terça-feira, 19 de agosto de 2008

Incêndios: Já arderam mais 2.000 hectares do que em igual período do ano passado - oficial

Os incêndios já destruíram este ano mais 2.000 hectares do que em igual período de 2007, mas a área florestal destruída decresceu, revelou hoje em Faro o presidente da subcomissão parlamentar de Agricultura.

Falando no final de uma reunião com autoridades locais, que hoje decorreu no Governo Civil de Faro, Miguel Ginestal (PS) concretizou que nos primeiros sete meses e meio de 2008 arderam 5.000 hectares de mato e 2.300 de floresta num total de 7.300, enquanto que no mesmo período do ano passado foram devastados 3.000 hectares de floresta e 2.300 de mato.

"A nível nacional, houve mais ocorrências este ano, mas menos área de floresta ardida", disse, acentuando que se trata de um "dado positivo".

No Algarve, até ao incêndio que ocorreu em Aljezur no fim-de-semana passado, tinham ardido 111 hectares, dos quais 108 de mato e três de floresta, mas aquele fogo, só por si, devastou 140 hectares, a maioria dos quais de activo florestal.

O presidente da subcomissão de Agricultura, Florestas, Desenvolvimento Rural e Pescas da Assembleia da República acentuou que em 2007 a área que ardeu em Portugal, 31.500 hectares, foi excepcionalmente pequena por comparação com os últimos anos.

Há dois anos, arderam 70 mil hectares, mas a média anual de 1998 a 2007 rondou os 160 mil hectares.

Como objectivos estratégicos, a meta para 2012 é uma área ardida inferior a 100 mil hectares e, para 2018, uma superfície não superior a 30 mil.

No Algarve, os piores anos foram 2003 e 2004, ano em que arderam 100 mil hectares, recordou Miguel Ginestal, sublinhando a necessidade de "tudo fazer" para evitar a repetição daqueles anos, quando as imagens dos incêndios algarvios "correram mundo".

"Essa é a pior imagem que podemos dar a quem nos visita", disse, acentuando a sensibilidade da região em matéria turística.

Sublinhou que, de acordo com informações que lhe foram prestadas durante a reunião, este ano o tempo médio de intervenção num incêndio que se declare no Algarve cifra-se entre os seis e os dez minutos.

No País, a média de tempo decorrido entre o pedido de auxílio e a primeira intervenção é de dez minutos, revelou, recordando que "os primeiros 20 minutos são essenciais" no combate eficaz a um incêndio.

A relação inversa entre o aumento do número de ocorrências e a diminuição da área florestal afectada faz atestar "a eficácia da primeira intervenção", observou.

O reforço dos meios de combate aéreo e a eficácia dos mecanismos de transmissão de informação são os factores mais positivos, este ano, no combate a fogos florestais, disse o parlamentar.

Os deputados, que se encontram a percorrer várias regiões do País, estavam acompanhados pelo secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e Pescas, que não quis prestar declarações no final da reunião.

Na reunião participaram vários agentes ligados à defesa das florestas e combate a incêndios, bem como autoridades policiais, representantes das actividades económicas ligadas às florestas e órgãos desconcentrados da região.

Hoje à tarde os deputados da subcomissão participam numa discussão pública sobre o futuro das zonas de intervenção florestal do Algarve.

Lusa