sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Família do bebé que morreu não aponta falhas ao INEM

Familiares do bebé que morreu hoje em Anadia, assistido no acesso ao Hospital, dizem não ter falhas a apontar à assistência que foi prestada através do INEM.

Num ambiente de consternação e apesar da revolta manifestada por vários populares que associam o trágico acidente ao encerramento da urgência, o pai da criança de dois meses, José Alferes, de 26 anos, disse aos jornalistas que o serviço de emergência "não demorou muito".

"Acho que não houve falhas", comentou José Alferes, emocionado pelos acontecimentos, relatando que ele e a esposa acordaram à hora do costume e pouco depois das 08:00 deram com o Roberto, o menino de dois meses, no berço, aparentemente sem respirar.

De acordo com o pai, "pouco depois das 08:30 o bebé já estava a ser assistido, no ponto de encontro combinado com o 112, que era junto ao Hospital de Anadia".

Carlos Alferes, avô da criança e residente em Ancas, Anadia, na casa de quem viviam José Alferes e a esposa, Ana Lúcia, relatou que ouviu "o bebé choramingar durante a noite" e que de manhã o filho e a nora só lhe disseram que "o menino não estava bem e iam com ele para o Hospital".

Segundo o avô, nada fazia prever o que aconteceu, porque "o bebé estava só um bocadinho constipado e ainda na semana passada tinha ido ao pediatra e estava tudo bem com ele".

A chamada de alerta para o 112 terá sido feita pelo pai do bebé pelas 08:25, quando já se encontrava a caminho de Anadia, pelo que combinou encontrar-se com o INEM junto ao Hospital de Anadia.

Foi no exterior do Hospital e dentro da ambulância do INEM, para onde o bebé foi transferido do carro dos pais, que foram feitas, sem resultado, as tentativas de reanimação.

Segundo José Paixão, do movimento "Utentes para a Saúde", que tem promovido os protestos contra o encerramento da urgência em Anadia, "a ambulância do INEM não tinha pessoal especializado e tiveram de esperar pela viatura de emergência médica, havendo um desencontro entre as viaturas".

Contactado pela Lusa, Pedro Santos, do INEM, negou que tenha havido qualquer desencontro entre a ambulância do INEM colocada em Anadia.

"Quando os pais ligaram para o 112 já estavam a caminho. De acordo com o que descreveram, depararam com o bebé, de dois meses, roxo e sem respirar, quando o foram buscar à cama e no decurso da chamada telefónica foram accionadas a ambulância do INEM e a viatura de emergência médica", esclareceu Pedro Santos.

De acordo com o porta-voz do INEM, a ambulância chegou de imediato ao ponto de encontro acertado, junto ao Hospital de Anadia, e a viatura de emergência médica, que partiu do Hospital dos Covões, passados 15 minutos estava no local.

"Foram feitas no local manobras de reanimação, com suporte avançado de vida, bem como durante o trajecto para o Hospital Pediátrico de Coimbra", onde foi declarado o óbito.

Lusa