quarta-feira, 9 de abril de 2008

Incêndio “estranho” destrói parcialmente camião

Incêndio num armazém de frutas situado na zona industrial de Cantanhede destruiu parcialmente a cabine de um camião e consumiu dezenas de paletes. Proprietário acha “muito estranha” a deflagração das labaredas

O filho do proprietário do armazém de frutas Saleiro, não acha «normal» a deflagração do incêndio que ontem ocorreu nesta unidade de armazenamento de frutas sedeada na zona industrial de Cantanhede. A ocorrência verificou-se às 13h20, numa altura em que o proprietário e funcionários tinham ido beber café, ali bem perto do armazém.

«Ouvimos a sirene dos bombeiros mas nem fazíamos ideia de que era o nosso armazém que estava a arder», disse ao nosso Jornal Pedro Saleiro, filho do proprietário, não encontrando explicações para a deflagração do incêndio. «Aqui só há paletes de madeira, caixas de plástico e alguns cartões das embalagens, e todo este material está encharcado da chuva que caiu a noite passada, pelo que acho muito estranho como é que isto aconteceu», afirmou à nossa reportagem o jovem, corroborado pelos três funcionários que o acompanharam ao café, depois do almoço, e que meia-hora antes tinham estado no local onde o fogo deflagrou.

Mais intrigados ficaram os donos e funcionários do armazém uma vez que o local onde as chamas eclodiram, nas traseiras do edifício, não existem quaisquer fios eléctricos, nenhum material combustível e, além das referidas paletes, apenas estava um camião praticamente novo, que acabou por ficar com a cabine parcialmente destruída, consumida pelas chamas. Camião que estava estacionado a cerca de quatro metros das paletes e caixas de plástico, o que torna «mais incompreensível» como é que as chamas deflagraram nos dois sítios. Na cabine do veículo e no monte de paletes.

«Aqui não há qualquer hipótese de curto-circuito, a camioneta é praticamente nova e não tinha nenhum problema eléctrico, o material estava todo encharcado da chuva, o que torna este incêndio muito estranho», conclui Carlos Saleiro, não querendo acreditar que o sinistro tivesse sido provocado por mão criminosa.

Quem também não quis adiantar qualquer pormenor sobre a eventual origem deste incêndio foi o comandante dos bombeiros, Francisco Lourenço, que afirmou desconhecer o que terá provocado o fogo. No local também esteve a GNR de Cantanhede, que apurou os prejuízos sofridos e elaborará o competente auto de ocorrência, com eventuais investigações a serem remetidas para a Polícia Judiciária.

Os prejuízos são avultados, principalmente no camião, que ficou com a parte da frente, vidro dianteiro e tablier praticamente destruído, além de parte da parede e telhado do armazém e dezenas de paletes e caixas de transporte de frutas, que o proprietário não soube contabilizar.
Os bombeiros combateram as chamas com dois carros contra incêndios, mobilizando para o local 15 elementos, um veículo desencarcerador e uma ambulância (como medida de precaução) e o carro de comando, deslocando-se também ao local uma viatura da Protecção Civil Municipal, chefiada por Hugo Oliveira.

Eucaliptos devastados pelas chamas

Se não foi “estranho”, foi pelo menos insólito. Também ao início da noite de segunda-feira passada, os bombeiros foram alertados para um violento incêndio, que deflagrou numa zona de eucaliptal, na localidade de Póvoa do Bispo. “Estranho” ou insólito porque o dia tinha sido de grandes precipitações, deixando, por isso, matas e campos encharcados.

Os bombeiros receberam o alerta às 19h40 para o combate ao incêndio e só o deram como extinto já passava das 23h30, o que dá a ideia da violência e dimensão das chamas.
Quando chegaram ao local as labaredas consumiam molhos de lenha de eucalipto que se propagaram facilmente a algumas árvores e mato.

Foram precisas algumas horas para extinguir o incêndio e, depois de um dia de chuva intensa, a eclosão deste fogo também deixa algumas interrogações aos soldados da paz. Estiveram envolvidos no combate ao incêndio 17 homens, apoiados por cinco viaturas.



Diário de Coimbra