sábado, 1 de julho de 2017

Mais de 240 operacionais combatem fogo no concelho de Vidigueira

Mais de 240 operacionais combatiam hoje um incêndio que deflagrou na noite de sexta-feira no concelho de Vidigueira, distrito de Beja, segundo a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

Pelas 07:00, o fogo, que lavrava em zona de mato, na localidade de Alcaria, mobilizava 243 operacionais, apoiados por 75 veículos, de acordo com a informação publicada no ‘site’ da ANPC.
O incêndio deflagrou pelas 22:17 de sexta-feira.

In Sapo24

Quase 300 operacionais combatem dois fogos em Mação

Quase 300 operacionais combatiam, pelas 19:30, dois incêndios no concelho de Mação, distrito de Santarém, disse à Lusa fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Santarém.

De acordo com a mesma fonte, “já houve habitações em perigo, mas o perigo passou ao lado”.
Um dos fogos, cujo alerta foi dado às 17:23, começou na localidade Vinha Velha, freguesia de Amêndoa. Pelas 19:30, 171 operacionais, apoiados por 43 veículos e cinco meios aéreos combatiam este incêndio, com duas frentes ativas.

O alerta para o outro fogo no mesmo concelho foi dado às 18:18. Pelas 19:30, combatiam este incêndio, com duas frentes ativas, que teve início na localidade de Ameixial, na freguesia de Envendos, 109 operacionais, apoiados por 25 veículos e quatro meios aéreos.

In Sapo24

sábado, 24 de junho de 2017

Pedrógão Grande: Entrega de roupa e de mobiliário passa a realizar-se em Leiria

O Regimento de Artilharia n.º 4, em Leiria, passa a receber roupa, mobiliário e eletrodomésticos que a população queira doar na sequência dos incêndios que atingiram a região Centro e que provocaram 64 mortos.

O envio de alimentação e ração para animais continua a ser enviado para Pedrógão Grande, concelho onde começou o incêndio no dia 17 e que atingiu também Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, no distrito de Leiria, e os distritos de Castelo Branco e de Coimbra, mas que foi dado como dominado na quarta-feira à tarde, disse à agência Lusa o presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, Carlos David.

"Estávamo-nos a sentir sufocados com tanto donativo e chegada de roupa", contou Carlos David, referindo que toda a roupa, mobiliário, eletrodomésticos e recheios de casa passam agora a ser encaminhados para o Regimento de Artilharia n.º 4, em Leiria, onde foi criado "um centro de recolha e de tratamento".

Os produtos vão ser selecionados e armazenados naquele local, sendo encaminhados, no futuro, para a zona afetada pelos incêndios, face às necessidades identificadas no terreno.
"Somos um concelho relativamente pequeno e não estávamos a ter capacidade para armazenamento, nem para a triagem desses bens", notou.

"A alimentação e a ração para animais podem continuar a ser enviados para cá", bem como pequenas quantias transportadas em veículos ligeiros.

O restante pode ser enviado diretamente para o regimento, em Leiria, esclareceu.

In Sapo24

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Do terror do fogo ao medo "da fome"

Nas poucas indústrias que há nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera teme-se o futuro. A razia na floresta pode deixar os pratos vazios. Mas o medo não tolhe a vontade de recuperar.
Há um ano e meio, o cérebro da empresa morreu num acidente. Uma tragédia para a Carvalhos Lda. e um rombo na dinâmica de uma das mais importantes empresas da fileira da madeira da região. Agora, de uma vez, o outro sócio (Mário) e o sobrinho ("o operacional") morreram. O fogo apagou-lhes a vida.
Um segundo abalo que Maria do Céu, administrativa de 61 anos na empresa com sede em Figueiró, não sabe se a firma aguentará. E esta é uma unidade tentacular. É ela que agrega a produção de várias empresas que descarregam ali a matéria-prima antes de ser transformada.
Em Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, os empresários olham para o futuro com receio. A cada conversa, um denominador comum. A palavra "fome" qualifica o que aí vem, teme-se. A matéria-prima está destruída, as máquinas queimadas e a transformação naturalmente parada.

"Muita gente vivia do pinheirito e do eucalipto. Presentemente está tudo queimado. A madeira não vai ter grande saída", enuncia Maria do Céu.
Maria do Céu não sabe o que os próximos tempos reservam à empresa em que trabalha. "Queremos continuar, mas não é fácil. Temos as nossas madeiras todas queimadas. Não vai haver onde levá-las se não houver mão do Governo e de outras entidades", crê.
Mas tem uma certeza: "Fome vai haver".

Há muitas empresas unipessoais, com um ou dois empregados, que dependem da Carvalhos Lda. para escoar o produto. Não têm quota suficiente para contratar encomendas com uma celulose ou uma serração e dependem da empresa de Figueiró.
Teme-se um efeito dominó que comprometa muitas economias familiares.
Na Fernando Fernandes, uma serração na freguesia da Graça, em Pedrógão Grande, as madeiras ainda fumegam. Nos dois pavilhões há carcaças de máquinas, há caixilharia derretida, há vidros rebentados, há destruição em estado puro.
O patrão ia comprar mais uma máquina. Essa máquina valeria mais quatro postos de trabalho e mais um mercado, o espanhol. O fogo faz com que nada disso valha agora.
"Isto veio alterar tudo, só para reparar as máquinas vão ser precisos entre um e dois meses e para algumas vai ser ainda mais", diz o administrativo António Ricardo.

A empresa é para continuar. O patrão já garantiu. Os prejuízos ainda não estão contabilizados, mas ardeu um camião que vale à volta de 60 mil euros, uma máquina para descarregar matéria-prima que, nova, são 200 mil euros, um empilhador que custa 50 mil euros e mais o material danificado e o edifício que ficou comprometido. Tudo a somar.
António é de Ferreira do Zêzere e não tem familiares envolvidos na tragédia, mas os outros sete que ali trabalham têm. Foram-se abaixo. Mas se as perdas são duras, e o luto profundo, o futuro começa agora, acredita.
"Há muito trabalho para fazer", sintetiza.
Ali ao lado, separado da serração por apenas uma rotunda, está Albano Graça. No mesmo espaço convivem uma oficina, uma cafetaria, e um parque de automóveis. Ele lutou até à exaustão para defender o que é seu. Ajudou amigos. Tentou salvar um desconhecido que morreu depois de o carro arder. Garante que queimou o pouco cabelo que ainda tem.
No parque automóvel arderam-lhe cinco carros e um camião de transporte. Dezenas de milhares de euros de prejuízos. E não há seguro. Há dois anos não lhe aceitaram a revalidação da apólice de responsabilidade civil.
Albano explica que a economia da região está toda interligada. Se um sofre, os outros vão ter dores. "Houve muitas perdas de tractores agrícolas, que faziam muitas manutenções, mudavam óleos, muita máquina e barracões destruídos. Para mim, é muito menos negócio", afirma.
Mas no meio do negro escuro, há aquele sentimento de resignação que se sintetiza na expressão "do mal o menos". "Tenho dois reboques a funcionar, os carros de trabalho estão a funcionar e isso é bom", revela. É algum dinheiro que entra e faz girar a máquina.
Depois, a conversa sai do seu caso particular para o panorama geral da região. "Esta é uma zona de floresta e há muita gente a viver dela. Vão ser seis a sete meses de trabalho a cortar isto tudo e depois vai ser um futuro de fome, com os madeireiros a fechar porque não têm onde ir comprar, nem podem continuar o seu trabalho", identifica.
Um pouco mais acima, está a zona industrial da freguesia propriamente dita. Espaço que naquele caso é sinónimo de quatro empresas. O cenário é este: um lagar destruído onde o dono tinha investido dezenas de milhares de euros há bem pouco tempo; e a Ennerpellets, que emprega 80 pessoas e está dramaticamente comprometida.
Os silos ainda fumegam passados mais de cinco dias do incêndio. Na imprensa nacional já se diz que a empresa que faz aglomerados de biomassa florestal vai fechar. Os administradores estavam a reunir-se na quinta-feira, mas a insistência para uma entrevista esbarra num virar de costas.
Metros ao lado está a empresa de caixilharia João Paulo Alumínios. Não sofreu danos. Os alarmes tocaram por causa do calor à passagem das chamas, mas o fogo serpenteou à volta.
"Tivemos sorte. A empresa acabou por ficar", lança Helena Carvalho.
A sua sorte sabe que foi o azar de outros. "Vai ser muito complicado. Os concelhos vivem muito das serrações e as madeiras foram muito afectadas", lembra.
Portanto, para ela a soma é simples: "Primeiro foi o fogo, agora a fome."
Mas e as ajudas financeiras? Isso não será importante? "Será que as ajudas vêm? E em que tempo? E para as pessoas que trabalhavam?". As questões saem em catadupa a Helena.
Nesta quinta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, afiançou que o fundo solidário para apoiar as vítimas da tragédia foi aprovado. Este será apenas um dos vários apoios disponíveis, que estará ao dispor dos municípios de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera, Góis e Pampilhosa da Serra. O Governo diz que não faltará apoio a ninguém que tenha sido afectado.
Em Castanheira de Pera, mais uma serração. A Progresso Castanheirense. Sandra Carvalho, gestora da Serração Progresso Castanheirense, não parou durante os últimos dias. Primeiro, as chamas, o perigo; depois, os reacendimentos e a protecção do que restou dos bens; agora, uma roda-viva de entrevistas.
Ali, naquele pólo industrial no lugar da Moita, pouco se deve aproveitar. O exercício de imaginar o antes, ao ver o agora, é complexo. Tudo está parado. Não mexe. Está preto.
Antes, a vida do lugar era animada por mais de 30 trabalhadores permanentes. A empresa tem quase 50, no total dois pólos.
Sandra também não tem noção dos prejuízos, mas já receberam uma equipa de peritos para os avaliar. Sabe que lhes espera mais de meio ano de trabalho. Só para pôr tudo operacional, mas diz que tem forças, que há ânimo.
"O dono está com vontade de reerguer isto. Vai ser muito difícil. Vão ser meses a limpar, a reconstruir, a remodelar. Temos também hectares para voltar a reflorestar", enumera.
Fala-se muito de ajudas. Sandra tem um pé atrás, mas uma mão estendida. "O pobre desconfia, tudo o que temos é do nosso trabalho, mas temos de ter fé", sublinha.
A gerente avança que não vai abrir a porta para ninguém sair, mas que, se alguém não quiser ficar, vai compreender. Os próximos meses serão duros.
"Vamos ter salários para pagar mensalmente e vai ser muito difícil porque não vamos facturar, mas espero que toda a gente seja compreensiva e tenha força", pede.
Por fim, desabafa: os fogos foram um tormento, uma tragédia, mas as réplicas das chamas vão fazer-se sentir nos próximos tempos. "A nossa aflição não terminou. Dia 30 está a chegar e há salários para pagar".
In Sapo24

Há retângulos de alcatrão novo onde antes arderam carros. Mas as marcam ficam

Na Estrada Nacional 236-1, para sempre a Estrada da Morte, tenta-se apagar os rastos de cá por lá perdeu a vida

O fogo em Pedrógão acabou, ficou a destruição. Recomeçou a vida. A vida possível 

s populações das aldeias de Góis, distrito de Coimbra, levantaram-se esta quinta-feira com um cenário bem diferente daquele que enfrentaram nos últimos dias. O sol estava escondido, mas desta vez não pelo fumo do incêndio que se mantinha ativo desde sábado, mas por uma neblina densa que começou aparecer ao princípio da noite e se manteve durante a madrugada, ajudando em muito a arrefecer terrenos e a evitar reacendimentos.

Pela primeira vez em muitos dias, quase que se podia dizer que estava frio.

Às 7H40, surgia a informação pela qual todos esperavam. Depois de mais uma noite passada a combater as chamas, o fogo estava finalmente controlado. A meio da tarde de quarta-feira, também o dramático incêndio de Pedrógão Grande tinha sido dado como extinto.

Na vila e nas estradas em volta, a azáfama de carros de bombeiros, do exército, do INEM, da GNR prossegue. O tempo é ainda de vigilância e prevenção, com centenas de homens no terreno. Mas a desmobilização já começou. Da Escola Básica de Góis já começaram a sair os carros de bombeiros que por estes dias estacionaram no recreio onde os alunos antes jogavam à bola. A cantina onde se prepararam as refeições para os bombeiros poderá também em breve voltar a servir almoços a crianças. Góis foi um dos concelhos onde o Ministério da Educação mandou suspender aulas, exames e testes dada a gravidade da situação vivida na região.

Saindo da vila pela EN2, a mais longa estrada nacional do país, logo se veem milhares e milhares de árvores queimadas pelas chamas que ora seguiam para o lado da Pampilhosa da Serra, ora se voltavam para Arganil, ora cresciam em direção ao fogo de Pedrógão Grande. Chegou a temer-se que os dois incêndios de juntassem. E se tal não chegou a acontecer, a sensação que fica depois de percorrer a estrada de um ponto ao outro é que pouco escapou. A paisagem oscila mais entre o negro e o castanho pálido, escasseando o verde das folhas das árvores.
O fogo isolou populações, tirou-lhes a luz e as comunicações. Há quilómetros de ligações para repor 

Na berma da estrada, próximo da povoação do Caniçal, uma equipa repõe cabos de fibra e fios elétricos. Das cerca de dez casas daquela povoação, resistiram menos de metade. É também por lá que para um carro com bombeiros que tinham chegado na véspera, vindos da Galiza, para reforçar o combate. Os mesmos que na quarta-feira tinham dado uma ajuda preciosa ao realizarem uma operação de contrafogo, que impediu as chamas de subirem até ao parque eólico das Mestras, não muito longe do posto de comando onde diariamente se fizeram pontos de situação, diretos e comunicados de responsáveis do Governo.


A operação de contrafogo é estranha, arriscada, mas eficaz. Munidos de uma espécie de lança-chamas em vez de extintores e aproveitando o sentido favorável do vento, os bombeiros de fardas amarelas e verdes iam pegando fogo a arbustos e árvores, que num ápice se transformavam em acendalhas gigantes e ajudavam a propagar as chamas. As mesmas que iriam travar as que avançavam vindas de baixo, impedindo que o fogo passasse mais uma estrada.
Uns quilómetros à frente, é a vez dos técnicos das Infraestruturas de Portugal substituírem os sinais de trânsito chamuscados. Repõe-se a seta da curva perigosa, o fim de proibição de ultrapassagem e segue-se caminho até a um dos pontos de paragem obrigatória para milhares de bombeiros de quase todo o país que foram ali chamados.

 À porta do Café da Picha, já no concelhos de Pedrógão Grande, são dezenas de veículos e de bombeiros, portugueses e espanhóis, que aproveitam para descansar, tomar café, beber água, carregar os telemóveis usando a extensão elétrica que o dono do café ali pôs para que dia e noite pudessem usar. Clientes foi o que não faltou por ali desde sábado. “Nunca servi tanto café”, desabafa Zeca, que manteve o estabelecimento a funcionar no horário mais alargado que conseguiu. Porque “não ia fechar a porta a esta gente”.


A partir do desvio para a estrada municipal que vai dar a Castanheira de Pera e à trágica estrada nacional 236-1, o cenário torna-se mais devastador. De um lado e doutro, é uma imensidão de troncos negros e chão preto e cinzas, de onde continua a sair calor, horas e horas depois do fogo ter sido apagado ali. As placas com os nomes das terras estão totalmente queimadas.
Entrando na estrada onde morreram mais de 40 pessoas, aparecem os primeiros carros e carrinhas queimados. Os trabalhos de limpeza e reconstrução prosseguem. No asfalto, há retângulos de alcatrão novo onde antes estavam os carros que arderam no meio da estrada, apanhados pelo fogo que vinha dos lados e caía de cima. As marcas ficarão para sempre.

In Expresso

Deputados do PSD contam o caos que viveram no terreno

Dois sociais-democratas que estiveram no terreno denunciaram esta quinta-feira, na reunião do grupo parlamentar, uma campanha de “propaganda sem respeito pelo que aconteceu” durante os incêndios na zona Centro. Dizem que falhou a primeira resposta às chamas, o sistema de comunicação e a coordenação de meios. Um deputado contou que andou a deslocar familiares e que a sua filha foi encaminhada para a “estrada da morte”, mas tomou outro caminho.


Foram testemunhos muito duros, comovidos e revoltados, conta quem assistiu: dois deputados do PSD que nos últimos dias estiveram nos locais dos grandes incêndios do centro do país, foram esta quinta-feira à reunião do grupo parlamentar social-democrata denunciar uma realidade que nada tem a ver com o discurso oficial de que foi feito tudo o que podia ter sido feito para combater os fogos.

"A Proteção Civil falhou redondamente", afirmou Pedro Pimpão, deputado eleito por Leiria, que por várias vezes se emocionou durante o seu relato. Também Maurício Marques, eleito por Coimbra, descreveu dias de confusão e descoordenação entre as autoridades, contando as dificuldades por que passou para conseguir tirar familiares de locais onde a Proteção Civil não chegou.

Pedro Pimpão, que desde sábado até quarta-feira esteve nos concelhos afetados, afirmou a sua revolta por ouvir um discurso oficial que não bate certo com a realidade em que esteve mergulhado nos últimos dias. "Custa-me ver esta propaganda sem respeito pelo que aconteceu", afirmou o deputado, ouvido em total silêncio pelos seus colegas de bancada, durante a reunião que decorreu, ao fim da manhã desta quinta-feira, à porta fechada.

De acordo com fontes sociais-democratas que estiveram no encontro, o deputado de Leiria reconheceu que é preciso respeitar o luto, mas acrescentou que "já chega" e que "é preciso que as pessoas saibam a verdade". E a verdade que relatou foi assim: falhou a primeira ajuda após o início do incêndio, falhou o sistema de comunicação e, por isso, falhou a coordenação de meios.

"Temos o dever de não deixar isto ser silenciado"

Pedro Pimpão deu conta de aldeias completamente isoladas, sem qualquer tipo de apoio, pessoas que pediram ajuda "a meio da tarde", "muito antes das mortes", sem que nunca aparecesse ajuda alguma.

E, contou, o centro de saúde de Castanheira de Pera estava fechado e quando abriu não tinha material. "Os deputados do PSD têm o dever de não deixar isto ser silenciado", exortou o parlamentar leiriense.

Também Maurício Marques, deputado eleito por Coimbra e ex-autarca de Penacova, contou o que viveu no terreno: teve de se fazer à estrada para acudir a familiares que não conseguiam o apoio das autoridades e chegou a receber instruções de um responsável da Proteção Civil para seguir por uma estrada que, afinal, veio a descobrir que estava fechada. Contou também que a sua filha foi encaminhada para a "estrada da morte", e só se salvou porque passou por debaixo dessa estrada e dirigiu-se para a A13, em vez de seguir o caminho fatal de outros automobilistas.

"Sem informação para fazerem melhor"

Ao Expresso, este deputado conta que viu no IC8 uma jovem a correr em direção ao incêndio sem que qualquer autoridade os travasse. "O que eu pensei na altura foi que se a estrada estava cortada para os carros devia estar cortada também para as pessoas".

Maurício Marques diz não ter dados para tirar conclusões sobre o caos a que assistiu, mas não tem dúvidas de que no mínimo houve muita "desinformação". "Como é evidente não acredito que a GNR estivesse a fazer o que fez de ânimo leve, ninguém dirige as pessoas para uma estrada onde depois acontece aquilo. Se o fizeram foi porque não tinham a informação para fazer melhor", diz ao Expresso.

O clima, durante a reunião da bancada do PSD, foi muito pesado e os relatos reforçaram a convicção de que há muitas perguntas por fazer e responsabilidades por apurar. "Já é óbvio para toda a gente que houve muitas falhas e que a falta de coordenação foi gritante", diz um deputado com ligação aos distritos atingidos, lamentando que Marcelo Rebelo de Sousa tenha sido o primeiro a lançar a ideia de que foi feito tudo o que era possível.

In Expresso

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Incêndio em Góis dominado

No primeiro ponto de situação desta quinta-feira, por volta das 08h00, o comandante operacional da Proteção Civil Carlos Luís Tavares informou que o incêndio em Góis, distrito de Coimbra, foi dominado às 7h41. Todavia, considerando as temperaturas elevadas, é possível que existam reativações ao longo do dia.

A Proteção Civil vai agora "consolidar o rescaldo" deste incêndio que atingiu Góis, Arganil e Pampilhosa da Serra. Cerca de 20 mil hectares terão ardido, estima o responsável.
No terreno estão 1010 operacionais, apoiados por 284 viaturas e é aguardada a chegada de 4 meios aéreos pesados.

Depois de já ter tido cinco frentes ativas, o incêndio em Góis, no distrito de Coimbra, encontrava-se na madrugada de hoje com uma frente ativa, com 400 metros de extensão, disse o comandante operacional Carlos Luís Tavares, que já perspetivava a possibilidade de o incêndio ser dado como dominado na manhã de hoje.

Foram evacuadas, ao todo, 27 aldeias, dos concelhos de Góis e de Pampilhosa da Serra, envolvendo um total de cerca 200 pessoas, das quais cinco já puderam regressar às suas casas.
Já em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, depois de ter retirado a vida a 64 pessoas e provocado mais de 200 feridos, o fogo encontra-se dominado desde a tarde de quarta-feira, 21 de junho, de acordo com o comandante operacional da Proteção Civil Vítor Vaz Pinto.

Apesar de a tragédia ser ainda recente, os sinais da reconstrução do que foi destruído pelas chamas em Pedrógão Grande já se notam, desde a substituição do alcatrão da “estrada da morte” ao corte de árvores.

Na Estada Nacional 236-1, onde morreram 47 pessoas que seguiam em viaturas e ficaram encurraladas pelas chamas entre Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, trabalhadores apoiados por máquinas começaram na quarta-feira a proceder à remoção e substituição do alcatrão, fazendo-se a circulação automóvel de forma alternada.

Na quarta-feira à noite, a ministra da Administração Interna admitiu a possibilidade de instaurar um inquérito ao incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, mas para tal necessita de obter todos os dados sobre aquilo que se passou.

“É algo que não estou a excluir neste momento. Preciso de ter dados sobre a atuação da GNR e da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) e de ter indícios que me permitam fazer um inquérito”, disse Constança Urbana de Sousa, em entrevista à RTP3.

A ministra da Administração Interna disse ainda que não se vai demitir do cargo, enquanto tiver a confiança do primeiro-ministro.

“Era mais fácil demitir-me, mas optei por dar a cara”, afirmou.
Na quarta-feira à tarde, o funeral do bombeiro Gonçalo Conceição que morreu na sequência do incêndio em Pedrógão Grande contou com a presença das mais altas figuras do Estado português, nomeadamente o primeiro-ministro, António Costa, e o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Esta quinta-feira as temperaturas diminuíram e a humidade relativa subiu significativamente na região Centro do país, o que proporciona “melhores condições” para combater os incêndios em Góis e em Pedrógão Grande, disse à Lusa a meteorologista Madalena Rodrigues.

A técnica do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) disse que a situação meteorológica está “muito mais tranquila, com menos instabilidade”, referindo que “as temperaturas desceram e a humidade relativa subiu”.

In Sapo24

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Incêndio de Pedrógão Grande está dominado

O incêndio que começou no sábado em Pedrógão Grande foi dominado hoje à tarde, disse o comandante operacional, Vítor Vaz Pinto.

O incêndio que começou no sábado em Pedrógão Grande foi dominado esta quarta-feira à tarde, disse o comandante operacional, Vítor Vaz Pinto.

No ponto de situação que acaba de fazer aos jornalistas, o responsável da Protecção Civil sublinhou, porém, que o incêndio está longe de estar resolvido.

"Há bolsas de incêndio com mais de 20 hectares, é uma grande dimensão. Só a progressão do fogo é que, esperamos nós, está contida", afirma.

Vaz Pinto considera que se continua a viver uma situação muito complicada, com casos de emergência e por isso todos os meios se mantêm no terreno. Quanto às causas do fogo, o comandante de operações sublinha que não é a quem está no terreno que compete investigar esse assunto.

EN 236 reaberta

A Estrada Nacional 236, que esteve cortada em dois troços nos concelhos de Castanheira de Pera, distrito de Leiria, e Lousã, em Coimbra, já reabriu ao trânsito pelas 8h00 desta quarta-feira, avançou fonte da GNR à agência Lusa.

A EN 236 esteve cortada ao trânsito em Castanheira de Pera, desde as 9h00 de segunda-feira, enquanto o troço da localidade Candal, no concelho da Lousã, esteve interdito desde as 16h15 de domingo.

A circulação continua, porém, impedida no troço da Estrada Nacional 2 em Góis, distrito de Coimbra.
Devido à ocorrência de incêndios naquele distrito, permanecem cortadas ao trânsito a Estrada Municipal 543, na localidade de Capelo, em Góis, e a Estrada Nacional 112, na localidade de Carvalhal do Sapo, no concelho da Pampilhosa da Serra, de acordo com a informação da GNR, prestada à Lusa pelas 16h00.

De acordo com a informação disponível na página da internet da ANPC, o fogo que está a consumir mais meios é o de Pedrógão Grande, num total de 1.206 homens, 415 veículos e dois meios aéreos.
O incêndio que deflagrou no sábado à tarde em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos, e foi dado como dominado pelas autoridades ao início da tarde.

O fogo começou em Escalos Fundeiros, e alastrou depois a Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria.

Desde então, as chamas chegaram aos distritos de Castelo Branco, através do concelho da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra.

Este incêndio já consumiu cerca de 30 mil hectares de floresta, de acordo com dados do Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais.

Outro dos incêndios mais graves é o de Góis, que àquela hora mobilizava 1.156 operacionais, 403 viaturas e 17 meios aéreos.

In Rádio Renascença

terça-feira, 20 de junho de 2017

Pedrógão Grande: Costa pede esclarecimento urgente sobre SIRESP e não encerramento de estrada

O primeiro-ministro pediu esclarecimento urgente sobre o funcionamento da rede de SIRESP no incêndio de Pedrógão Grande e sobre os motivos da ausência de encerramento da estrada nacional 236-I, onde ocorreu um elevado número de mortes.

Este despacho, ao qual a agência Lusa teve acesso, referente a três das circunstâncias por apurar em relação às consequências trágicas do incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande, distrito de Leiria, foi assinado por António Costa na segunda-feira.

De acordo com o primeiro-ministro, "sem prejuízo da avaliação global que terá lugar no termo das operações ainda em curso, há três questões relativas à tragédia ocorrida em Pedrógão Grande no passado sábado" que entende "necessário esclarecer desde já".

"Houve no local circunstâncias meteorológicas e dinâmicas geofísicas invulgares que possam explicar a dimensão e intensidade da tragédia, em especial no número de vítimas humanas, sem paralelo nas ocorrências de incêndios florestais, infelizmente tão frequentes em Portugal", começa por questionar o primeiro-ministro.

António Costa pergunta depois se é passível de confirmação que "houve interrupção do funcionamento da rede SIRESP (Rede Nacional de Emergência e Segurança)"
"Porquê, durante quanto tempo, se não funcionaram as suas próprias redundâncias e que impacto teve no planeamento, comando e execução das operações, como se estabeleceram ligações alternativas?"
"Porque não foi encerrada ao trânsito a Estrada Nacional (EN 236-I), foi esta via indicada pelas autoridades como alternativa ao IC 8 já encerrado e foram adotadas medidas de segurança à circulação nesta via?", pergunta ainda o líder do executivo.

"Para rápido esclarecimento determino que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, I.P., a Autoridade Nacional de Proteção Civil e a Guarda Nacional Republicana respondam, respetivamente, às três questões", especifica o primeiro-ministro.

O incêndio que deflagrou no sábado à tarde em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 130 feridos, segundo um balanço provisório divulgado na segunda-feira.

In Sapo24

Incêndio no concelho de Góis obriga a evacuar aldeias

O fogo que lavra desde sábado no concelho de Góis sobre um agravamento esta manhã, tendo já obrigado à evacuação de três aldeias, disse fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Coimbra.
“Estão a evacuar as aldeias Velha, de Candosa e de Carvalhal do Sapo”, referiu.
A mesma fonte disse à agência Lusa que pode haver a necessidade de, ainda esta manhã, evacuar mais uma, a aldeia de Cadafaz.

O município de Góis faz fronteira com Pedrógão Grande e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e com o concelho da Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, para onde as chamas progrediram, após deflagrarem no sábado, em Fonte Limpa.

Esta manhã, a presidente da Câmara de Góis afirmou à Lusa que o incêndio no concelho de Góis chegou à União de Freguesias de Cadafaz e Colmeal, depois de estar “praticamente dominado” na freguesia de Alvares.

Lurdes Castanheira tinha afirmado também esta manhã que a situação podia "passar a ser gravíssima porque o incêndio passou de Pampilhosa da Serra".
“Nós temos uma situação grave e, se calhar, pode passar a ser gravíssima, porque o incêndio passou de Pampilhosa da Serra. Ficou praticamente dominado na freguesia de Alvares [em Góis], mas passou do concelho de Pampilhosa da Serra para uma outra freguesia do concelho de Góis e neste momento lavra com alguma intensidade”, indicou Lurdes Castanheira.

“Há imensos meios, viaturas, meios aéreos, mas é outra freguesia [afetada] neste momento, é a União de Freguesias de Cadafaz e Colmeal”, precisou. A autarca explicou que “o vento foi de tal maneira forte que projetou” o fogo. “Galgou o alcatrão, a estrada nacional 112, e passou para o concelho de Góis novamente, para outra freguesia”, enumerou. Lurdes Castanheira apontou que as chamas estão a afetar zonas de pinhal, mas podem vir a “ameaçar populações”.

De acordo com a informação disponibilizada no ‘site’ da Autoridade Nacional de Proteção Civil pelas 11:40, o incêndio em Góis está a mobilizar 666 operacionais, auxiliados por 228 viaturas e seis meios aéreos.

In Sapo24

Situação em Góis é grave e pode passar a ser gravíssima

O incêndio no concelho de Góis chegou à União de Freguesias de Cadafaz e Colmeal, depois de estar "praticamente dominado" na freguesia de Alvares, informou hoje o município, falando numa "situação grave que pode passar a ser gravíssima"

"Nós temos uma situação grave e se calhar pode passar a ser gravíssima porque o incêndio passou de Pampilhosa da Serra. Ficou praticamente dominado na freguesia de Alvares [em Góis], mas passou do concelho de Pampilhosa da Serra para uma outra freguesia do concelho de Góis e neste momento lavra com alguma intensidade", disse à agência Lusa a presidente da Câmara de Góis, Lurdes Castanheira.

O município de Góis faz fronteira com Pedrógão Grande e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e com o concelho da Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra, para onde as chamas progrediram, após deflagrarem no sábado, em Fonte Limpa.

"Há imensos meios, viaturas, meios aéreos, mas é outra freguesia [afetada] neste momento, é a União de Freguesias de Cadafaz e Colmeal", precisou Lurdes Castanheira.
A autarca explicou que "o vento foi de tal maneira forte que projetou" o fogo.

Lurdes Castanheira apontou que, de momento, as chamas estão a afetar zonas de pinhal, mas podem vir a "ameaçar populações".
Vincando que as autoridades estão atentas, a responsável referiu que ainda não foi necessário evacuar localidades.

Ainda assim, "estamos bastante preocupados", admitiu, notando que o combate às chamas "é difícil".
De acordo com a informação disponibilizada no 'site' da Autoridade Nacional de Proteção Civil pelas 08:20, o incêndio em Góis está a mobilizar 692 operacionais, auxiliados por 237 viaturas e cinco meios aéreos.

In Diário de Noticias 

Incêndio de Pedrógão Grande é o maior de sempre em Portugal

Chamas já consumiram mais de 30 mil hectares de floresta, superando os números negros dos piores incêndios de 2003 e 2012.
O incêndio na zona de Pedrógão Grande já consumiu mais de 30 mil hectares de floresta desde sábado passado, segundo dados do Sistema Europeu de Informação de Fogos Florestais (conhecido pela sigla EFFIS). Este valor ultrapassa largamente os números atingidos nos grandes incêndios de 2012 em Tavira e de 2003 na Chamusca — os dois maiores fogos até agora em Portugal.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

No pinhal onde a tragédia começou (testemunhas contam o que viram)

Habitantes de Escalos Fundeiros, aldeia onde parece ter iniciado o incêndio que já matou mais de 60 pessoas, contestam a tese da Polícia Judiciária de que o fogo de Pedrógão Grande foi causado por uma trovoada seca.


Aos 75 anos, Miguel Serrano parece ter o dobro da energia do filho, com a metade da idade e acabado de acordar. Os dois homens sobem a talho pelo mato queimado, contornam um pequeno açude que servia de regadio, até há pouco tempo, em Escalos Fundeiros, aldeia de cerca de 100 habitantes em Pedrógão Grande, no centro do país.

Este ex-industrial já reformado, dono de terrenos naquela região, aponta para várias árvores queimadas, algumas derrubadas pela força do fogo do último sábado.

“Foi aqui que tudo começou”, diz, com tristeza nos olhos, este homem de estatura baixa, cabelo branco e que usa suspensórios e um relógio dourado. Há cerca de 24 horas, inspetores da Polícia Judiciária tinham estado naquele mesmo local, ainda distante da pequena aldeia. Concluíram que tinha sido uma trovoada seca a causar o incêndio que teve início na tarde de sábado e deflagrou por vários concelhos vizinhos, matando mais de 60 pessoas.

A tese, porém, não convence os moradores. Miguel Serrano garante que ninguém ali ouviu qualquer trovoada próxima da aldeia. “Andam para aí a inventar que caiu um raio numa destas árvores, mas os únicos trovões que ouvi nessa tarde estavam longe, para os lados da Sertã”.

Também Alcinda Barata, uma reformada de 71 anos, que por causa de uma operação recente a um joelho é obrigada a andar apoiada em muletas, não tem dúvidas de que o fogo começou ali naquele pinhal, de facto, mas muitas horas antes de escutar os primeiros estrondos vindos do céu. “Depois do almoço, acordei o meu marido porque vi um fumo muito espesso a aproximar-se da nossa horta”, conta. Como não se podia deslocar para a pequena herdade onde há videiras, cerejeiras e oliveiras, por causa das dores no joelho, foi o marido que acabou por ver de perto o mato a arder. “Quando os bombeiros chegaram já era tarde. O fogo tinha-se espalhado em várias direções.”

O relato sobre as horas que se seguiram emocionam esta ex-emigrante na Suíça. Mais abalada fica quando surge a conversa sobre a dita trovoada seca. “Enerva-me estarem por ai a dizer que foi um raio que fez começar o fogo. Só ao fim do dia é que escutei uma ou duas trovoadas, mas nada de especial. Eram assim como estas, estão a ouvir?”

Na manhã desta segunda-feira, aquela aldeia voltou a ouvir os mesmos estrondos do céu. Desta vez acompanhados de chuva grossa que perdura durante alguns minutos. Não só em Escalos Fundeiros como em toda a região dos fogos.

In Expresso

Fogo de Pedrógão Grande é o 11.º mais mortal do mundo desde 1900

Somando o balanço provisório de Pedrógão aos registos até 2016, Portugal torna-se o 6.º país onde mais se morre em grandes fogos florestais.

O incêndio de Pedrógão Grande deste fim-de-semana, que matou 64 pessoas, é já o 11.º fogo florestal a provocar mais mortos desde 1900, em todo o mundo. Se aos dados de 2016 juntarmos as vítimas deste fogo no distrito de Leiria, Portugal será o sexto país onde mais se morre em grandes incêndios florestais.
São conclusões que se retiram da leitura dos dados da Emergency Events Database, que compila mais de 22 mil desastres naturais desde 1900. O último ano da tabela, elaborada pela Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, é 2016.
Os 64 mortos provocados pelo incêndio em Pedrógão Grande (segundo o balanço disponível às 20h14 de segunda-feira, dia 19) colocam o fogo florestal que mais pessoas matou em Portugal à frente da “Terça-feira Negra”, na Austrália, em 1967. Nesse ano, 110 focos de incêndio mataram 62 pessoas e feriram outras cem, na ilha da Tasmânia.
No topo da tabela está um incêndio de 1918, nos Estados Unidos, estado do Minnesota. Ainda que o número de mortos se baseie numa estimativa com base em registos da época, o incêndio mais mortífero de sempre terá feito cerca de mil vítimas. Cloquet foi completamente tomada pelas chamas, que mataram 400 pessoas só naquela cidade. Os prejuízos foram então avaliados em cerca de 1 milhão de dólares.
Cloquet, 1918. Nunca, desde que há registos, morreu tanta gente devido a um incêndio. Fotos: mnopedia.org
A segunda ocorrência com maior número de mortos aconteceu na Indonésia, em 1997: 240 pessoas morreram com o avanço das chamas, que terão tido origem nas queimadas feitas pelos agricultores para roubar terreno à floresta.
Cerca de 32 mil pessoas foram afectadas por esta série de incêndios na Indonésia. Estima-se que tenham sido libertados para a atmosfera o equivalente a quase 40% da taxa anual de emissão de dióxido de carbono resultante da combustão de combustíveis fósseis.
Na fronteira entre a China e a União Soviética, o incêndio que ficou conhecido como “O Dragão Negro” matou 191 pessoas. É tido como o terceiro incêndio que mais pessoas matou, seguido pelos incêndios de 2009 na Austrália, onde morreram 190 pessoas.
A Austrália é, aliás, o segundo país onde morreram mais pessoas em incêndios florestais. Mais de 500 pessoas foram vítimas dos 26 incêndios registados naquele país. O país figura quatro vezes no “top” 15 dos incêndios florestais que mais mortos causaram desde o início do século XX.
A nível europeu, o fogo de Pedrógão Grande é já o terceiro com maior número de vítimas, sendo apenas ultrapassado, pelos incêndios na Grécia, no Verão de 2007, quando morreram 68 pessoas, e pelos fogos na região de Aquitânia, em França, em 1949. Morreram então 80 pessoas.
Mais de 150 mortos em meio século
Ainda que os dados da Emergency Events Database não contemplem o ano de 2017, excluindo assim a tragédia de Pedrógão Grande, terão morrido, em cerca de 50 anos, mais de 150 pessoas em Portugal vítimas de incêndios florestais que cumpriram um de quatro critérios: mataram 10 ou mais pessoas; feriram ou desalojaram mais de 100 pessoas; é declarado estado de emergência; ou é pedida ajuda internacional no combate às chamas.
Em Setembro de 1966, um incêndio na serra de Sintra matou 25 militares do Regimento de Artilharia Antiaérea Fixa de Queluz que combatiam as chamas. Era, até este fim-de-semana, o mais trágico incêndio registado em Portugal.
Na lista figuram ainda os casos de 1985, quando, em Armamar, morrem 14 bombeiros e, de 1986, em Águeda, onde o fogo provoca 16 mortos.
2003 fica também na memória dos portugueses como o ano em que mais área ardeu em Portugal - foram cerca de 120 mil hectares de floresta consumidos pelo fogo. Morreram, nesse ano, 14 pessoas.
Em Junho de 2006, no distrito da Guarda, cinco bombeiros chilenos morreram ao combaterem o fogo.
E no ano de 2012, centenas de incêndios registados em Portugal provocaram seis mortos, quatro deles bombeiros.
A série de registos nacionais, antes de Pedrógão, termina com os incêndios na Madeira, em 2016. Morreram três pessoas e o Estado português pediu ajuda à União Europeia.
In Rádio Renascença

Incêndio em Pedrógão Grande: 64 vítimas mortais

O incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande provocou até ao momento 64 vítimas mortais.
A GNR confirmou esta segunda-feira, ao início da noite, que o balanço de vítimas mortais aumentou para 64.
A GNR não adianta, porém, se há vítimas de nacionalidade estrangeira. A questão surge depois de o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês ter anunciado em comunicado que um cidadão francês está entre as vítimas mortais do incêndio florestal que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande.
O balanço anterior apontava para 63 mortos. Jaime Marta Soares, visivelmente emocionado, informou esta tarde que um bombeiro, que pertencia à corporação de Castanheira de Pera, faleceu no hospital. Este era casado, tinha 40 anos e um filho.
As autoridades não avançaram com um novo balanço de feridos, fixando-se o anterior em 135, a maioria com ferimentos ligeiros.
Ao fazer o ponto de situação, o comandante Elísio Oliveira disse que a tarde foi "bastante difícil, com situações complexas que ainda se mantêm".
70% do incêndio já está dominado, mas os 30% ainda ativos inspiram cuidados, adiantou, reiterando a necessidade de que as populações cumpram as indicações das autoridades.
"Os aglomerados populacionais são bastantes dispersos, vamos continuar com este trabalho difícil", disse.
O fogo, que deflagrou às 13h43 de sábado, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, alastrou depois aos concelhos vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e entrou também no distrito de Castelo Branco, pelo concelho da Sertã.
Além de Pedrógão Grande, existem quatro grandes fogos a lavrar nos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco. Em todo o País, os fogos mobilizam um total de cerca de 2.155 operacionais, 666 veículos e 21 meios aéreos.
Marcelo evita “mais frentes” que não o combate ao fogo e o apoio às vítimas
Pela terceira vez em dois dias, o Presidente da República pediu que não se arranje "mais uma frente" de combate, com a discussão sobre o que fazer para evitar incêndios como o que começou em Pedrógão Grande.
Primeiro na sua mensagem ao país, no domingo, e hoje, por duas vezes, na sua segunda visita à zona afetada pelos incêndios, pediu para que essa "reflexão" se faça mais tarde.
A fórmula foi idêntica em Avelar (Ansião) e em Cernache do Bonjardim, com Marcelo a pedir que não se faça a discussão por enquanto.
"Estamos no momento de combate em que, a pouco a pouco, vamos conseguindo controlar a situação", disse o chefe de Estado, pedindo que não se junte "mais uma frente" à "frente" de combater as chamas e apoiar as vítimas.
Depois, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa em Avelar, mas também em Cernache, haverá "todo o tempo do mundo para falar de causas, reflexões".
De críticas, Rebelo de Sousa respondeu com um sorriso quando uma jornalista lhe perguntou se não se chateava quando o criticavam por ir distribuir beijos.
Nestes momentos de dor, "os afetos ou chamem-lhe o que quiserem", são necessários.
In Sapo24