e Leiria".
In Sapo24

história do homem que viu a casa arder e salvou a família numa carrinha em fuga por entre as chamas

Um homem de 33 anos de idade, cuja casa, no concelho de Figueiró dos Vinhos, ficou “totalmente destruída” pelo fogo, no sábado, salvou-se a si e à família fugindo das chamas numa carrinha.
“As labaredas batiam muito forte na carrinha, ainda fui contra um pinheiro e andei por valetas”, disse Hugo Manuel Almeida Santos, que falava hoje, à agência Lusa, no Hospital de Avelar, no concelho de Ansião (distrito de Leiria), onde o pai, de 57 anos de idade e com “muito pouca mobilidade”, está internado, por não ter onde ficar.
“A casa ardeu toda, ficou tudo queimado, fiquei sem nada”, relatou Hugo Santos, que hoje voltou ao local onde residia, em Figueira, “mesmo junto ao IC8 [itinerário complementar 8], na freguesia da Graça, no concelho de Pedrógão Grande, e onde “está tudo, mesmo tudo, desfeito em cinza e carvão.
“Ninguém sabe explicar” como Hugo Santos se conseguiu salvar a si, ao pai, à mulher e à filha, de 11 anos de idade.
“Temi pela vida de nós todos, pensei que ficávamos lá todos”, repetiu, recordando que as chamas “bateram” de forma insistente na viatura, cujo controlo, “por várias vezes”, sentiu que podia perder.
Hugo Santos também não consegue encontrar palavras para contar como se salvou, nem como tudo aconteceu – “nunca, por nunca, vi uma coisa comparável a esta”, assegurou, referindo-se ao modo como o incêndio deflagrou e à intensidade com que alastrou.
O pai de Hugo Santos é o único dos cerca de 30 feridos que está internado na Unidade de Cuidados Continuados/Hospital da Fundação Nossa Senhora da Guia, onde no sábado e hoje foram assistidos por terem sido vitimados pelo fogo de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, no norte interior do distrito de Leiria.
O internamento mantém-se por “motivos sociais” e não tanto por razões de saúde, disse à agência Lusa um responsável pelo estabelecimento.
Dos feridos que ali deram entrada já todos tiveram alta médica ou foram reencaminhados para o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, mas “nenhum sofreu ferimentos que possam ser considerados graves, são todos feridos ligeiros”, acrescentou a mesma fonte.
Depois de uma noite e madrugada dominadas por um “invulgar” movimento de feridos e meios de socorro, o hospital da vila de Avelar regista hoje o “movimento calmo”, próprio de um domingo.
Só algumas ambulâncias estacionadas junto à entrada do estabelecimento, para a eventualidade de terem de entrar em ação naquela região, coberta de fumo, mas com as chamas a alguma distância, tornavam o ambiente algo diferente do habitual no hospital, onde, a meio da tarde, se deslocaram o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, e do presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro, José Tereso.
Segundo o balanço feito pelas 16:00, pelo menos 61 pessoas morreram no incêndio que atinge Pedrógão Grande e outros dois concelhos do distrito de Leiria desde sábado, disse hoje o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes.
O fogo deflagrou ao início da tarde de sábado numa área florestal em Escalos Fundeiros, em Pedrógão Grande (distrito de Leiria), e alastrou-se aos municípios vizinhos de Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, obrigando a evacuar povoações e deixando-as isoladas.
O primeiro-ministro, António Costa, afirmou que o incêndio terá sido causado por trovoadas secas, salientando, no entanto, que "é prematuro tirar ilações" sobre o que aconteceu.

Pedrógão Grande: Incêndio é o que mais vítimas mortais provocou em Portugal

O incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande, é o que mais vítimas mortais provocou nas últimas décadas, em Portugal, e um dos mais graves a nível mundial, nos últimos anos, com pelo menos 61 mortos e 57 feridos.

A nível europeu, o fogo de Pedrógão Grande é apenas ultrapassado, em número de vítimas, pelos incêndios na Grécia, durante o verão de 2007, que provocaram a morte de 77 pessoas, e pelos fogos na Aquitânia, em França, há quase 70 anos, quando morreram 82 pessoas. Na Rússia, em 2010, os incêndios de verão causaram perto de seis dezenas de vítimas mortais.
Em Portugal, em setembro de 1966, um fogo na serra de Sintra foi notícia em todo o mundo, devido à morte de 25 militares do Regimento de Artilharia Anti-Aérea Fixa de Queluz (RAAF), que tentavam combater as chamas.
Em 1985, em Armamar, morreram 14 bombeiros apanhados pelas chamas e, no ano seguinte, em Águeda, o fogo provocou 16 mortos.
Os incêndios de 2003 causaram duas dezenas de mortos, em todo o país. E, em agosto de 2013, quando se registaram mais de 7.000 incêndios, morreram nove pessoas - oito bombeiros e um civil - com 120 mil hectares de floresta ardida.
No ano de 2012, centenas de incêndios registados em Portugal provocaram seis mortos, quatro deles bombeiros. No ano passado, morreram três pessoas, nos incêndios na Madeira, que destruíram 37 habitações, uma situação que levou o Governo a fazer um pedido de ajuda à União Europeia para o combate ao sinistro.
Em junho de 2006, no distrito da Guarda, cinco bombeiros chilenos morreram ao combaterem o fogo.
O incêndio que deflagrou no sábado no concelho de Pedrógão Grande, e que alastrou aos concelhos de Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, provocou pelo menos 62 mortos.
Eis um resumo dos incêndios florestais que causaram mais mortos ocorridos no mundo:
 2010
Rússia – Cerca de seis dezenas de pessoas morreram em incêndios que devastaram, entre o final de julho e o final de agosto, mais de um milhão de hectares de floresta e pântanos, queimando aldeias inteiras na zona ocidental do país, que enfrentava uma onda de calor e uma seca sem precedentes.
2009
Austrália – De 07 a 11 de fevereiro, pelo menos 173 pessoas morreram em incêndios no sudeste, nomeadamente no Estado de Victoria, onde cidades inteiras e mais de 2.000 casas foram destruídas. O fogo durou várias semanas, tendo sido contido por milhares de bombeiros e voluntários. Foi um dos piores incêndios no país.
2007
Grécia – 77 pessoas morreram no final de agosto em incêndios florestais sem precedentes, que destruíram 250.000 hectares, no Peloponeso (sul) e na ilha de Eubeia (a segunda do mar Egeu em superfície, a nordeste de Atenas). Foram os incêndios mais graves ocorridos na Grécia, nos últimos anos.
1987
China – Em maio, o mais grave incêndio florestal da história recente do país causou pelo menos 119 mortos no nordeste, além de 102 feridos e 51.000 desalojados.
1949
França – Em agosto, nos Landes, na região da Aquitânia (sudoeste), morreram 82 pessoas que combatiam os fogos. As vítimas – bombeiros, voluntários e 23 militares do 33.º regimento de artilharia de Châtellerault – foram apanhados por uma “nuvem de fogo” causada por uma mudança súbita na direção e intensidade dos ventos.
1871
Estados Unidos – O incêndio florestal mais mortífero parece ter sido o de outubro deste ano em Peshtigo (Wisconsin), que causou entre 800 e 1.200 mortos, segundo as estimativas. O fogo, que tinha deflagrado na floresta há uns dias, destruiu em algumas horas a localidade de 1.700 habitantes, bem como outras 16 vilas, numa área de mais de 500.000 hectares.
In Sapo24

As imagens da tragédia - Parte II

























In Sapo

Pedrógão Grande: 12 pessoas salvas num tanque de água

Doze pessoas da aldeia de Nodeirinho, uma das localidades afetadas pelo fogo que deflagrou ontem em Pedrógão Grande, conseguiram salvar-se dentro de um tanque de água.
Maria do Céu contou ao Jornal de Notícias que a sua mãe, uma mulher que só consegue mover-se com a ajuda de um andarilho, não conseguiu subir para a carrinha que a família tem e que planeava usar para fugir do incêndio.
Assim, a solução encontrada foi colocá-la num tanque existente na sua propriedade. Maria do Céu e o marido fizeram o mesmo com outras pessoas “com mais idade” que ali vivem.
“A temperatura era de tal ordem que começava logo a queimar os braços. Íamos pondo água para cima de uns e outros, para cima dos carros… Tentámos ligar para o INEM e para os bombeiros mas ninguém nos socorreu”, descreve a residente da aldeia de Nodeirinho.
As doze pessoas acabaram por passar a noite dentro do tanque. “Deitei a minha mãe às 04h00”.
“O vento não parava, ouviam-se as chapas das coberturas a bater, pareciam bilhas de gás a explodir. Ouvimos uma mulher de 39 anos, que tinha os dois braços queimados, a gritar que a filha estava a morrer. Ela pedia por tudo para lá irmos, mas não conseguíamos. Só consegui molhar panos e dar-lhe para colocar nos braços. Parecia um filme de terror”, recorda.
In SOL

Pedrógão Grande: Parte dos mortos encontrados na estrada eram turistas

A vice-presidente da Câmara de Castanheira de Pera afirmou que parte dos mortos que estavam nos carros na estrada que liga a vila ao Itinerário Complementar 8 (IC8) eram turistas que tinham ido à praia fluvial das Rocas.
“É uma tragédia que temo que se repita”, disse à Lusa Ana Paula Neves, que se mostrou preocupada com a situação da vila, isolada há várias horas e sem qualquer tipo de comunicações ativas.
“Estamos aqui sozinhos e está a arder tudo”, desabafou, visivelmente emocionada, com críticas à atuação dos bombeiros.
“Estamos isolados e desapoiados”, disse, salientando que, durante o dia, não viu qualquer meio aéreo a operar naquele concelho do distrito de Leiria.
O presidente da direção dos Bombeiros de Castanheira de Pera concorda e vai mais longe: “se não fossem os castanheirenses ainda sobrava menos”, disse Baltazar Lopes, responsável de uma corporação que conta com 65 voluntários num dos concelhos mais pequenos do país.
“Mas não interessa os meios, o fogo como estava não dava para aguentar”, disse.
Durante a tarde, os moradores nas aldeias do Torgal, Vilar e Fontosa foram retirados das suas habitações e estão a ser acolhidos em instalações da misericórdia local, explicou a vice-presidente da Câmara.
Na vila, antigo centro fabril da indústria dos lanifícios, viam-se poucas pessoas nas ruas.
“Estamos todos a ver o que isto vai dar. Quem tem família nas aldeias foi lá buscá-las para a cidade e os outros ficam aqui a ver o que está a dar”, explicou.
O quartel dos bombeiros é o local com mais movimento, chegando dezenas de paletes com alimentos e estão na área vários curiosos e moradores da zona.
In Sapo24